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Sexta-feira, Outubro 29, 2004


Voltei.
Não era minha intenção 'desaparecer' deixando esta mancha de mistério. Sim, aconteceu algo que me perturbou muito e cheguei até a pensar em assassinar o blog, mas uma coisa que procuro aplicar na vida é não tomar decisões em momentos difíceis ou de grande prostração. Depois, por coincidência, esta foi uma semana também muito atrapalhada em termos de trabalho, que me deixou pouquíssimo tempo prá passar por aqui.
Agradeço a todos que se preocuparam pelo meu estado, quem deixou recado, quem e-mail, quem telefonou... é um grande apoio somente o fato de não me sentir sòzinha, já que sempre me queixei da solidão.
Família, domingo faleremos por telefone.


Notícia boa é que a Juliana recomeçou a trabalhar. Depois de uma farta distribição de currículos, muitas promessas e algumas cantadas, ela decidiu aceitar uma proposta de um consultório dentário para fazer um aprendizado como Assistente. Fiquei um pouco ressabiada e pouco credente, já que ela insistia em achar alguma coisa que fosse relacionado aos seus estudos que foram de Perito de Empresas com endereço turístico, nada a ver com cáries e dentaduras... além de conhecer o estomago fraco da minha filha que tem nojo até de limpar o ralinho da pia com restos de comida, não conseguia imaginá-la às voltas com escarros e gengivas sangrantes.
Qual não foi a minha surpresa ao ver o seu entusiasmo com o treco depois de apenas três dias de trabalho! Ontem ela assinou um contrato de dois anos, sendo que por um ano trabalhará como aprendiz-escrava com um salário meio merdoso, mas com a perspectiva de ganhar quase o triplo ao início do segundo ano. Mas a minha satisfação é somente vê-la interessada e disposta a traçar um caminho novo.
Boa Sorte, amor de mamãe!


Aqui não é feriado no dia 2 de novembro e sim no dia 1° , dia de Todos os Santos.


Chove.




Seção repetição de figurinhas. Obrigado Vevê!




Terça-feira, Outubro 26, 2004


Tié!


Segunda-feira, Outubro 25, 2004


Estou fechando as portas.
Jogando a toalha.
Partindo prá luta.
Queimando as bandeiras.
Abaixando o pano.
Sacudindo a poeira.
Cantando prá subir...



Quinta-feira, Outubro 21, 2004


Lanterna dos afogados
(Herbert Viana)

Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar

Há uma luz no túnel
Dos desesperados
Há um cais de porto
Prá quem precisa chegar

Eu tô na lanterna
Dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar

Uma noite longa
Prá uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar

E são tantas marcas
Que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar

Eu tô na lanterna
Dos afogados
Eu tô te esperando
Vê se não vai demorar

Uma noite longa
Prá uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar

Eu tô na lanterna
Dos afogados
Eu tô te esperando...






Terça-feira, Outubro 19, 2004


MEIA SOLIDÃO


No Japão, já se pode comprar o "homem-travesseiro". Um fofo travesseiro em forma de busto e braço de homem, que faz crer às mulheres sòzinhas que estão dormindo em companhia... Tem também uma versão com acessórios: te acorda com uma carícia e as batidas do coração.
Só isso? Só compro quando fizerem um inteiro.




"Boyfriend's arm pilow"




CAGÃO COMPULSIVO


"Não podemos esquecer que os seres humanos iniciam a viver como fezes. As fezes são seres viventes aos olhos de Deus, o que confere às fezes os direitos que esperam a qualquer outra criatura".
Newsweek conta que, num discurso, o presidente Bush usou pelo menos 10 vezes a palavra fezes (feces) ao posto de feto (fetus).




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VAI COMEÇAR O NHÉN, NHÉN, NHÉN


Tô com frio.




REALITY POW!


Cês sabem que eu vejo os reality daqui. Agora tem o Big Brother (que não está muito interessante) e a segunda edição da Ilha dos Famosos, que não perco nem um dia. Este ano, tem até uma brasileira que se chama Ana Laura Ribas e mais uns personagens que estavam no limbo da televisão e agora tentam ser relançados. Pois bem, anteontem saiu uma discussão, começada pela brasileira (que por sinal, arruma briga com todo mundo mas é simpática) e depois terminada a puxões de cabelos por uma italiana e uma espanhola. É a primeira vez que acontece, imaginem que audiência...

Olha um flash da Ana Laura na ilha:






Segunda-feira, Outubro 18, 2004


MACACOS ME MERDAM!!!


Foi descorberto um novo tipo de chimpanzé no Congo. Segundo os cientistas, ele já está em larga vantagem sobre Bush na corrida para à presidencia EUA.
(Mago Forest - Le Iene)




A MALDIÇÃO DA MÚMIA


Tá desaparecido desde sexta-feira, numa montanha cheia de neve, o explorador que descobriu a múmia do Homem de Simulaun. Foi a descoberta mais sensacional dos últimos anos, já que o cadáver de mais de 5.000 anos estava quase intacto, com roupas, sapatos e armas de caça. Acharam até nos instestinos do homem restos do que foi a sua última refeição. Depois da descoberta, Áustria e Itália se embolaram numa causa jurídica pela propriedade da múmia, que foi encontrada exatamente nos confins dos dois países.
Quem sabe se o explorador será encontrado somente daqui a 5.000 anos?







A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM


A Letícia voltou! Injuriada porque não conseguiu ver/fazer tudo que queria nas três semaninhas que passou no Brasil... Tóim! Eu passei um mês e não vi nem a metade dos parentes... O problema de quando se fica muito tempo sem ir no Brasil, quando chega lá fica mesmo parecendo barata em fim de vida e até reanimar de novo, já tá na fila do check-in prá voltar...
Eu fiquei 11 anos sem voltar!!! Quando cheguei lá:

- não conseguia parar de falar, torrando o saco de todo mundo;
- com exceção das crianças que tinham crescido, achei todo mundo igual como deixei;
- tive a impressão que só eu envelheci;
- fiquei com medo de estar rindo muito;
- achei estranhíssimo o sotaque carioca;
- achei estranhíssimo as pessoas que me abraçavam, beijavam e apertavam (aqui, se evita o contacto físico);
- morri de rir com as dublagens na televisão;
- queria matar todos os motoristas de ônibus que corriam como loucos;
- fui pegar um trem com a minha filha e saí correndo da estação pois todo mundo dizia: "Ô minha sogra!";
- peguei uma van prá substituir o trem e o motorista me chamou de "minha sogra" quando eu reclamei que ele avançou o sinal vermelho;
- os amigos da Juliana me chamavam de "minha tia";
- a bananada não tinha o mesmo gosto;
- o pastel também;
- tomei tanto caldo de cana que fiquei enjoada;
- toda vez que tomava caldo de cana limpava a beira do copo;
- achei os bares imundos;
- chamei meu ex-marido por um mês com o nome do meu atual (e ele ria);
- quando telefonava pro meu marido, chamava ele com o nome do ex (e ele ficava puto);
- saí com um ex-namorado e não errava seu nome;
- achava que todo mundo falava muito devagar;
- achava que todo mundo fazia tudo muito devagar;
- fiquei impressionada com a quantidade de cachorros na rua e queria levar todos prá casa;
- fiquei impressionada com o sequestro da filha do Silvio Santos e mais ainda com o rocambolesco final;
- mesmo assim, não tive saudades da Itália.





CARA DE PALHAÇO, BOCA DE PALHAÇO, PINTA DE PALHAÇO...


Falando ainda na semana passada... Antes que comecem a pensar que o povo daqui é doido, devo dizer pro bem da verdade, que por sorte eu não tenho um relacionamento infeliz com os meus clientes. A maior parte que vem aqui são pessoas gentis, alguns poucos até batem um papinho, tipo previsão do tempo, cachorros (quem me conhece, sabe que sou doente por bicho) ou conselhos prá lavar a roupa em casa. O problema é aquela minoria histérica e mal-amada que leva a vida aporrinhando o saco alheio. Gente amarga que não consegue ir prá cama de noite sem antes ter estragado o dia de alguém. Humanidade completamente inútil e mesquinha que depois de sair da lavanderia, entra no açougue para falar que a carne é podre ou na mercearia reclamar que o leite azedou... como uma mancha de óleo vazado dum petroleiro vai merdando tudo por onde passa.


Aí aconteceu o "caso da bermuda"...

Um antigo cliente trouxe uma simplicissima bermuda de algodão prá lavar. A bendita, além do elástico na cintura, tinha também um cordãozinho com um breguete de plástico no meio prá apertar e alargar, conforme a barriga do freguês. Iguais a esta, já lavamos centenas neste verão, mas como de costume, olhamos a etiqueta e os possíveis riscos, não encontrando nada.
Doce ilusão... quando tiramos as roupas da máquina o breguetinho de plástico tinha derretido todo!!! Tinha pedaço de plástico derretido não somente na bermuda, mas na maioria das outras roupas! Relavamos tudo mas saiu igual. Nesses casos, usamos produtos especiais para tentar salvar o salvável e, o que não conseguirmos, acionamos a seguradora para pagar os danos. Simples não?

Não. A seguradora paga somente pelos danos causados por nossa culpa. Neste caso, a "culpa" era da bermuda com a etiqueta errada (por coincidência, dentro da máquina, tinha uma calça comprida com o breguetinho de plástico igual, que não derreteu!) e o procedimento é uma pelação de saco:

- levar todas as peças estragadas, inclusive a bermuda criminosa, para fazer uma análise e estabelecer 'formalmente' que o breguetinho não era idôneo para a lavagem a seco e, consequentemente, a etiqueta está errada;
- pagar pela análise a beleza de 230 euros;
- levar tudo na cia. seguros, juntamente com a nota fiscal da compra da bermuda ou uma declaração da loja dizendo que foi comprada lá (hummm... e se for velha?);
- a cia. de seguros escreve para o negociante contando o que aconteceu e pedindo prá pagar os danos (bermuda, roupa estragada e análise);
- o negociante aciona o seu advogado, dizendo que não tem culpa e não vai pagar nada: a culpa é do fabricante;
- a cia. de seguros manda tudo de novo para o fabricante;
- o fabricante diz que não tem culpa e não vai pagar nada: a culpa é de quem lhe vendeu o acessório;
- a cia. de seguros vai procurar o fabricante;
- o fabricante mora em Shangai;
- nisso, já passou uns três meses (se tudo vai bem...) e os clientes já estão batendo o pirú na mesa aqui na lavanderia, pedindo a restituição dos danos;
- nós pagamos o prejuízo e ainda perdemos aqueles clientes que, insatisfeitos, saem espalhando pelo bairro que lavamos mal.

As poucas vezes que acontece uma "desgraça" destas, nós, que pagamos uma fortuna de seguro, até tentamos ver se conseguimos recuperar alguma coisa em termos de grana. Desta vez, foi impossível qualquer tentativa de defesa: apesar de todas as explicações, o cliente se recusou em deixar aqui a bermuda, dizendo que certamente nós pediríamos os danos a ele e dizendo que, "com certeza erramos usando "muito líquido" na lavagem..."


Olha eu aqui em retrato 3D:







Domingo, Outubro 17, 2004


VALEEEEEE!!!!! EMOCIONANTE....





Valentino Rossi - Campeão Mundial Moto-GP 2004



Nada de camelos! Hoje estou apaixonada pelos porquinhos...





Achei AQUI.



Uffa! Conseguir sobreviver a esta semana modelito Franz Kafka, foi mesmo uma prova e tanto. Agora, tô aqui me acabando num pacote de biscoitos de chocolate e bebendo coca-cola no gargalo (ninguém tá me vendo, né?). Amanhã é dia de arrependimento e queima de calorias.
Como estou a fim de falar com alguém(ns), vou tentar resumir o que aconteceu que desencadeou toda a minha fúria assassina. Quem não quizer papo, vá procurar sua turma.



A semana já começou estranha, mas ao menos foi engraçado: um cliente entrou aqui pulando e desesperado pois tinha derramado gasolina nas calças enquanto enchia o tanque. Quando ele chegou, levei até um susto ao ver aquele homem todo molhado e pensei que fosse xixi até o momento que senti o cheiro forte da gasolina... que estava queimando as suas pobres partes íntimas, digo, saco, e imagino que dor... Ele pediu uma calça comprida emprestada para poder ir embora mas pro seu azar, as suas medidas eram o dobro das do meu marido e eu já estava pensando em dar alguma calça de moleton mesmo apertada quando o infeliz soltou uma espécie de urlo sem som e arriou as calças ali mesmo no meio da loja, ficando só de cuecas samba-cançao a quadradinhos parecendo um tarado pego em flagrante. Daí que começa a dar uns pulinhos e a soprar dentro das cuecas e eu digo 'vai no banheiro se lavar' e ele: 'mas depois boto as cuecas com gasolina', e eu: ' me dá as cuecas que eu lavo e bota na secadora e o senhor fica ali esperando. A toalha está dentro do armário'.
Como não podia deixar de ser, meu marido que estava dormindo, acordou e foi pro banheiro encontrando a porta fechada. Caí na tentação de dizer que finalmente achei um amante mas o bom-senso não deixou e contei a história prá ele - que não conseguia lembrar quem era o cliente, já imaginando que eu vi uma bunda durinha e musculosa, invés das pelancas de um com mais de 60 anos (foi ou não foi a semana azarada?). Cuecas enxutas, o cara recusou a calça comprida que ofereci e se mandou assim mesmo prá casa, saindo da loja com os cambitos de fora até o carro que, sorte dele, estava estacionado na minha calçada.



Já falei aqui que sou uma nazista no trabalho. Acho que é por isto que não quero ter ninguém aqui me ajudando pois odeio coisa mal-feita e displicência. Meu marido me chama de "Frau Daíza" e o pau come mesmo se vejo alguma coisa errada. Em casa sou relax... chinelo largado, bagunça que pode ser arrumada amanhã, armário com roupa embolada, não tô nem aí: basta estresse de dona-de-casa, é só não estar sujo que eu deixo rolar. Mas trabalho na lavanderia deve ser feito com a máxima atenção e precisamos ter mil olhos para não cair nas armadilhas escondidas em cada peça de roupa. Tem gente que pensa que é moleza lavar roupa, que é só enfiar na máquina e depois ter saco prá passar... ha, ha, ha, vem passar uma semana aqui! Cada dia que passa, fica mais difícil lidar com os vários tipos de tecidos (existem mais de 60 qualidades de tecidos diferentes), as combinações loucas dos estilistas (couro com seda; plástico com lã; jeans com rendinhas finíssimas; só prá dar um exemplo..), os materiais de péssima qualidade usados como acessórios em roupas caríssimas... além da quantidade enorme de roupas de proveniência duvidosa, tipo made in Korea, Bangladesh, Romenia e outros países de mão-de-obra a preço de banana-de-fim-de feira, onde as roupas são feitas com as coxas e chegam aqui para serem vendidas com, no mínimo, uns 600% a mais do que realmente valem.
Temos que ter cuidado em olhar na hora que o cliente traz a roupa, pois está cheio de espertinho (a) que estraga a roupa em casa e corre prá lavanderia com a intenção de botar a culpa na gente e faz-se pagar... tem que olhar se os zipers funcionam (custa no mínimo uns 8 euros colocar um zíper em uma calça comprida e em um casaco daqueles de pluma, 30 euros!), se os botões não são daqueles 'de cuspe' que se quebram na primeira centrifugada, se as costuras não estão já rasgadas ou são frágeis, se não esqueceram canetas ou objetos cortantes dentro dos bolsos (uma vez tinha uma caneta 'costurada' dentro de um paletó!!!) e, principalmente, se a roupa tem etiqueta com a composição dos tecidos e as instruções de lavagem! Não é suficiente que eu "pense" que aquela camisa é de algodão, por exemplo, tenho que ter a certeza, pois basta um pequeno percentual de algum outro tipo de tecido que se não percebo ou adivinho, corro o risco de errar o modo de lavar e ter problemas. Lógico que depois de tantos anos lidando com isto, adquiri uma boa experiência e felizmente posso me felicitar em ter tido pouquíssimos problemas, graças também à minha seriedade em encarar este cocô de trabalho.
Mas isso tudo è uma passeada na ilha de Paquetá se temos que pensar no quesito "lidar com os clientes"... eu tenho um caráter muito paciente e afável mas começo a perceber que devagarzinho estou me transformando em uma hiena. E não estou gostando nada disso.
Terminada a fase inicial do começar-a-chorar-quando-alguém-me-tratava-mal-na-loja, inconscientemente desenvolvi uma estranha capacidade de entrar-por-um-ouvido-e-sair-pelo-outro, que obviamente foi um comportamento errado: eliminava a minha capacidade de reação, com a consequencia lógica que o meu interlocutar achava que sempre tinha razão.
Como dar razão a uma pessoa que já entra gritando contigo e reclamando que a mancha de massa de tomate na toalha de mesa da sua bisavó (era mezozóica) ainda está ali? Só pode ser porque você não lavou direito (ou não lavou de jeito nenhum...). Ou quando muito agressivamente não quer entender que prá mancha de água sanitária o único remédio é a tesoura ou a lata de lixo? Mas não... é só lavar de novo que sai tudinho... é você que não sabe fazer... Isso sem falar naquela velhinha que queria que eu lavasse o vestido no leite-da-cabra-grávida-que-trepou-com-o-cu-virado-prá-lua-em-noite-de-lua-cheia ou coisa que o valha.
A esse ponto eu tive que começar a aprender a responder no mesmo tom. Até chegar ao ponto de apontar a porta da rua prum sujeito que jogou o dinheiro na minha cara! O tapete dele tinha mudado de cor!!! É claro energúmeno, a última vez que você lavou eu ainda não tinha nascido! Era sujo, caralho! Apontar é uma delicadeza: eu botei mesmo ele prá fora de mau-jeito. Com direito a palavrão em português devidamente traduzido com as legendas...
O interessante é que eu aviso às pessoas da possibilidade que as manchas possam ainda estar ali mesmo depois de tratadas e lavadas. Eu nem pego uma roupa se tenho certeza que o cliente não vai ficar satisfeito e aviso de todas as coisas que podem ou não acontecer se vejo algo suspeito. Mas o povo insiste. E depois reclama.
Não adianta nada: eles usam as roupas até o limite do (im)possivel e depois vêm aqui exigindo o milagre. Rolam na grama com roupa de seda, derramam vinho no terno de Armani (mas aparecem aqui só depois de dois meses) e café no casaco de pele branco, por aí vai... Não tem nada não, levo na lavanderia que limpa.
Vou até colocar um cartaz aqui:

MILAGRES?
Vá à LAVANDERIA LOURDES
Rua do Branco Total 1000
Cidade do Vaticano





Foi aí que apareceu a noivinha recém-casada já em crise de abstinência, acompanhada pela mãe em menopausa avançada que nem se lembrava mais porque veio ao mundo.


O RECEBIMENTO DO VESTIDO DE NOIVA 15 DIAS ATRÁS


- Trouxe meu vestido de noiva prá lavar. Vai ficar limpo?

- Só vou saber te dar uma previsão depois que voce abrir o pacote (hiena no auge da TPM)).

- Olha, está um POUQUINHO sujo aqui na barra (não sei porque a sujeira é sempre POUQUINHA e depois que eu faço um 'culo' prá lavar, se fica uma manchinha o vestido está IMUNDO, mistério).

- Aqui está cheio de manchas de grama, que não é certo que saiam todas. Aqui tem mancha de espumante; aqui tem mancha de lama; aqui tem um rasgãozinho do salto do sapato; isso aqui é mancha de recheio de bolo; debaixo das axilas ficou meio amarelado do desodorante misturado com o suor; o pescoço está cheio de maquiagem e... OPA! que quéisso aqui? O vestido é todo cheio de aplique de gaze!!!

- Gaze? Não é possível. Eu paguei um dinheirão neste vestido de SEDA PURA e é impossível que eles tenham colocado apliques de gaze!

A mãe, que já me olhava torto, deu a primeira grasnada:

- Isso é renda antiga, minha filha não compraria nunca um vestido DEEE GAAAAZE (desprezo).

Eu:

- Senhora, isso aqui é gaze "bella e buona", daquelas que usam no hospital e quando eu lavar, vai desmanchar toda, igual a papel higienico. E tem mais, olha aqui a etiqueta: tá escrito 100% Polyester, não é nem de seda. Se quando voces compraram o vestido, eles disseram que era de seda, aconselho de voltar na loja e reclamar. Isso se chama trufa. Voces tem que se acostumar a olhar a etiqueta daquilo que compram!

- Mas eu não posso voltar lá com o vestido já usado! Eles não vão me devolver o dinheiro.

- Não digo devolver, mas ao menos dar uma explicação. Se voces pagaram um vestido de seda, podem até pedir a diferença. E depois com essa GAZE... (a hiena que sublinha)

- Então a senhora lava e depois vamos lá resolver a questão.

- Já falei que com a GAZE eu não lavo. A solução seria descosturar a gaze, lavar o vestido e depois repor. A senhora conhece alguém que costure? Se não, eu tenho a costureira que pode fazer.

- Bom, se não tem jeito, façamos assim. Quanto é?

- A lavagem, custa ...... euros, depois tem a despesa da costureira que eu não sei quanto é.

- Tá bom. Deixo meu telefone e me avise quando estiver pronto.

Fiz o papelzinho de recebimento e escrevi:

1 Lavagem de vestido de noiva ....... euros + trabalho de costura.

Entreguei e até logo.



GRANDE DIA DA ENTREGA DO VESTIDO DE NOIVA (nesta semana de cão)


- Eis aqui o seu vestido. Agora se voces quiserem reclamar, já está limpo. Ficaram apenas algumas pequenas sombras da manchas de capim, eu não posso forçar muito quando esfrego senão a fazenda fica toda 'esticada' e é bem capaz de estragar e ficar a mancha. Fiz o melhor possível, não tem nem sinal das outras manchas.

- E a gaze?

- A gaze eu não lavei, mas foi reaplicada exatamente como era antes.

Mãe e filha observam o vestido escrupulosamente, com toda aquela pinta que estão procurando o pêlo no ovo prá reclamar. Eu, olhando de rabo de olho me preparando para o bote das duas crotalus. Que nã tarda:

- Ah, mas aqui a gaze ficou um pouco esgarçada... (é essa mesmo a palavra justa?)

- Senhora, a gaze é delicada até prá manusear. Não é nem fácil de costurar, com todos esses espaços vazios. Não dá nem prá notar, senão com o olhar microscópico como voces estão fazendo agora.

- Deixamos passar... só não queria que a loja não me desse o dinheiro porque o vestido está rasgado... já esta mancha aqui... não tenho muita esperança...

- Mas voces estão pensando em pedir TODO o dinheiro do vestido? É impossível que eles devolvam!

- Mas se foi você mesmo que disse prá lavar e depois ir lá que eles me dariam de volta o dinheiro?

Um alarme insistente apitou na minha cabeça: aqui vai dar merda... meus músculos da barriga começaram a pular involuntariamente e já comecei a pensar em como controlar-me prá não pular do balcão já com o punho fechado na cara das duas... começei a escutar o 'ponto' da Cabocla-Porta-de-botequim-em-Madureira das minhas entranhas. Mau sinal.


- Senhora (espuma no canto da boca), EU NÃO FALEI ISTO! Eu disse blá, blá, blá...
(segue discussão surreal sobre a quantidade dos anéis de Saturno).


Depois que a mãe me disse que eu era DESONESTA, que eu tinha INSISTIDO prá lavar e consertar o vestido, dando ESPERANÇA que viria limpo e que OBRIGUEI ela a costurar o vestido com a minha costureira, a filha, aproveitando o espaço deixado pela mãe que pegava folego, atacou dizendo que agora EU é que devia ir na loja conseguir o dinheiro delas de volta.

Não vou ficar aqui repetindo todo o quebra-pau que teve. Só quero dizer que no meio da discussão, percebi que o meu suor cheirava a enxofre. Pensem aí como estavam as coisa (até porque acabei ficando a noite toda aqui no PC esperando a Juli e já são cinco e meia da manhã).

Quando já estava quase chutando as duas pro meio da rua (sem o vestido), elas resolveram pagar (antes de chegar a um acordo, rolou até papo de fazer desconto, vaffanculo).

Eu:

- O preço total é: ...... euros pela lavagem, mais ..... euros da costureira. Total ...... euros.

A mãe, dizendo prá filha:

- Se eu fosse você, não pagaria a costureira. Ela foi muito 'furba' (tradução: espertinha, desonesta e sonsa) e devia levar esse prejuízo prá aprender. Além do mais aqui (o papelzinho que dei quando recebi o vestido) não tem nem escrito o preço da costureira; quem sabe se ela teve mesmo que tirar a gaze?

Eu, arrancando o dinheiro da mão dela, antes de dar um ataque e numa última tentativa de deixar limpa a minha folha penal:

- PRENDETE 'STO CAZZO DI VESTITO DI MERDA E ANDATE A ROMPERE I COGLIONI DI QUALCUN'ALTRO! NON FATTEVI PIU VEDERE QUI SE NON VOLETE ESSERE CACCIATE VIA A PEDATE NEL CULO!



Então, tá todo mundo avisado:

Não engulo mais gente estúpida!!!!



Vou dormir que já está quase na hora de levantar.
Depois eu conto as outras DUAS coisas que me fizeram pensar em criar camelos....





Sábado, Outubro 16, 2004


SITO

Brasileiros na Itália.




GENTE, POR FAVOR...

Estou à beira de um chilique-psico-neurótico-pombagiral. Ultimamente parece que sou um imã que atrai gente prepotente, imbecil e ignorante . Então, todos os dias, de manhã, tomo uma colher de mel tentando adoçar a minha língua. Até agora, consegui não explodir.
E eu, que pensava que lidar com PESSOAS fosse o meu forte... Tô com vontade de dar porrada nuns clientes aqui...




JEITINHO BRASILEIRO


Tantas coisas aconteceram nesses dias sem escrever. Sabendo da morte do genial Fernando Sabino, achei esta cronica que fala do comportamento de um brasileiro no exterior... Leiam que é gostosinha!



Como vencer no bar sem fazer força
Fernando Sabino



No dia do enterro de Churchill ele foi barrado pela Polícia nada menos que cinco vezes. Tinha credencial para se postar com as suas cinco câmeras junto ao Parlamento, mas cismou de entrar na Catedral de São Paulo, onde só eram admitidos os fotógrafos oficiais: meto uma conversa, estou aqui, estou lá dentro. O guarda se postava em seu caminho, ele tranqüilamente metia sua conversa em português, desconversava, driblava, embrulhava:

-- Deixa pra lá, meu chapa: proibido nada. Pra cima de mim?

Na quinta vez o guarda perdeu a paciência e o levou em cana. Mas não saber inglês sempre tinha suas vantagens: passado para as mãos dos policiais do carro de presos, tantas falou e aconteceu, que em pouco voltava, lampeiro, para junto da catedral: eu não dizia? Olha o papai aqui. Agora vou entrar aí e mandar minhas brasinhas.

E acabou entrando.

Depois do que, resolveu fazer uma reportagem fotográfica de Londres, vista de cima. Vista de cima de onde? Londres não tem cima. Só se fosse do Hotel Hilton, onde não admitem fotógrafos, para que a intimidade da Família Real, nos jardins do Palácio Buckingham não seja devassada. Mas ele tinha melhor: para que, então, havia sido inventado o helicóptero?

-- Onde é que você vai arranjar helicóptero? Ainda mais sem falar inglês. Vai levar no mínimo uma semana. Deve precisar de licença especial.

-- Que licença especial! -- e ele peneirava o ar com a mão espalmada: -- Meto aí umas conversas, você vai ver só.

No mesmo dia rodava de helicóptero nos céus de Londres, fotografando o que queria e bem entendia.

À noite foi ao pub tomar uma cerveja. O lugar estava repleto, derramava freguês pela calçada. Ele abriu caminho com as mãos, como se nadasse de peito:

-- Vai que é mole, minha gente -- e foi se enfiando bar adentro.

Mas era impossível alcançar o balcão, atrás do qual o dono se desdobrava passando canecas espumantes aos mais afortunados que se comprimiam ao seu redor. Ele bateu no ombro do inglês que lhe barrava a frente, estendeu-lhe uma nota:

-- Olha aqui, ó velhinho, vê se me encomenda uma cerveja ao bigodudo lá do balcão. Vai passando pra frente.

-- I beg your pardon? -- o inglês o olhava atônito.

-- Bir, bir -- esclareceu ele, correndo o mesmo risco daquele principiante em inglês que sentia não estar fazendo progressos, pois toda vez que pedia uma cerveja lhe traziam um urso. Com uma mímica desabusada, que abria em torno uma clareira de empurrões, conseguiu explicar ao outro o seu propósito. E batia no peito como Tarzan:

-- Mim brasileiro.

A nota foi passando de mão em mão, e apontavam:

-- Uma cerveja. Para um brasileiro ali atrás.

Em pouco veio voltando por sobre as cabeças uma caneca de cerveja. Atrás dela voltou o troco. Todos achavam graça, inclusive o dono do bar, e procuravam colaborar:

-- Vai passando. Muito obrigado.

Estava inaugurado um novo sistema de atendimento, dentro da ética secular dos bares ingleses. Ele já sugeria ao seu vizinho:

-- Quer uma cerveja? Me dá seu dinheiro aqui. Você aí da frente, vai levando.

Para um terceiro abriu caminho novo, usando uma série de mãos solicitar à sua direita, em linha torta até o balcão. Estabeleceu mais uma conexão à sua esquerda, aos poucos foi lançando por sobre as cabeças várias rotas aéreas de dinheiro na ida e cerveja na volta, às vezes seguida do troco e de respingos de espuma.

Em poucos minutos o bar era um pandemônio: moedas circulavam de mão em mão, canecas eram passadas daqui para ali, algumas se entornavam. Atrás do balcão, o bigodudo punha as mãos na cabeça, incapaz de atender a um de cada vez, ameaçava botar todo mundo para fora antes da hora de fechar. Onde, desde os tempos de Dickens reinava o mais compungido silêncio e a mais perfeita ordem, baixou pela primeira vez na História a mais animada das confusões e o contentamento era geral. Os fregueses riam, alegres, e se prestavam a multiplicar o movimento, estendendo os braços como remos naquele mar de cabeças:

-- Para quem essa cerveja?

-- Pega ali o meu troco.

-- Mais uma para mim!

O sistema do mutirão se alastrara pelo bar inteiro, já ninguém mais sabendo de quem para quem. A horas tantas ele se despediu com um tapa nas costas dos que o circundavam, à brasileira, quando a animação ia no auge e se transformava em cantoria:

-- Este bar já está chato. Vou me mandar e inaugurar outro.



Texto extraído do livro "A inglesa deslumbrada", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1967, pág. 144.



Peguei AQUI.




DELET

Apaguei sem querer o post anterior. Desculpas àqueles que me deixaram mensagem!



Domingo, Outubro 10, 2004


A PRIMEIRA MULHER


Sexta-feira, recebi um e-mail da minha amiga Eva, dizendo que viria a Milão no dia seguinte. Fiquei maluca prá não perder a oportunidade de conhecê-la pois ela ficaria somente um dia, a trabalho, acompanhando um grupo de portugueses pela Itália. Nos conhecemos através do blog e ela sempre esteve presente, me levantando a moral nos momentos sombrios e rindo comigo das baboseiras sem fim que andei publicando por aqui.
Trabalhei até as cinco, como de costume no sábado, e saimos correndo, eu e a Juliana, prá pegar o trem das cinco e meia rumo à Milão. Chegando na estação, só vimos o rabinho do trem abanando lá no fim da curva. O outro partiria só depois de uma hora e meia... Corremos para a outra estação (aqui tem duas estações de trem: uma do Estado e outra privada) e conseguimos pegar aquele das cinco e cinquenta que foi parando em todas as estações até Milão. Depois, dois metrôs e finalmente conseguimos chegar no hotel quase oito horas. Valeu a pena: ela é uma pessoa gostosissima! Infelizmente, pudemos ficar juntas pouquíssimo tempo pois tivemos que voltar em pressa porque o último trem aqui prá roça partia às oito e meia, mas mesmo assim deu tempo prum papinho gostoso no bar do hotel e, melhor de tudo, abraçá-la!!
Tchau Eva querida, espero de rever-te logo! Enquanto isso, vou tomando uns golinhos do Porto que voce trouxe prá mim...







QUANDO AS MULHERES NÃO FALAVAM EM VÃO


Morreu na China, aos 98 anos de idade, a senhora Yang Huaniy, carregando consigo o segredo do Nu Shu, a chamada "Língua das Mulheres", uma língua que nenhum homem jamais conseguiu entender. O vocabulário, formado por 1500 caracteres inspirados ao ideograma chinês mas mais estilizados porque, na falta de papel, eram bordados em pedaços de pano, leques e vestidos. O Nu Shu começou a ser estudado nos anos 50, mas foi colocado fora da lei pelo Partido Comunista porque a sua sobrevivência negava a posição oficial do regime sobre a emancipação da mulher. Segundo um lenda velha de 2500 anos, quem a inventou foi uma mocinha que era prometida como esposa ao Imperador, para poder comunicar-se com a mãe e as amigas que ficaram na aldeia. Na verdade, as mulheres chineses foram privadas durante séculos de uma educação e, relegadas ao analfabetismo pelos machos-patrões, foram obrigadas a inventar uma linguagem secreta somente para elas. Que ninguém mais poderá decifrar.
(Fonte: Vanity Fair - Cetrina Soffici)


Ixe, posso concluir com isto, que na China os homens escutavam aquilo que as mulheres diziam! A propósito, encontrei esta em algum blog que infelizmente agora não lembro qual...


O que a mulher diz:

"Esse lugar tá uma bagunça, amor!
Você e eu precisamos limpar isto.
Suas coisas estão jogadas no chão
e você ficará sem roupas pra usar
se não lavá-las agora mesmo!"

O que o homem escuta:

blah, blah, blah, blah, Amor
blah, blah, blah, blah, você e eu
blah, blah, blah, blah, no chão
blah, blah, blah, blah, sem roupas
blah, blah, blah, blah, agora mesmo...





DIA ROONNNFFF...


Hoje foi um dia meio chatinho, começou a chover no início da tarde e agora tá um friozinho antipático que convida ir prá debaixo do cobertor. Aliás, é isso mesmo que eu vou fazer.
Saudações.



Sexta-feira, Outubro 08, 2004


Cantando e cozinhando...



SIRI RECHEADO E O CACETE
(Aldir Blanc / João Bosco)

Sai com a patroa pra pescar
no canal da Barra uns siris pra rechear
siri como ela encheu de me avisar
era o prato predileto do meu compadre Anescar
levei arrastão e três puçás
um de cabo outros dois de jogar
de isca um sebo da véspera, e pra completar cachaça Iemanjá
birita que dá garantia de ter maré cheia
choveu siri do patola, manteiga, azulão, um camaleão,
no tapa a minha patroa espantou três sereias.
Na volta ônibus cheio o balde derramou
em pleno coletivo um gato se encrespou
o velho trocador até gritou: - não bebo mais!
Siri passando em roleta, mesmo pra mim é demais!
De medo o motorista perdeu a direção
fez um golpe de vista, raspou num caminhão
pegou um pipoqueiro, um padre, entrou num butiquim
o português da gerência, quase voltou pra Almerim...
Quiseram autuar nossos siris
mas minha patroa subornou a guarnição
então os cana-dura mais gentis
levaram a gente e os siris pra casa na Abolição
depois do "te logo", "um abração"
fui botar os siris pra ferver
dentro da lata de banha
era um tal de chiar, pagava pra ver
tranqüilo o compadre Anescar colocando o azeite
foi um trabalho de cão, mas valeu o suor
croquete, bobó, panqueca, siri recheado, fritada e o cacete.
O Anescar chegou com uma de alambique
me perguntou se eu era Mendonça ou Dinamite
abri uma lourinha, trouxe um prato de croquete
o Anescar mordeu um, feito que come gilete
baixou minha patroa: Anesca, que qui há?
O Anescar gemeu
"dieta de lascar
o médico mandou que eu coma tudo que pintar
até cerveja e cachaça
menos os frutos do mar."


DOCINHOS


Ontem a noite, procurando companhia, fui parar lá na casa do atrás de um papinho e qual não foi a surpresa: invés de oferecer o mé de costume, ele tinha preparado duas receitas com cachaça!
Geeente, por favor... Pudim de Cachaça e Gelatina de Cachaça! Quem disse que eu não vou fazer?

Então, lembrei do livro que eu trouxe do Brasil quando vim prá ca, Incidente em Antares do Érico Veríssimo, que tem um personagem que se chama Pudim de Cachaça.
O livro dispensa comentários. Muito bom. Quem ainda não leu, perdeu.

Quer um pitequinho? Leia este pedacinho aqui, cujo protagonista é o bebum Pudim de Cachaça.



Depois de separar-se de seus companheiros, Pudim de Cachaça, envolto numa nuvem de moscas, encaminha-se para o setor de Antares popularmente conhecido por Zona Estragada, e que fica a noroeste da cidade, perto das barrancas do rio. Passou primeiro pela sua própria casa, que encontrou fechada, assustou os vizinhos ("Que é isso, minha gente? Não me conhecem mais?") e depois saiu em busca de seu melhor amigo, companheiro de pileques, serenatas e farras com as raparigas.
- Por onde andará o Alambique? - perguntou ele a um sujeito que está parado a uma esquina. O homem, reconhecendo-o, empalidece, recua horrorizado e começa a abrir e fechar a boca, ansiado, como um peixe fora d'água.
Pudim, resignado, continua o seu caminho. Ao dobrar uma esquina dá de repente com Erotildes. Ambos estacam bruscamente, como se um tivesse assustado do outro.
- Ué? - disse ela. - Tu por aqui?
- Ando procurando um amigo. E tu?
- Fui visitar uma amiga.
Algumas das moscas que esvoaçam e zumbem ao redor do corpo de Erotildes passam para o de Pudim de Cachaça, e vice-versa. Depois desse rápido intercâmbio de moscas os dois companheiros se separam com um "té logo". A mulher dá alguns passos, volta a cabeça e grita:
- Não te esqueças do que o Dr. Cícero pediu, Pudim. Ao meio-dio, todos no coreto!
O cachaceiro volta-se também:
- O sol é o meu relógio. Não falha nunca. Ao meio-dia em ponto estou no coreto. Ouro e fio.
Agora Pudim de Cachaça entra no Beco do Gato, vai direto ao botequim do Quincas, seu habitual ponto de reunião noturna com o companheiro. Pára à porta e espia para dentro... Ao vê-lo o proprietário da casa solta um grito e sai a correr na direçao dos fundos do boteco.
Pudim entra. Num canto da pequena sala, sentado à mesa de costume, lá está o Alambique diante dum copo de cachaça, o violão em cima duma cadeira, a seu lado.
- Homem de Deus, faz horas que ando te procurando!
Alambique ergue-se, aperta as pálpebras, seus olhos como que se movem como duas bolinhas de gude azuis, dentro dos bojos das órbitas. É um homenzinho de um metro de cinquenta de altura, com um esqueleto de magro coberto por umas carnes balofas de alcoólatra.
- Pudim velho de guerra! Me disseram que tinhas voltado, mas eu pensei que era potoca - Precipita-se para o amigo e abraça-o. - Senta, homem.
As moscas zumbem no ar, por cima da cabeça do morto, que se senta na ponta da cadeira.
- Bebes uma cachacinha?
- Não posso. Se eu beber vazo. Costuraram muito mal a minha barriga.


Continua no livro, hehehehe.




CAÇA A RAPOSA


No post aí embaixo, falando do outono, escrevi 'casaco de pele'. Na realidade, quero dizer 'casaco de couro'. Foi mais um gaiatice da língua, já que aqui não se diz 'casaco de couro' e sim 'de pele', em geral. Termo que serve também para os famigerados casacos de pele de animais como a volpe, a cincila, o vison, e ultimamente, começaram a aparecer também de cachorros e gatos, importados da China.
Eu não sou uma naturalista xiita, mas me recuso a usar roupa com as peles desses animais, assim como comer qualquer tipo de carne de caça, coisa muito natural por aqui. Eu não critico quem come; o javali por exemplo é muito apreciado aqui nas minhas bandas e a caça devidamente autorizada. Talvez seja só uma questão de gosto e cultura, já que como as galinhas criadas em cativeiro, esmagadas umas contra as outras, sem poder se mexer para ficarem mais gordas e uso tranquilamente casaco de couro de ovinos, bovinos e suínos.
Mas impressionante mesmo foi saber que os ingleses estão se batendo com unhas e dentes para evitar a proibição da caça a raposa. Achei uma crueldade quando li que as bichinhas morrem por estourarem o coração, de tanto correr dos cachorros que as perseguem.



ENQUANTO ISSO, O BICHO-HOMEM...


Com o atentado de hoje no Egito e a morte do inglês sequestrado alguns dias atrás, viver a realidade do dia a dia fica sempre mais difícil. Deixo voces com umas frases de Alda Marini, uma poetisa que gosto muito:


- As moscas não repousam nunca porque a merda é mesmo tanta.

- Às vezes Deus faz os homens infelizes só para ver até a que ponto são imbecis.

- O mundo é belo e luminoso mas gira muito em si mesmo.

- O soldado mais fiel ao homem é o seu dinheiro.





A EVOLUÇÃO DO HOMEM






LINKEI OUTROS BLOGS


Koisas do Pi®u

Che Caribe

Anna na Suiça

Ah, libanesa!

Visitem e comentem!

ASSOVIAR E CHUPAR...


Uva! Depois de ficar meia hora no balcão da fruta do supermercado (escolher uva aqui não é fácil), consegui optar por uma das minhas preferidas: aquelas rosadas e bem docinhas. Agora estou aqui escrevendo e devorando umas e bebendo um prosecco que só eu tenho essas idéias. Pego a uva, boto na boca e estouro; reservo no canto da boca o interior; mastigo a casca chupando o caldinho. Jogo fora a casca e re-pego o interior reservado; estouro ele expulsando os caroços; lanço os caroços no lixinho e bebo um golinho de prosecco.

Eu adoro combinações estranhas:
Pizza com café-com-leite, sanduíche de banana, cachaça com café, macarrão com goiabada, alho com mel, sabonete de louro com azeite e beijo no cangote na porta do cemitério.




ADORO O OUTONO


E também a primavera e o verão. O inverno é triste, cinza, longo e frio: só dá vontade de dormir.
O outono é cor. Caldarrosta com vin brulè (castanha assada com quentão). Cogumelos e cheiro de bosque. Árvore vermelha dourada do sol. Brasato com polenta, meia soquete colorida, casaco de pele e marrom glacè.




A Juli num outono de alguns anos atrás



FICA COMBINADO ASSIM:

Um dia posto, outro visito os blogs, outro respondo e-mail, outro leio jornais. Por exemplo...


Quarta-feira, Outubro 06, 2004


Gente, to marcando demais com o sumiço daqui...
Foram dias sem folego, mas as coisas ja estao voltando ao normal, ainda bem.
Logico que fiquei sem tesao pra blogar pois mesmo reinando a paz dentro da minha casa, as coisas que aconteceram na familia atingiram a gente também. Meu marido se multiplicou em tres e teve que ficar segurando a barra dos outros sem deixar de dar assistencia também em casa. Meu sogro, depois dos babados, foi parar no hospital e ficou internado tres dias em observaçao com o resultado que ainda tivemos que ir cada dia um de nos dormir com minha sogra, ja' que nessas horas os outros filhos e noras acham sempre coisa melhor pra' fazer. Mas eu fico contente em estar perto dela: nao esqueço o que ela fez e faz ainda por mim desde que cheguei aqui. Eh um pinguinho o que faço por ela diante do mar que ela fez por mim.

Voltarei a(em) pedacinhos.
Ou entao como a loirona aqui em baixo...






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