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Domingo, Maio 30, 2004




A primavera no meu quintal.



Brasileiro noveleiro

Amanha começa a mini-série Garibaldi, com o bonitao Thiago Lacerda. De vez em quando, passam novelas do Brasil aqui e eu gosto de ver; assim da' a ilusao que estou la'... Alias, foi por causa da novela Dancing Day's que eu vim parar aqui! Uns 20 anos atras meu marido viu a Sonia Braga, se apaixonou e cismou que um dia se casaria com uma brasileira: imaginem a decepçao dele quando eu cheguei e invés da Gabriela tinha a viuva Porcina.

As novelas daqui duram por ANOS. Semana que vem, tem uma que vai comemorar o capitulo numero 1.500! As historias sao sem graça e previsiveis e, por serem tao longas, chatas. Alias, acho que so' assistem essas novelas gente que esta' no hospital imovel e ingessado que nao pode mudar de canal.

Pasmem: ontem saì.
Com a chegada das primeiras abelhas na cozinha daqui de casa, ELE me chamou pra' ir jantar fora. Escolhi uma roupa que nao estivesse coberta de teia de aranha, me arrumei nos trinques e fui parar na Festa dell'Unità. Vai começar tudo de novo: peixe frito com vinho branco, café com aniz e velharia dançando valser na balera.
Ao menos nao tinha mosquito.

Pra' entender o que sao as festas de cidade pequena:
Em um grande prado, arma-se um tendao de lona com mesas longas e bancoes de madeira. Ali é o restaurante, onde sao servidos pratos tipicos regionais e muito vinho pra' acompanhar.
Do outro lado do prado, um palco onde uma orquestra toca sem parar o liscio (dança daqui), valser, tango e outras coisas que o povo adora e dançam, dançam, dançam...
Homem com mulher, mulher com mulher, homem com homem, gente grande com criança e, se bobear, até o cachorro entra na pista - que aqui se chama balera.

Mais detalhes no blog da Leticia - la' onde ela mora é igual aqui.

Pasmem 2: saì hoje também.
ELE me levou pra' comer massas num restaurante novo que abriu aqui perto de casa.
Eu hein, to começando a ficar desconfiada. O pior é que so' rola papo de politica e ultimamente o que menos me interessa saber é saber onde o mundo vai parar.
Bebi meia garrafa de vinho e no final da noitada Bin Laden, Bush e Sharon tinham a mesma cara (de bunda).

Vou dormir que é melhor do que ficar aqui torrando.

Joga farofa no ventilador:

Sábado, Maio 29, 2004


Meia-noite de sexta-feira. Hora do lobisomem.

Ontem e hoje, correndo pra' la' e pra' ca' na loja - o povo veh o sol e fica maluco, nao tenho mais lugar pra' botar tanta roupa! Pra' quem nao sabe, temos uma lavanderia e aqui agora é primavera: hora de lavar os edredons e casacoes usados durante o longo inverno... Pra' completar o quadro, começam também as primeiras comunhoes e casamentos; o que quer dizer lavar e passar roupas de festa cheias de rendinhas e babados mil. Ta' uma invasao de cor-de-rosa! O pessoal que vai atras da moda acaba se vestindo tudo igual e o rosa é a cor 'de moda' dessa primavera.

O blog anda explodindo e fiquei super contente em ver tanta gente nova!
A novidade é que fiquei sabendo que existe uma 'industria do comentario' - coisa de doido! Eu nunca tinha percebido, nos outros blogs que andei visitando, que ALGUNS entram com mensagens-padrao pedindo pra' visitar-o-meu-bloguinhu. Até aquele bundao que me mandou lavar a louça faz um tipo de publicidade curiosa: te esculhamba pra' voce ir la' no dele e deixar outro comentario respondendo... Genial, nao é? So' que nao gosto de mal-educados e nem me dou ao trabalho de clicar no seu link. Prefiro ir lavar louça. Engraçado é que o Golb recebeu a mesma mensagem e me avisou, so' aih que me toquei.

Ah, eu também faço publicidade (deixa eu aproveitar antes que voltem a ser so' quatro comentarios...). Morando fora do Brasil, leio muito os blogs dos outros brasileiros no exterior, o Mundo Pequeno é uma grande fonte de amizades entre os que sentem falta do feijaozinho. Lendo aqui e ali, naturalmente acabamos fazendo post contando sobre as diferenças culturais, modo de ver as coisas com olhos de brasileiros e, pasmem, a surpresa pela falta de ralo! Aì eu e a Julie abrimos o sem ralo , que nao é um blog nosso e sim uma coleçao de posts de brasileiros pelo mundo falando de maneira engraçada dos nossos probleminhas fora de casa.
Por favorrrrrr, vai visitar o meu bloguinhu e dx uma msg. dizendo EU SOU A MAIOR!

Ah, eu também tenho um Fotolog, estou no Orkut e, se tiver um tempinho, passa aqui na minha lavanderia que eu lavo a tua roupa e te faço um descontinho, é so' trazer um pacote de farofa.

Deixem eu ir pois vou passar a noite em claro, tentando responder os comentarios e entrando nos blogs de quem nao me manda lavar vaso sanitario...

Perto da minha casa tem....



Eremo de Santa Caterina del Sasso - 1200 d.C

Monastério construido diretamente na montanha, às margens do Lago Maggiore.
Quer saber mais? Vai aqui.

Joga farofa no ventilador:

Quarta-feira, Maio 26, 2004


Vixe! O que é isto? Abrindo o blog pensei que fosse outro... tantos comentarios num post sem graxa!
Ta' bom, poder da publicidade. Colocaram o Farofa la' no BON do Blogger Brasil! Que chic!

Vou me apresentando: sou carioca, vivo na Italia desde 1991 (13 anos), um marido, uma filha de 20 anos e tem uns pedacinhos da minha vida escritos aqui.
Ja' que um educado rapaz disse la' nos comentarios que aqui tem muitos erros, vou logo avisando: meu teclado nao tem acentos (e eu nao sei formatar) e pelas palavras escritas erradas, deve ser porque eu falo italiano por 90% das 24 horas do dia nos ultimos 13 anos e ainda por cima nao terminei a faculdade! Porém espero que voces consigam decifrar por aproximaçao aquilo que escrevo...

Quem chegar, ta' bem vindo.

Joga farofa no ventilador:




A Juli hoje chegou da escola tristinha que ela so': receberam a notìcia de um rapaz que estuda la' que foi internado com depressao. Logo agora, que se aproxima o momento das provas finais. A forte pressao da escola e da famìlia fez que o rapaz desabasse e chegasse a tentar se matar com uma dose excessiva de calmante.

Entao, vou contar como é aqui. De vez em quando escutamos falar de adolescentes que se matam ou fogem de casa na época do 'boletim'. O excesso de rigor (e ca' pra' nos, muita falta de compreensao) em algumas familias, impede de captar em tempo o desconforto dos garotos que nao se sentem à altura das expectativas dos pais. Nao penso que exista uma regra pra' ser pai e mae - acho so' que o respeito pela pessoa seja a base de qualquer relacionamento, se conseguirmos seguir este principio ja' facilita um bom pedaço de caminho.

Outro dia, veio aqui na loja o Médico Farmacista (ou Farmaceutico, nao lembro mais em portugues) do paese. Ele estava com filho de uns 16 anos e conversa vai, conversa vem, veio fora o papo de profissoes. O cara logo falou: meu filho vai ser Farmacista como eu sou e como foi meu pai. O garoto olhava pro chao e eu imaginei que fosse porque estava conformado com o seu destino, ou nao tinha coragem de desobedecer o pai, ou tava bom assim mesmo, quem sabe?
O pai começou a desfiar o rosario dos sacrificios que seu pai fez pra' ele terminar a faculdade (aqui, pra' ser dono de farmacia ou trabalhar nela, tem que ser Médico) e ele, por sua vez, fez também tantos sacrificios pra' fazer progredir a farmacia e poder deixar tudo prontinho pro filho.

Olhando a 'cara' da moeda: é louvavel e natural que um pai se preocupe com o bem-estar e segurança do futuro dos filhos. Afinal, isso também é dar um sentido pra' vida - o prazer de chegar na velhice e ver os filhos bem colocados, sem grandes problemas da' a satisfaçao do dever cumprido.
Olhando a 'coroa' da moeda: sera' que ele pensou na possibilidade do filho nao querer ser Farmacista? Na frustraçao de viver o resto da vida prisioneiro da vontade de uma outra pessoa? Nao ter nenhuma influencia em uma coisa tao importante na vida da gente pode provocar um estado de 'eterna apatia', desinteresse pelos desafios e, consequencia banal, infelicidade.

Nao é à toa que, olhando pro Farmacista, ele tem a maior cara verde, de uma pessoa que ja' esta' com o pé na cova, uma versao funesta do Visconde de Sabugosa sem o chapéu. Ao contrario do seu pai, que no retrato pendurado na farmacia com as bochechas vermelhas e os olhos vivazes demonstram que ele foi o unico que fez o que queria na vida: o Farmacista.


O Brasil aqui:

Musicas brasileiras mais tocadas ultimamente nas radios italianas:
Kaleidoscopio - Voce me apareceu
Luka - To nem aih

Joga farofa no ventilador:

Domingo, Maio 23, 2004


Incrivel, mas verdade - aconteceu ontem

Um homem, dirigindo seu caminhao, bateu violentamente na traseira de um outro carro. Quando desceu pra' olhar, encontrou ensanguentado no volante um amigo seu. Ao ver a cena, se desesperou e saiu correndo jogando-se num rio tentando se matar. Algumas pessoas que passavam o salvaram mas ele correu pra' casa e se suicidou com um tiro de revolver, seguro que o amigo estava morto mas o homem estava so' desmaiado.

Um ladrao, tentando roubar a bolsa de uma velhota, caiu em cima dela e machucou uma perna. A velha começou a gritar e as pessoas que assistiam à cena tentaram pegar o ladrao que, levantando-se com dificuldade, correu pro meio da rua e foi atropelado quebrando a bacia. Quando a policia chegou ele começou a gritar fingindo que era louco.

Morreu ontem mais uma vitima da doença da vaca louca. o homem tinha sido curado durante todo o periodo da doença por sua cunhada que, ao saber da noticia, teve um infarte e morreu também.

O menino retardado Bush caiu da bicicleta. Seu pai tinha tirado as rodinhas mas nao o avisou.




Passei o dia todo na cama hoje com muita colica, dor de cabeça e tanto enjoo. Consegui comer alguma coisa la' pelas 4 da tarde quando chegaram aqui o filho do Leo, a nora, a sogra e as netinhas. Minha cara era igual ao de um rinoceronte drogado. Nao lembro de ter estado assim tao mal por causa de dores menstruais, ainda bem que é domingo e nao tenho que trabalhar na loja. Tem um monte de coisas pra' fazer em casa mas nao to nem um pouco a fim de me mexer.

Joga farofa no ventilador:

Sexta-feira, Maio 21, 2004




Juli aos 7 anos no carnaval daqui (teste)

Estou tentando desvendar os mistérios do scanner pra' poder abrir um Fotolog. Espero de conseguir antes do Natal!

Joga farofa no ventilador:


Meninas, a purrinha é aquele jogo de bar onde os homens tentam adivinhar quantos palitinhos tem escondidos nas maos dos outros. Quando nao tem nenhum, se diz LONA!
Daì a expressao TO NA MAIOR LONA (ou seja, com as maos vazias...).

Soh entrei aqui pra dizzzzzer issssto

zzzzzzzzzzzzzzzzzzz.......
rooooonffffffffffffff....................

Joga farofa no ventilador:

Quinta-feira, Maio 20, 2004


De vez em quando, eu me 'apaixono' por um fotografo e fico perturbando.
Esta foto foi feita aqui em Varese, no outono. O nome dele é Mauro Martignoni e é sua também a foto da Toscana do post anterior.



"Só existem dois dias no ano em que nada pode ser feito. Um se chama ONTEM e o outro AMANHÃ, portanto, HOJE é o dia certo para amar, acreditar, fazer e, principalmente, viver".
"Experiência não é o que aconteceu com você, mas o que você fez com o que lhe aconteceu".

Peguei la' do Waldir Leite.

Eu e a Juliana viciadas na purrinha. Tudo isso porque baixou o Caboclo Economizador aqui em casa: uma hora por dia pra' usar o computador, mozifio.


Andei pedindo nome de blog estranho mas a Miriam passou dos limites: NEGERIGELETSCHTEMPOIT. Se quiserem saber o que é, vao la'. Eu, adorei.

O calor finalmente chegou. Daqui a pouco começo a reclamar.

Vixe, que calor! (nao gosto de fazer ninguém esperar)

Sera' que é isso a velhice?
Ainda bem que continuo a supreender-me com as coisas da vida. Melhor ainda que cada vez mais, vejo as coisas analisando por tantos angulos (falta do que fazer? maturidade?). Estive observando uma vergonhosa luta sem exclusao de golpes (baixos, principalmente), entre parentes. Motivo: dinheiro.
As vezes, olhando um micro-universo se entende melhor porque ta' tudo indo por agua abaixo nesse mundo... Salve-se quem puder.

Joga farofa no ventilador:

Terça-feira, Maio 18, 2004



Toscana
Foto: Fotografando

Joga farofa no ventilador:

Sábado, Maio 15, 2004


O Brasil aqui:

LULA HOP. E' un destino che i nostri eroi, prima o poi, tradiscano la nostra fiducia. Larry Rohter, corrispondente del New York Times dal Brasile sarà anche un gran figlio di puttana, avrà anche scritto un articolo schifoso e vergognoso, sarà stato anche poco diplomatico ad accusare il presidente Lula di esser uno che beve troppo. Ma espellerlo dal Paese non è stata una mossa molto intelligente. Sono cose da dittatorucoli di Paesi delle banane. Ha detto Lula: "Quell'articolo è un'aggressione al Paese intero". Boooom! Il presidente dell'associazione degli avvocati del Brasile, Roberto Busato, ha definito l'espulsione "disastrosa per il Brasile tanto quanto l'articolo". Sabelli Fioretti

Traduçao:
Eh um destino que os nossos herois, mais cedo ou mais tarde, traem a nossa confiança. Larry Rohter, correspondente do NYT no Brasil pode ser um grande filho da puta, tera' escrito um artigo nojento e vergonhoso, tera' sido também pouco diplomatico em acusar o presidente Lula de ser um que bebe demais. Mas expulsa-lo do Paìs nao foi uma atitude muito inteligente. Sao coisas de ditadorzinhos de Paises das Bananas. Lula disse: "Aquele artigo é uma agressao ao Paìs inteiro". Booom! O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, definiu a expulsao "desastrosa para o Brasil tanto quanto o artigo".


Desde que o Lula foi eleito, a esquerda italiana o venera como um exemplo de luta proletaria que deu certo. Nao tinha semana que nao saìa qualquer notinha no jornal glorificando os seus propositos ou realizaçoes como Presidente. Ultimamente, as notas começaram a rarear e, aquelas que saiam, tinham sempre uma ponta de desilusao e amargura com o sabor de 'no final, nao era como pensavamos'.
Essa entao... parece mesmo que bebeu. Ele e o seu staff, que nao conseguiu prever uma figura assim, tao anos 70.

Joga farofa no ventilador:

Sexta-feira, Maio 14, 2004


Morando em cidade pequena...
a vida passa devagar e se pode observar mais de perto os tipos de pessoas que coloram o mundo.

Aqui, em cada 'paese' tem o que eles costumam chamar de "lo scemo do villaggio", que seria o bobo do vilarejo. O bobo é aquele que muitas vezes sofre de uma pequena enfermidade mental que nao o impede de conviver em sociedade (salvo quando da' a louca de repente e fica pelado no meio da praça) mas ao mesmo tempo nao tem uma integraçao total, por causa do seu jeito de ser tao fora dos esquemas.
No meu rione (que é uma fraçao do paese) existia o Carluccio. Quando eu cheguei ele ficou super-curioso pela minha pessoa, no inicio era ressabiado e até um pouco hostil: nunca tinha visto um ìndio na vida e essa coisa o assustava um pouco, mas isso nao impediu que continuasse a passar aqui na loja todos os dias antes de ir na padaria, pra' falar mal de Mussolini com o meu marido e com quem estivesse na loja naquele momento. Falar mal do Duce era a razao da sua vida e muitas vezes meu marido tinha que quase botar ele pra' correr de tanto que se alterava e ficava no limite de uma crise epiléptica (dizem que o seu estado mental era o resultado de experiencias com medicinas para curar a epilepsia). Confesso que eu tinha um pouco de medo e nao sabia como lidar com essa situaçao, estranhando ao ver meu marido tao tranquilo ao ponto de deixar ele subir em casa ou leva-lo pra' passear no cemitério, onde ele fazia os seus discursos nas tombas dos mortos da resistencia e voltavam sempre cantando Bella Ciao (cançao-simbolo da resistencia antifascista). Com o passar do tempo, desisti de tentar uma aproximaçao , cada vez que eu falava ou ria com ele a reaçao era educadamente desprezante ou explicitamente indiferente, e meu medo aumentava.

Num domingo de tarde, estavamos sentados no jardim e ele botou a cabeça entre as folhas da cerca. Eu estava praticando o meu italiano da maneira mais divertida que encontrei naquela época: fazendo palavras cruzadas. Ja' tinha virado um vicio o desafio de completar a pagina e, ao mesmo tempo, aprender como usar as letras duplas (graaaande dificuldade) e também melhorar a minha cultura util/futil que nao conseguiria sem uma ajuda tao valiosa. Meu marido chamou pra' entrar e ele, quando percebeu que eu estava fazendo palavras cruzadas, ficou numa euforia so' e num instantinho se aproximou pra' mostrar que era craque e muuuuito mais sabido do que eu. Ficamos por um tempao resolvendo tudo que tinha na revistinha, ele me chamava de burra quando eu nao sabia a resposta e eu respondia em portugues so' pra' deixar ele acanhado; daì foi um pulo pra' ele começar a pixar Mussolini comigo - era o sinal que tinha me aceitado.
Carluccio me ensinou muito com as palavras cruzadas e me fazia rir pra' caramba com as suas demencias infantis: praticamente nos comportavamos como crianças com dialogos sem sentido, so' pelo prazer de rir das babaquices. Ele ficava maluquinho quando eu contava as lorotas que inventava na hora, falando de coisas que aconteciam no Brasil: as formigas gigantes que comiam as pessoas que saiam de casa depois da meia-noite; um buraco na praia de Copacabana que se abria quando tinham mais de tres italianos na areia; as melancias do tamanho de uma cereja; um peixe que dava choque até depois de cozido; o sal que era doce e os homens que ficam gravidos junto com as mulheres. Mas o maximo era a minha imitaçao de Mussolini falando em portugues, que eu fazia quando ele passava na rua e por acaso eu estava na varanda: fazendo a saudaçao romana e imitando o jeito de falar do homem eu gritava "ITALIANOS!!!! Voces vao todos pro inferno! Eu vou jogar uma jaca na cabeça de cada um e voces vao ficar todos melados!" ou qualquer outra idiotice pra' ele rolar de rir até começar a puxar os poucos cabelos que sobraram na cabeça (tem um famoso filme da época que mostra o Duce numa varanda fazendo um discurso para o povo na praça).
Um dia subi nas tamancas e provoquei uma confusao no bar defronte a minha casa. Um cliente veio me dizer que estavam dando grappa (aguardente de uva, similar à nossa cachaça) ao Carluccio para ele se embebedar e ficar alterado, pra' divertir o pessoal. Como eu nao consigo fazer i cazzi miei quando vejo essas coisas desumanas, fechei minha barraca e atravessei a rua ja' com o gosto de sangue na boca e chegando la' o pobre-coitado estava começando a dar os numeros com o efeito da bebida. Virei uma hiena e nao sei de onde tirei tanta imprecaçao contra os imbecis que se divertiam às suas custas. Logicamente, começaram a rir de mim, mandando eu ir lavar roupa (me conhecem) e deixar pra' la' que o Carluccio nao morreria por causa disso. EureKa!!! Eles mesmos me deram a idéia luminosa pra' acabar com o espetaculo! Disse que iria pra' casa chamar a policia porque o que eles tinham feito era um crime, eles sabiam que o homem tomava remédio pra' epilepsia e que a bebida poderia fazer mal, o dono do bar que se cuidasse se eu soubesse que deu bebida. Saì de la' e nao fiz nada disso, por medo de vingança (sei la' o que poderiam fazer) mas fiquei olhando por detras da persiana e vi que saiam do bar olhando pros lados e com muita pressa. Um dia ainda vou me dar mal por ser assim xereta e violenta. Depois de tantos anos, ainda hoje neguinho ri dessa minha performance, acabei fazendo parte do folclore também - a maluca do vilarejo.

De repente o Carluccio sumiu. Procurando noticias, soube que tinham internado ele numa clinica em Pavia porque estava muito mal. Morreu e eu vim saber so' depois de alguns meses. Vou procurar saber se esta' enterrado aqui no bairro, assim posso botar uma florzinha na casa do meu amigo e se nao tiver ninguém por perto, faço o discurso da varanda pra' ele.


Joga farofa no ventilador:


Pobre bloguinho tao abandonaaaado...

Dias efervencentes (!!!!)
A Juli esta' se preparando para a maturidade (mais ou menos o vestibular daqui) e nao larga o computador com as dificuldades em alemao. Tenho trabalhado como uma lavadeira - o corpo cansa mas o cérebro nao quer saber de nada... ando com uma grande preguiça mental! Quando podia, me sentava diante do computador e... branco total. Aproveitei pra' explorar um pouco o Orkut mas ainda toh é crua. Abri uns balacobacos la' e fiquei impressionada com a invasao de brasileiros. Daqui da Italia, pouquissimas comunidades, mas nao é de se admirar - ultimamente é que tenho escutado alguns comentarios nos jornais sobre a grande novidade da webque vai virar mania entre os italianos: o BLOG!!!

Mas consegui fazer uma coisa: fui me inscrever no curso pra' trabalhar como asistente hospitalar nos asilos de velhinhos. Ja' tava na hora de parar de comer mosca e fazer alguma coisa por mim. Eu me deixei muito sugar pelo trabalho na lavanderia e esqueci de pensar que eu também posso ficar velha e, se acontecer, nao tenho nada nas maos que possa garantir uma tranquilidade, ja' que todo o barraco nao é de minha propriedade.
O curso dura um ano, todos os dias. Ainda nem falei nada pro Joselito Manolo e, pela primeira vez, vou cantar a missa na véspera pra' evitar falaçao e ataques de trixa de agora até setembro (que é quando começa o curso). Essa decisao foi porque andei olhando por aih as possibilidades de arrumar emprego e nao gostei muito. Trabalho tem; so' que é sub-emprego inseguro que nao posso mais me dar ao luxo por motivo de idade. Os empregos mais seguros e apetitosos pedem uma especializaçao e esse curso foi uma soluçao (impossivel voltar pra' faculdade a essa altura do campeonato). Os salarios sao bons, a oferta é grande e o diploma me habilita a trabalhar em qualquer paìs da Uniao Européia e (o que me interessa), também na Suiça que paga o dobro e é pertinho de casa.
A coisa melhor que aconteceu é que eu estava preocupada em como pagar o curso (uns 1.800 euro - onde é que eu vou arranjar?) e quando fui fazer a inscriçao falei na maior cara-de-pau com a diretora: olha, nao é que da' preu pagar parcelado? eu nao tenho salario e nao tenho como conseguir essa soma de uma hora pra outra... A diretora: ah, entao voce vai la' no Comune (Prefeitura) e pede o formulario pra' ISENCAO TOTAL do pagamento. Voce faz um AUTO-CERTFICADO declarando que nao trabalha e a REGIAO LOMBARDIA paga uma metade e a UNIAO EUROPEIA paga outra. Volta aqui e me da' a papelada e pronto, ta' inscrita. E eu: mas nao é que é dificil de conseguir? Tenho que esperar a resposta? A mulher: que nada! Ninguém pede a isençao, o dinheiro fica la' parado sem ninguém usar: a ultima pessoa que pediu foi ha' dois anos atras e era também uma estrangeira. Voces tem mais é que usar as possibilidades que o Estado da' pra' progredir na vida, nao esqueça que voce vai trabalhar, pagar as taxas e produzir pro paìs.
Depois dessa, consegui até ficar 24 horas sem falar mal do governo.

Eu tenho mais é que esquecer esse papo de voltar pro Brasil e continuar a minha vida aqui mesmo. Tudo acontece somente porque nao estou bem dentro dessa situaçao pessoal - tenho que começar a me destacar devagarzinho e recomeçar concentrada em mim. Nao é dificil depois que se da' o primeiro passo.

Pegamos um outro cachorro no meio da rua, era um beagle. Depois de uma noite sem dormir com o pobrezinho chorando e insistindo em subir na cama, chamei a carrocinha. Fiquei arrasada com o olhao triste dele indo embora dentro da gaiola.

A ARTE VISTA COMO INSULTO
(ou ninguém ta' preparado pra' isto)?

Entre tantas polemicas que pipocam todos os dias, vamos deixar pra' la' as desgraças do mundo e contar uma coisa estranha que aconteceu semana passada.

O artista plastico Maurizio Cattelan surpreendeu os habitantes de Milao quando, de um dia para o outro, resolveu expor sua obra no meio da rua. Ele pendurou na quércia mais antiga da cidade 3 bonecos de meninos com a corda no pescoço, enforcados. Imagina o susto do povo quando passava e via aquela cena. Virou logo um burburinho e, no fim do dia, um milanes indignado burlou a segurança e subiu na arvore arrancando à força os bonecos do galho mas, ao tentar arrancar o terceiro caiu da escada tendo que ser hospitalizado.
A opiniao da cidade ficou dividida entre os que pensavam que aquilo fosse um insulto à cidade e, pior ainda, pudesse despertar nas crianças um espirito de imitaçao e que daqui a pouco poderia acontecer uma epidemia de crianças suicidas por enforcamento. Outros, pensavam que mesmo sendo uma imagem chocante, uma manifestaçao de teor artistico nao poderia jamais ser censurada ou inibida.

O resultado:
. a Prefeitura nao deu mais a permissao para a exposiçao do artista alegando 'turbamento da serenidade publica';
. a Fundaçao Nicola Trussardi, patrocinadora do evento, declarou que o significado da obra era 'uma tentativa de alertar as pessoas para a morte da inocencia das crianças, por culpa da sociedade'.
. alguns representantes da Lega Nord (direita), por protesta penduraram 3 bonecas inflaveis (daquelas do sex-shop com a boquinha aberta) na frente do prédio da Prefeitura dizendo que aquilo era arte como a obra de Cattelan.
. a Policia Municipal denunciou o homem que arrancou os bonecos da arvore, crime: danejamento grave.

Eu nem me assustei. So' lembrei da malhaçao de Judas nas ruas de Madureira.


Joga farofa no ventilador:

Terça-feira, Maio 04, 2004


Recebi hoje por e-mail da minha prima Veronica.
Era o que estava precisando neste momento e agora passo pra' voces.
No e-mail dizia que esta é a traduçao verdadeira do Pai-Nosso.


Pai-Mãe, respiração da Vida,
Fonte do som, Ação sem palavras, Criador do Cosmos!
Faça sua Luz brilhar dentro de nós, entre nós e fora de nós
para que possamos torná-la útil.
Ajude-nos a seguir nosso caminho
Respirando apenas o sentimento que emana do Senhor.
Nosso EU, no mesmo passo, possa estar com o Seu,
para que caminhemos como Reis e Rainhas
com todas as outras criaturas.
Que o Seu e o nosso desejo, sejam um só,
em toda a Luz, assim como em todas as formas,
em toda existência individual, assim como em todas as comunidades.
Faça-nos sentir a alma da Terra dentro de nós,
pois, assim, sentiremos a Sabedoria que existe em tudo.
Não permita que a superficialidade e a aparência das coisas do mundo nos
iluda, E nos liberte de tudo aquilo que
impede nosso crescimento.
Não nos deixe ser tomados pelo esquecimento
de que o Senhor é o Poder e a Glória do mundo,
a Canção que se renova de tempos em tempos
e que a tudo embeleza.
Possa o Seu amor ser o solo onde crescem nossas ações.
Que assim seja !!!


Gente, eu volto logo com novidades - estou so' passando por um periodo de silencio, de reflexao. E mesmo que esteja chovendo, nao tem importancia: é ja' Primavera!


Joga farofa no ventilador:



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