Alguém aí me dá um chute no 'sedere' que me faça voltar prá Itália?
Quando (e se) volto, escrevo o diário de viagem. Tá tudo anotadinho (ou quase). Aqui, o tempo é curto e precioso prá ficar nas lan-house da vida atualizando blog.
Ainda estou aqui.
Fechamos a loja no sábado num corre-corre tremendo. Não adianta nada (ou adianta pouco) organizar-se para não se atolar no trabalho, tem sempre os atrasadinhos que no último momento chegam pedindo prá fazer a roupa e não podemos recusar.
Tive somente o domingo para fazer algumas comprar de coisas para levar e ainda passei mal por causa do calor quando estava no supermercado. Alinhãns, aqui está um calor abafado dos infernos, difícil até dormir.
Agora, escrevo enquanto espero secar o chão da cozinha. Hoje tenho as malas (odeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio malas!) para arrumar, depois que acabar de limpar a casa e ainda espero de ter tempo de passar um pouco de roupas. Adeus fazer as unhas e depilação: deixo prá fazer tudo no Brasil.
Outra coisa: não sabemos se iremos mesmo amanhã. A companhia aérea está com superlotação e é bem provável que teremos de voltar na quarta-feira (e na quinta, se necessário) esperando a nossa vez na lista de espera.
Acho que só vou voltar a escrever quando estiver lá.
Tem quem pede prá trazer farinha, alicate, chá de boldo, havaianas, carne-seca e até ki-suco. Soube de uma grávida que queria bala Juquinha e eu já pedi uma bucha, daquelas de feira, comprida e com as sementinhas ainda dentro. Brasileiro com saudade é foda, mas o pedido mais estranho que recebi veio de um italiano na semana passada.
Cliente antiquíssimo, viúvo e com um filho de cerca 35 anos que ainda mora com o pai. O homem casou novamente com uma mulher muito jovem e de vez em quando reclama da presença do filho em casa, que atrapalha a intimidade deles. Meu marido é que estava na loja e enquanto atendia conversavam sobre a dificuldade que os jovens têem para sair de casa e fazer vida própria. Procuro não participar dos papos e nem dar muita trela prá cliente, senão não faço mais nada: a maioria são gente de idade, doida prá encontrar alguém que escute as suas mazelas e depois não desgrudar mais.
Papo vai, papo vem, entro na loja enquanto eles falavam das férias e da viagem ao Brasil. O homem virou prá mim e disse "não é que você tem alguma garota no Brasil para me dar?". Isso mesmo, ele falou "dar" ! Estranhando o verbo, respondi: "para 'dar' não; para 'vender', talvez". Mammamia, por que fui abrir a boca! Pior é que eu estava num dia de azedume humoral e falei com um tom bem sarcástico, mas o cara não percebeu e ficou todo animadinho: "ah, é? e quanto você quer?" .
Pausa: muito cuidado quando fizer piadinha com alguns italianos: eles levam tudo a sério! O ruim de gente que não perde tempo com nada é que acaba perdendo também o senso do humor ou, quem sabe, eles têm um humor diferente do nosso... Lembro que muitas vezes falava as coisas mais absurdas pro meu marido e ele levava tudo ao pé da letra. Quanta confusão!
O negócio é que o cara depois explicou que estava tentando "arrumar uma mulher pro seu filho".
Eu não posso escutar essas coisas. Me vem um nervooooooso!
Tá legal, ele tem razões de sobra prá querer ver seu filho arrumado na vida. Vou me colocar um pouquinho no lugar dele. Mas perguntou pro seu filho se era isso que ele queria?
Falou que "o garoto precisa de uma mulher para cuidar dele. Sabe como é: limpar, cozinhar...". Daí eu falei: "aaahhhh, o senhor quer que eu traga uma garota para trabalhar pro seu filho... mas é de carteira assinada?" "Não, não! eu quero que ele se case! Tudo legalizado!". Não adianta, ele nunca vai perceber que eu estou com a língua envenenada.
Pois é, ele está muito preocupado com o filho: o rapaz passa muito tempo no computador, sai somente com um amigo e os vizinhos ficam comentando que ele é 'estranho'.
Eeeepa. Não quero entender errado, mas aí ele dá o golpe final:
"Meu filho não é gay! Nem na minha família, nem na da minha mulher tem gay. De quem ele iria pegar isso?"
Hoje de manhã, cheguei da padaria e esqueci a chave pendurada na porta - pelo lado de fora.
3 da tarde, abro a loja e saio prá olhar o sol. Aí eu vi a chave.
Deve ser porque a minha passagem chegou.
Então, parece que vamos mesmo.
Nem quis saber de muito blá-blá-blá e dancei a valsa que tocou: ficou resolvido que eu vou para o Rio e meu marido vai para a Bahia com um amigo.
Ele continua a não querer ir pro Rio; eu preciso ir para o Rio, então...
Estou muito cansada para discutir o assunto e nem estou escutando minha sogra que acha que eu TENHO de ir para onde ele quer.
Ela acha que "não fica bem" que façamos as férias separados e é lógico que já está me responsabilizando SE alguma coisa acontecer de desagradável com ele.
O importante é que nós estamos tranquilos. Tudo em paz.
(Na esperança que os pontos que estão costurando a minha boca não arrebentem antes do tempo).
Alguns dias atrás, uma criança morreu porque foi esquecida pela mãe dentro do carro. Não é o primeiro caso:
já aconteceu que um pai esqueceu o bebê dormindo no banco traseiro, num estacionamento, sob um sol de
quase 40 graus, provocando também a morte do bebê. A reação das pessoas é sempre de revolta e muitos
não conseguem entender como um pai ou mãe pode 'esquecer' um filho e por horas não lembrar que o
deixou em uma situação de risco.
Uma vez esqueci de pegar minha filha na escola. Estava com o trabalho atrasado e 'estourei' até a hora do
almoço para não perder mais tempo. Depois de mais de uma hora do horário da saída, a diretora telefonou
para saber o que estava acontecendo e eu me senti super-envergonhada ao dizer que havia esquecido.
Quando cheguei na escola e vi os olhinhos dela que pareciam me dizer ' mãe, como você pôde esquecer de
mim?' me senti uma desnaturada que não consegue nem lembrar da existência da própria filha.
Esquecendo o que tinha acontecido comigo, fiquei muito impressionada com meu marido, que é um natural
born esquecido, quando ele esqueceu que eu não estava no trabalho e, recebendo um telefonema do banco,
saiu para resolver um problema e já que estava fora, foi pro supermercado procurar uma peça para o carro
deixando a loja aberta e sem ninguém por quase duas horas. Quando cheguei em casa, ele ainda estava em
estado de choque e com um ponto de interrogação estampado na testa por não entender como pôde ter feito
aquilo.
Deu branco.
Que mistério pode acontecer no nosso cérebro para 'apagar' coisas que deveriam ser prioridade e viram um
nada? Nos casos dos pais das crianças mortas, no meu caso e naquele do meu marido, a explicação razoável
que os especialistas dão é o estresse, pressão emocional ou cansaço. Logico que os nossos esquecimentos
não provocaram tragédias, mas lembro muito bem que quando aconteceram estávamos passando por
momentos difíceis por questões de excesso de trabalho e acúmulo de responsabilidades.
(Achei AQUI um artigo sobre o assunto)
Estamos passando por um período assim agora e é um tal de grudar post it nas paredes...
Aí meu marido s'aproveita. Dia desses ele comprou um melão no supermercado e não conseguia mais
encontrar. Muito ridículo perder um melão, mas é tudo tão ridículo e non-sense ultimamente que nem ligo mais prá essas
ninharias.
- Daaai (ele me chama assim), onde você colocou o melão que eu trouxe do mercado?
Eu, que nem sabia que ele havia comprado um melão:
- Sei lá! Num vi melão nenhum. Procura na geladeira.
- Já vasculhei tudo e não está lá. E olha que eu estava quase seguro de ter colocado na geladeira!
- Já procurou no carro? Vai ver que rolou da bolsa.
(não sei porque quando ele não acha alguma coisa EU é que tenho que falar como procurar)
Lá vai ele na garagem procurar o melão no carro.
- Não achei. Mas você tem certeza que não viu?
- Cazzzzz... não é possível que você acha que eu iria esquecer de uma coisa tão importante como o teu
melão. Eu, quando vejo um melão não esqueço nunca mais! Faz uma coisa: pense no momento que você
chegou do mercado, refaça todos os passos e veja se o melão entra no flash-back.
Pausa.
- Não consigo lembrar.
- Então você deixou o bendito no supermercado.
- Nããão... agora tenho que voltar prá pegar.
Baixou a fúria nimí:
- O quê? Você vai fazer quase 20 quilometros por causa de um melão? Atravessa a rua e compra outro aqui no
mercadinho em frente! Vai ser pão-duro assim na caixa-prego!
- Será que você não entende que não é uma questão de dinheiro e sim de bom-senso? Eu comprei o melão,
paguei o melão e agora quero comer o melão!
- Eu não acho sensato fazer uma viagem por causa de um melão. Toma, come essa banana aqui, finge que é
melão e me deixa em paz.
- Não, não, mais tarde eu vou voltar lá prá pegar o melão. Cadê a nota fiscal?
- Vai te catar. Me diz por quê EU tenho que saber onde está a nota fiscal? Você foi no mercado, você pagou o
melão e você está com a nota fiscal. Pára de fazer pergunta idiota!
........................................
Dez minutos depois:
- Estava aqui pensando... Não é que a Juliana comeu o melão?
- Não acredito... ainda pensando nessa droga de melão? Não pode ter sido a Juliana: por acaso você já viu a
Juliana comendo fruta? Já estou começando a ficar histérica por causa desse papo é melhor parar por aqui
senão vamos acabar brigando.
O calor estava demais. Olho a temperatura: 35 graus, que sede. Abro a geladeira para pegar o suco e o que é
que vejo ali, bem na frente e quase me estuprando?
Pois é.... depois minha sogra diz que eu tenho pouca paciência.
Falando nela....
O nervoso da minha sogra tem um nome e um sobrenome: nossa viagem ao Brasil.
Gostei tanto do ábum de casamento dessa menina, no Orkut, que não consigo parar de olhar!
Deu até vontade de casar de novo! Mas com um vestido lindo como o dela...
Ahh.... o amorrrrrr.....
- Onde vocês estavam!!!! Já é a terceira vez que telefono em menos de uma hora! Assim não é possível... (gritando)
- Nós estávamos aqui em casa. O telefone não tocou nenhuma vez (calma).
- Mas eu telefonei e ninguém atendeu! Onde é que vocês estavam? (gritando)
- Nós estávamos aqui em casa. O telefone não tocou nenhuma vez (muito calma).
- Mas não pode ser! Vocês não respondem o telefone de casa e eu sou obrigada a ligar pro celular. (gritando, nervosa).
Não vou ligar mais prá vocês, o que é que vocês estavam fazendo que não atenderam o telefone?
- Nós estávamos aqui em casa. O telefone não tocou nenhuma vez (calmíssima).
- É... se tem uma emergência e vocês não atendem o telefone a gente pode até morrer e vocês não
respondem. Eu telefono pros outros filhos e todos atendem o telefone, só vocês não atendem o telefone, se eu
precisar ir pro hospital não posso nem contar com vocês, porque o telefone toca e ninguém atende. Onde é
que vocês estavam que não atenderam o telefone?
- Nós es-tá-va-mos fa-zen-do se-xo e não es-cu-ta-mos o te-le-fo-ne (mentindo, mas ainda muuuuito calma).
- Ei! Qual o motivo do telefonema? Tá precisando de alguma coisa?
- Você sabe que dia é hoje?
- Domingo.
- Nãããão!!!!! De número! (gritando outra vez)
- Ahnnnnnn.... 29?
- E dia 29, é dia de que?
- E eu sei lá! (começando a ficar nervosa)
- É dia de São Pedro e São Paulo! Isso não te diz nada?
- Festa junina?
- O quê?
- Deixa prá lá. Qué qui tem hoje?
- Hoje é o onomástico(*) do seu sogro! E nem você, nem seu marido, lembraram de telefonar para dar
parabéns! Você tinha que lembrar e falar prá ele! Todo mundo ligou e vocês não!
- Tá bom, desculpe, mas se tem uma coisa que não consigo acostumar é esse papo de onomástico.
e todos os anos discutimos por esse motivo. Já é um trabalhão lembrar do aniversário de todo mundo...
te passo teu filho.
- A gente se sente esquecido se vocês não lembram do onomástico. Nem você, nem seu marido lembraram
de telefonar para dar parabéns. E quando a gente telefona vocês não atendem o telefone.
- TE PASSO TEU FILHOOOOOOOO!!!!! (gritando e já muito nervosa)
Boto no viva-voz e passo pro meu marido:
- Oi, mã.
- É a terceira vez que telefono e ninguém atendeu o telefone! (gritando)
... E começou tudo de novo.
(*) Onomástico:
É uma tradição católica. No dia do santo do nome da pessoa se comemora o onomástico. Ontem era dia de São Pedro e o nome do meu sogro é Pedro.
Até alguns anos atrás, se uma criança fosse registrada com um nome que não fosse de um dos santos existentes no calendário, na hora do batismo o padre obrigava aos pais a escolher um outro nome. Tenho uma amiga que foi obrigada a acrescentar "Maria" ao nome de sua filha porque o nome da menina não correspondia a nenhuma santa.
Então, aqui, podemos encontrar pessoas que dizem: "meu nome de batismo é .......... " (nome do santo), mas sou registrado como "............ " (nome na certidão).
O lema é:
Por que simplificar se você pode complicar?
ATENÇÃO, ATENÇÃO!
Começou a novela da viagem para o Brasil. O primeiro capítulo já está sendo escrito.
Não percam!
perder a normalidade da minha vida
gente má
explosão
os meus 3 objetivos
construir um futuro tranquilo
comprar uma casa no Brasil
não deixar de ter objetivos
as minhas 3 obsessões não consigo fazer nada se o chão não estiver limpo
odeio pedir emprestado
sou maníaca pela privacidade dentro da minha casa
3 fatos surpreendentes sobre mim
ganhei um dinheirão no cassino de Montecarlo na primeira e última vez que fui lá
já comi carne de macaco
fui testemunha de um crime de morte mas removi
Passo adiante para quem me lê e sentir vontade de responder (avise nos comentários!).
SIMPATIA PARA PARAR DE CHOVER
Esta simpatia deve ser feita na hora em que a chuva intermitente der uma folga.
É só pegar uma folha de papel em branco, amassar e fazer uma bolinha com ela.
Embrulhe com outra folha, dando uma torcida e amarre com um barbante formando uma boneca.
A bonequinha deve ser pendurada na janela ou na varanda da casa para espantar chuva.
Como podem ver, começo a apelar.
Chove. Chove. Chove. Chove.
Chove. Chove. Chove. Chove.............................................
- Hoje caiu um temporal de granizo (com pedrinhas do tamanho de uma uvinha) violentíssimo. Durou bastante, uns 30 minutos, com direito a vento forte e tudo.
Destruídas todas as plantas do meu jardim: os gerânios que meu marido acabou de comprar viraram pasta; os girassóis que se salvaram das lesmas-devoradoras-assassinas e estavam já batendo no meu joelho, estrebuchados. O pé de chuchu, um bagaço. A babosa nova, ainda pequena, virou papa.
Isso foi de tardinha e estávamos todos contentes porque o sol apareceu hoje num céu de poucas nuvens: vesti até saia hoje de manhã!
Já era. Todo mundo de novo com casaco e estou indo prá cama me enfiar no edredon.
Ufffa......
- Querem rir?
Fiquei toda feliz na hora do almoço porque descobri, esquecido no fundo do armário, um pote de vidro com farinha que eu trouxe da Bahia. Que alegria! Estou sem farinha
há mais de um mês e logo hoje que fiz frango assado, uma farofinha caia bem.
Tá legal, fui tirar o tabuleiro do forno e queimei a outra mão.
Sinceramente, tem alguma coisa errada comigo. E eu nem quero saber o que é.
Ou melhor, sei mas ainda não tenho coragem de dizer.
A revista GQ que está nas bancas, traz entrevista com um Lula muito otimista e vaidoso. Também tem Alexandre Pato e Ana Beatriz Barros (que diz estar gorda).
A situação da mão é menos grave do que parecia. Apesar de ter quase 'cozinhado' um dos dedos, não precisei ir ao pronto-socorro e resolvi o problema curando em casa mesmo depois dos conselhos do médico da farmácia. Envolvi a área afetada com gaze e ontem, precisando sair, usei uma luva de algodão para evitar o contato com a poeira nas partes onde a pele apresentava bolhas.
Ardeu pouco durante a noite e dormi mal. Tive até um pesadelo: sonhei com o velório do Valentino Rossi (campeão de moto), mas deve ter sido por causa da tv ligada.
Hoje vou almoçar fora e espero que não caia outro temporal. Essa chuva já deu no saco!
Hoje tive o meu primeiro acidente de trabalho. E para provar a teoria, nada foi casual: tudo acontece por falta de atenção.
Meu trabalho é perigoso e tenho sempre muita cautela ao manusear os instrumentos e tudo que tem ao redor pois trabalhar com eletricidade,
produtos químicos e ferramentas pesadas requer cinquenta-e-cinco olhos, como costumo dizer.
Agora pensem num jato de vapor a 150°C e numa mão 'esquecida' no seu raio de ação. O grito de Munch foi de felicidade, comparado ao meu.
Resultado: 3 dedos com queimaduras de primeiro e segundo grau e uma choradeira sem fim.
Estou catimilhiografando com um dedo só: é lógico que aconteceu com a mão direita.
A cada 3,6 segundos, uma pessoa morre de fome.
Por dia, são vinte e quatro mil.
Quase todas são crianças desnutridas.
E, todavia, o mundo produz mais alimentos de quanto seria necessário para sustentar todos os moradores do planeta.
Mesmo assim, há 820 milhões de famintos.
Num bairro aqui perto, um artista fez uma 'performance' entupindo uma casa de lixo bem na rua principal.
O objetivo é conscientizar as pessoas dos benefícios do 'lixo preferencial'.
Sei lá, prá mim o cara é só um napoletano com saudade.