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Terça-feira, Novembro 30, 2004


Vai me enterrar na areia?
Não, não. Vou atolar!
Vai me enterrar na areia?
Não, não. Vou atolar!



Eu ia ficar calada, mas não aguentei...






Sexta-feira, Novembro 26, 2004


De todas as músicas brasileiras que escuto, tem só uma que eu me recuso: Samba do Avião. Uma obra-prima e lindíssima, sem sombra de dúvida, mas todas as vezes que escuto as primeiras notas, me vem uma crise de choro. Pode até parecer uma babaquice, mas duvido que tenha algum carioca que more fora do Brasil que não se emocione e não sinta vontade de voltar quando escuta...

Minha alma canta,
vejo o Rio de Janeiro
estou morrendo de saudades
Rio, seu mar praias sem fim
Rio, você foi feito prá mim...


Até soube que as companhias aéreas colocam esta canção quando o avião está para aterrisar. Quem sabe quanto chororô.
Porém soube também que estão cobrando uma taxa extra no ato de compra da passagem: estão gastando um dinheirão em tinta para poderem identificar bem os turistas que vão visitar a Cidade Maravilhosa:




Roubei daqui: blog novo no Farofa.




Quinta-feira, Novembro 25, 2004


MOMENTO CAGAÇO


O terremoto foi de 5,2 graus na escala Richter. Mais outros três tremeliques de ajustamento de menor grau durante a noite e hoje de manhã. Sete feridos mas não morreu ninguém, umas duzentas de pessoas tiveram que abandonar as próprias casas por precaução. Os danos, de 200 milhões de euros, foram limitados à construções.
O epicentro foi um pouco distante daqui mas pertinho da Criss, que mora em Verona e sentiu tremer de verdade.

Eu estava sentadinha no sofá namorando com a Pipoca quando, às 23:59, senti a casa que 'ondulava' e ao mesmo tempo o lampadário ia de lá prá cá. Meu primeiro pensamento foi o terremoto, pois já estou acostumada com os 'movimentos' da minha casa, sempre de tremidas verticais quando passa um meio pesado na rua ou quando a máquina de lavar à seco (que pesa 1 tonelada) entra em centrífuga. Corri prá janela e não tinha alma viva, nem mesmo uma cabecinha despontava das janelas cerradas e a única nota estranha vinha dos insistentes ululares des cachorros da redondeza (menos a Pipoca que, retardada como sempre, dormia de barriga prá cima). Desci as escadas correndo prá procurar marido no porão e quando eu disse "teve um terremoto" começou a rir dizendo que aqui não era área sismica.

Tempo 5 minutos e liga a minha sogra prá saber se a casa ainda estava em pé.

Realmente nós pegamos somente o final da onda telúrica, não teve nem o barulho de trovão que antecede o terremoto.

Ainda bem.

Mas depois do susto, fica sempre aquela sensação de impotência diante da força da Natureza.




MOMENTO POÉTICO


A poesia abaixo, apareceu hoje na coluna "A palavra do Leitor" do Jornal varesino "La Padania". É um jornal de direita, de propriedade do Partido Lega Norte, partido apreciado aqui no norte da Itália por querer a separação das áreas do norte (trabalhador, rico, religioso e tradicionalista) do resto da Itália (Roma ladrona e sul preguiçoso e oportunista); o partido e seu jornal combatem também com muito ardor a imigração (idéia de base: pureza da raça padana, ramificada depois em uma miríade de slogans anti-imigração), infelizmente dando chance a muitos fanáticos a desenvolver raciocínios perigosos que facilmente podem se alargar como uma epidemia, com resultados já vistos na história não tão remota.

Um 'sentido desabafo' como este da poesia, demonstra como algumas pessoas se deixam levar pela filosofia do "8 ou 80", impregnada na mente de gente da direita e da esquerda (vide Brigada Vermelha e afins) que não conseguem achar um razoável equilibrio na exposição de suas idéias políticas e radicalizam sem medo e, neste caso, beirando o ridículo.

Vivendo aqui, não tenho muitas dificuldades em entender o desconforto das pessoas com a invasão desenfreada e irregular de gente de todos os tipos, nem sempre com o objetivo de integrar-se e respeitar as leis: taí o aumento da criminalidade envolvendo cidadãos não italianos que não me deixa mentir; a população carcerária é em crescente contínuo, com grande percentual de estrangeiros. As pessoas começam a viver uma realidade menos rósea, esbugalhando os olhos com a audácia e a violência das novas modalidades de crimes; zonas antes tranqüilas, agora são alvos de malfeitores; prostituição e tráfico de drogas nas esquinas das grandes cidades e por aí vai.

Sem falar no "perigo muçulmano".

Muitas vezes me pego também com o nariz torcido quando vejo coisas que urtam a minha sensibilidade ocidental. Por exemplo, lembro que anos atrás, quase cheguei ao ponto de denunciar à Saúde Pública a dona do restaurante chinês que tinha na frente da minha casa (o dono do bar a denunciou primeiro) por não tolerar que ela deixasse durante dias o lixo aberto na beira da calçada, causando fedor quando tinha sol e atraindo enormes ratazanas que banqueteavam tranquilamente durante toda a noite e se escondendo durante o dia, quem sabe, no meu porão. Morria de medo das brigas que estouravam de noite, quando o restaurante fechava e se transformava em um dormitório clandestino, num vai-e-vem de olhos rasgados e bocas costuradas, pois não falavam com ninguém que não fosse também chinês.
Porque eles chegam aqui e continuam a se comportar como se ainda estivessem no mercado de Shangai? O pior é que toda a vizinhança chamou a atenção dela por este comportamento não civil e ela fingia que não entendia.
Como pode querer ser aceita sem restrições?

Falando sério, é já difícil a convivência entre os pares, imaginem entre os ímpares...

Mas mesmo assim, falando como imigrante, me dói um pouco ver que alguns textos como esse aí embaixo conseguem encontrar espaço num jornal, que mesmo sendo de natureza explicitamente radical-direitista, não leve em consideração que a mensagem transmitida pode não somente fomentar mais intolerância e ódio racial mas também dar uma imagem negativa à maioria dos italianos que muito embora aos troncos e barrancos ainda estão tentando entender e assimilar o que está acontecendo.

A qualidade literária é aquela que é:


OS INVASORES NO MEU QUARTEIRÃO
Marta T. - Genova


Pelas estradas do meu quarteirão
não encontro mais
os rostos dos amigos;
os rostos de sempre
aqueles da minha gente.
Mas vejo somente
os rostos deles:
os rostos dos estrangeiros.
Que são tantos,
que são demais,
que nos nascondem.
Nós pensamos de caminhar,
mas estamos parados.
Somente eles caminham:
os estrangeiros
E caminham velozes
ocupando arrogantes
os nossos espaços.
Exaltando a sua supérbia
conscientes da proteção
que recebem dos nossos potentes
eleitos da um povo
che trai.
Judas sorri a estes bastardos
que se aplaudem masoquisticamente
um e outro sem pudor,
acegados do amplexo utópico
da igualdade.
Eles caminham
e nós estamos parados.
Nós morremos e eles nascem.
Nós morremos
esquecendo de seminar.
Morremos!
Morremos pávidos e passivos.
Sufocados do nosso egoísmo
e envenenados do supérfluo.
A nossa meta
não é um vagido
um novo respiro:
a batida do futuro.
Nós morremos e basta!
Eles morrem, ao contrário, enchendo
o solco de sementes.
Nos jardins de infância da vida
que se perpetua,
choram e brincam somente as crianças deles.
Os oásis da nossa
última esperança, as escolas,
estão ficando áridas
como um deserto africano
As salas de aula trancam os novos escravos.
A cultura é a bestêmia
e a covardia.
Das portas do saber
saem os alunos
do parasitismo e do oportunismo.
Os nostros velhos morrem.
E, com eles, morre a cultura,
a sabedoria, a honestidade, a honra, o ideal.
Os nossos jovens
se acotovelam em um exército de vis
de desertores, de opositores,
de canalhas e de sem honra.
Os nossos velhos morrem:
mas lutaram.
Os nossos jovens, iludidos,
pensam de respirar
mas já estão mortos,
assassinados pela vileza (deles).
E os professores do ateísmo
guiam impunidos,
a marcha do invasor.


Conseguiu ler até o final? Parabéns! Ao menos deu prá perceber de qual tipo de mentalidade germinam os ideais de purificação da raça...




MOMENTO GENTE-CABEÇA


Neste site (em inglês, francês e italiano) a outra face da moeda. Aquela que quer pensar.




MOMENTO PUBLICIDADE


Depois de tanto estresse e tristeza, sua pele está precisando de Happyskin! O único creme euforizante da pele, com moléculas de felicidade!

Juro, a propaganda está no ar nas rádios.

Tá maus...




PAUUURA!!!!!!!!!!

Meninos e meninas: dez minutos atrás, passei pela minha primeira experiencia com um TERREMOTO!
Estou tremendo até agora e não sei como será a noite.
Espero que não tenha sido grave lá pelos lados do epicentro.
15 segundos de terror.


Quarta-feira, Novembro 24, 2004







Sábado, Novembro 20, 2004


Tá virando blog de música, é?
Mas essa aqui tem um motivo muito especial: tem um tempão que estou com esta canção na cabeça mas acabava ficando danada por não lembrar de todo o texto! Andei procurando na net e só encontrava o refrão... hoje, a música pousou de novo nos meus pensamentos e consegui achar a letra toda.
Pode ser que muitos não a conheçam, é dos anos 70 e quem cantava era Marisa Gata Mansa. Linda! Emocionante!
E eu dedico à minha prima LILI, que adora esta música até mais do que eu!


Viagem
João de Aquino/Paulo César Pinheiro


Oh! tristeza, me desculpe;
estou de malas prontas
hoje a poesia veio ao meu encontro,
já raiou o dia, vamos viajar...
Vamos indo de carona na garupa leve
do vento macio, que vem caminhando
desde muito tempo lá do fim do mar.
Vamos visitar a estrela da manhã raiada,
que pensei perdida pela madrugada,
mas que vai escondida, querendo brincar.
Senta nessa nuvem clara, minha poesia,
anda, se prepara,
traz uma cantiga,
vamos espalhando música no ar...

Olha quantas aves brancas,
minha poesia,
dançam nossa valsa
pelo céu que o dia
fez todo bordado de raios de sol...
Oh! poesia, me ajude.
vou colher avencas, lírios, rosas, dálias,
pelos campos verdes que você batiza
de jardins do céu...

Mas pode ficar tranqüila,
minha poesia,
pois nós voltaremos numa estrela guia,
num clarão de lua, quando serenar.
ou talvez até, quem sabe,
nós só voltaremos num cavalo baio,
no alazão da noite,
cujo nome é raio,
Raio de luar...


Vou dormir.

ENTRA VENTO, COMO É DO TEU FEITIO...


Eu sempre tive a mania de abrir a casa toda quando sopra o vento. Me dá a impressão que "limpa" o espírito da casa, renovando os bons fluidos e expulsando a partículas malsãs, que ficam depositadas nos ângulos onde a vassoura não alcança ou atrás dos móveis, reunidos em novelos quase invisíveis, que parecem ter vida própria e fogem prá lá e prá cá, quando tentamos capturá-los.
Aqui em casa é quase impossível. Apesar de dizer sempre que moro no mato, a minha rua é muito movimentada mesmo, começando mais ou menos às cinco da manhã e atingindo o pico nada mais nada menos que quatro vezes por dia, a dita hora do rush. Sem falar nos engarrafamentos com os carros parados (mas ligados) e os loucos buzinando (buzina aqui se chama clackson). Então eu fico torcendo prá ventar de madrugada, na minha hora preferida prá abrir as janelas.

Hoje voltou a ventar forte por quase toda a tarde, um inferno. Fui obrigada a fechar a loja e quando passou tudo vi que não fui a única: pouco se mantiveram abertos pois a quantidade de poeira e ovni's que voavam fez até parar o tráfego. Algumas telhas cairam dos tetos e faltou luz por alguns minutos. Vou tentar abrir a casa por um pouco agora, já passou de 1 da manhã mas não sei se vou aguentar muito... a temperatura está beirando o zero!




PUUUUMMM


Finalmente caiu o último tabú da publicidade italiana: o pum.
Está no ar a propaganda de Natal dos relógios Dolce & Gabbana.
Um romântico casalzinho sentado lado a lado no sofá:
Ele - dá de presente um relógio;
Ela - se aproxima para dar um beijo e, ao movimentar-se, solta um pum.
Ele - faz uma cara surpresa mas não perde a pose: levanta uma banda da bunda e solta um pum maior ainda.
Final: coraçãozinho cor-de-rosa mostrando os dois modelos de relógio masculino e feminino.

Ahhh, o amor...




MAIS UM EM CASA


Finalmente tomei vergonha na cara e comprei um forno a microondas. O negócio é que tenho a cozinha da Barbie e mais um badulaque ali dentro não me permitiria mais de entrar. Coloquei o robot, o liquidificador, o mixer e o espremedor de frutas dentro de um armário na sala e taquei o bicho lá no lugar. O problema é que ando esquecendo muito de tirar as coisas do freezer prá fazer no dia seguinte (a idade avança, os neurônios se suicidam) e, como casei com o único italiano do mundo que não come macarrão, acabava tendo que inventar mil e uma receitinhas prá substituir o almoço ainda congelado.
Ele já está pensando que escapou do presente de Natal. Ah, ah, ah.







Sexta-feira, Novembro 19, 2004


Io la sera mi addormento
e qualche volta sogno
perchè voglio sognare
nel sogno stringo i pugni
tengo fermo il respiro e sto ad ascoltare
Qualche volta sono gli alberi d'Africa a chiamare
altre notti sono vele piegate a navigare
Sono uomini e donne
piroscafi e bandiere
viaggiatori viaggianti da salvare
Delle città importanti mi ricordo Milano
livida e sprofondata per sua stessa mano
E se l'amore che avevo non sa più il mio nome
E se l'amore che avevo non sa più il mio nome
Come i treni a vapore come i treni a vapore
di stazione in stazione
e di porta in porta
e di pioggia in pioggia
di dolore in dolore
il dolore passerà
Come i treni a vapore
come i treni a vapore
il dolore passerà
Io la sera mi addormento
e qualche volta sogno
perchè so sognare
e mi sogno i tamburi della banda che passa
o che dovrà passare
Mi sogno la pioggia fredda e dritta sulle mani
i ragazzi della scuola che partono già domani
Mi sogno i sognatori che sognano la primavera
o qualche altra primavera da aspettare ancora
fra un bicchiere di neve e un caffè
come si deve quest'inverno passerà
E se l'amore che avevo non sa più il mio nome
E se l'amore che avevo non sa più il mio nome
Come i treni a vapore come i treni a vapore
di stazione in stazione e di porta in porta
e di pioggia in pioggia
di dolore in dolore
il dolore passerà


I treni a vapore - Fiorella Mannoia

CHEGOU A HORA DESSA GENTE BRONZEADA MOSTRAR SEU VALOR?


Como a praga de grafanhotos, volta o assunto da violência urbana no Rio. Não é que posso falar muito depois de 13 anos fora do Brasil e, principalmente, por ter sido o motivo nùmero dois da minha "fuga" do Brasil. Então, antes que alguém diga "é muito fácil falar quando se está de fora", o assunto é somente colegado à minha perplexidade ao ler ontem no JB a declaração do vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, Angelo Vivacqua, comentando sobre o crescente aumento de assaltos à turistas nas ruas do Rio. Quanto segue:

"Das vítimas, 50% dizem que vão voltar e desses uma grande parte diz que é emocionante passar por um assalto. É igual a fazer turismo de aventura. Acham curioso visitar um país que tenha assalto. Quem vem da Suécia, Dinamarca ou Noruega acha que é como dar um salto de pára-quedas de um penhasco. Eles acham que vão encontrar tigres e cobras nas ruas. Não encontram isso, mas tem assalto."

Destrinchemos:

50% das vítimas dizem que vão voltar

Aposto que são aqueles que não foram na praia no dia de arrastão, nem assaltados dentro do táxi no túnel Rebouças, conseguiram tomar um chopp no Amarelinho da Cinelândia sem ter sido derrubada por um grupo de pivetes armados até os dentes ou, quem sabe, logo após terem ido dormir, escaparam das balas perdidas em plena Av. Copacabana, os sortudos.
Os outros 50% que não voltarão nunca mais depois de terem passado por todas as coisas aí em cima, chegarão aos seus países metendo o pau no Brasil e desaconselhando uma enormidade de pessoas a não ir passar as férias num lugar onde não se sabe se se volta vivo. Será que este senhor acha bonito e lucrativo para o turismo do Rio que as agências de viagem desaconselhem as férias ali? Pois é, aqui já está acontecendo isto. Parabéns.
Isso sem falar no absurdo percentual que ele deu como exemplo: ele acha pouco que a metade dos turistas não queiram mais voltar? Ou ele pensa que a outra metade irá fazer turismo perpétuo no Rio, garantindo assim uma razoável quantidade de "patos" para os delinquentes em galopante crescimento?


"...uma grande parte diz que é emocionante passar por um assalto. É igual a fazer turismo de aventura. Acham curioso visitar um país que tenha assalto. Quem vem da Suécia, Dinamarca ou Noruega acha que é como dar um salto de pára-quedas de um penhasco. Eles acham que vão encontrar tigres e cobras nas ruas. Não encontram isso, mas tem assalto."

Gente, por favor. Que que esse cara comeu prá disparar uma cagada assim tão grossa? Foi ele que escreveu o episódio dos Simpsons no Rio? Ao menos no desenho a coisa era um escracho tão explícito que provocava gargalhadas. Com essa, dá vontade de chorar. Quem quer dar um salto de pára-quedas, vai dar um salto de pára-quedas, não vai pro Rio ser assaltado e arriscar uma bala na boca por uma máquina fotográfica. Por que então não vão prá Faluja? Mais emocionante e econômico... Quem vem da Suécia, Dinamarca ou Noruega não pensa que encontrará tigres e cobras no meio da rua (piranhas, no máximo), pois as pessoas não são idiotas em atravessar meio globo terrestre pensando que vão fazer um safári. Ele que experimente viver algum tempo na Suécia/Dinamarca/Noruega prá entender com que espírito as pessoas saem de lá prá passar as férias no Rio. Quem vive nesses lugares não sabe o que é sair de casa sem relógio ou aliança nem não poder parar no sinal vermelho quando o sol se põe. Existe sim, uma grande incredulidade de quem ainda não foi que pensa que "a coisa não poder ser assim tão feia". Ver para crer.
Alguém aí deve dizer prá esse senhor que estamos no ano 2004 e que já descobriram que a terra é redonda. Aproveitem e avisem prá ele que quando for na Suécia, não esperar que o marido lhe dê a mulher prá passar a noite, como sinal de hospitalidade; que os dinamarqueses não usam mais os chapéus de viking com os chifres e que na Noruega não se come somente bacalhau.


Aí, o Secretário de Turismo do Estado do Rio de Janeiro, sabendo das declarações do senhor acima, respondeu com esta pérola:

"- Achei a declaração do Vivacqua interessante e exótica - disse, bem-humorado."


Acho que estou perdendo mesmo o meu senso de humor; não achei graça nenhuma.




Bart Simpson que tenta fugir dos macacos nas ruas do Rio de Janeiro.





BE-A-BÂ DO ASSALTO SEGURO E INDOLOR


A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, resolveu reeditar uma cartilha para orientar os visitantes e evitar que se tornem alvo fácil de assaltantes. O guia tem recomendações como não andar com câmeras fotográficas expostas, nem sair com muito dinheiro no bolso, usar jóias muito valiosas ou deixar os pertences isolados na areia para um mergulho no mar.

A cartilha deve ser distribuída a partir de dezembro para a rede de hotéis do Estado, para os órgãos estaduais e municipais de promoção do turismo e para os batalhões da Polícia Militar. Nessa primeira fase, será editada em três idiomas: português, espanhol e inglês. Além das dicas de segurança, há uma lista de telefones úteis: polícia, Defesa Civil, bombeiros, Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat) e outros.
Fonte: Tribuna da Imprensa on-line


Voces acham uma coisa normal?




Quarta-feira, Novembro 17, 2004


O PODEROSO CHEFÃO



Moooito bem. O vento finalmente se mandou e hoje fez um dia friíssimo mas lindíssimo: céu azulão e sol (sem calor, só luz...).
O bairro está um murmurinho só com as mortes matadas de sábado passado. Uma coisa dessas é tão difícil que aconteça por aqui que logicamente será assunto prá muito tempo. O meu cliente-cadáver ainda está no IML e a polícia não abre o bico prá dizer como andam as investigações. A fofoca come solta no mercadinho: neguinho já anda dizendo que ele era um chefão da máfia, que estava organizando aqui de formar uma banda prá aterrorizar, que eram suspeitas todas aquelas atividades que ele tinha, blá, blá, blá...
Então, o que eu digo é que o Don Corleone dos pobres sem dúvida era losquinho, já que a sua folha penal era bem sujinha com reatos de usura, receptação e lavagem de dinheiro, o que provocou o comentário da verdureira: "Ai, meu Deus! Será que ele me pagou com dinheiro sujo?". Certamente eu devo ter "lavado" algumas das suas notinhas mas nem ligo, ficaram limpas quando viraram pagamento do meu suado trabalho.
A minha admiração maior foi mesmo porque eu sempre vi ele como um grande trabalhador: muitas vezes passava aqui ainda sujo de terra prá pegar a suas roupas também muito sujas de terra e suor (ele tinha uma empresa que fazia escavações e eu sempre reclamava que ele usava peças caras e "de marca" prá trabalhar). Ué, eu sempre pensei que um mafioso ficasse sentado em casa fumando charuto enquanto os outros faziam tudo por ele...
Notícia AQUI (em italiano)




PLANTÃO FUNERÁRIO


Com os acontecimentos acima ficou em segundo plano a morte de um rapaz de 23 anos, sempre aqui do bairro, em um acidente de moto no mesmo fatídico sábado de vento. Já falei que aqui, a cada fim de semana, tem um boletim de guerra com numerosas vítimas e um percentual altíssimo com idade abaixo de 30 anos, em acidentes de carro. É a maior preocupação das mães nos dias de hoje (eu suo frio toda vez que minha filha passa da hora de chegar), mas a alta velocidade é um imã para todos aqui.
Mas o que eu queria dizer é o fato surreal que aconteceu em Florença, sempre no sábado:
Um carro atropelou duas irmãs (21 e 23 anos) que guiavam um motorino (moto de pequena cilindrada) matando todas duas. O condutor do carro morreu também e sua acompanhante é em coma. Ontem, vi na tv uma entrevista da mãe das meninas que com muita dignidade expunha a sua dor em perder duas filhas e fazia os costumeiros apelos em repeitar à vida, guiando com prudência.
Hoje, a notícia: tinham trocado os mortos! A mãe, quando foi velar as filhas viu que uma delas não era sua! Sua filha era aquela em coma no hospital sendo cuidada pela mãe daquela que estava no carro (me pergunto: comé que ela não notou que não era sua filha?)! Aquela que estava no carro é que era morta!
Quero ver como vão explicar o que aconteceu.
Se quizer ler a notícia: AQUI (em italiano)




INVASORS


Tem uns dois meses que fomos invadidos por uns percevejinhos-verdes-voadores. Uma praga! Cheguei a encontrar um até dentro da geladeira, que nojo. Agora eles diminuiram e mudaram de cor: acho que por causa da falta de sol, estão ficando marronzinhos e de vez em quando encontramos um morto pela casa, de barriga prá cima e patinhas esticadas. Agora chegaram um insetinhos de outro tipo, sempre voadores mas mais parecidos com uns maribondos só que mais leves e com umas patinhas a serrote. Esses parecem ser mais resistentes ao frio, vi um grudado na janela da cozinha e no dia seguinte ainda estava lá, mesmo se a temperatura chegou a zero durante a noite. Escutei um "insetólogo" na televisão dizendo que estes segundos animaizinhos vieram não se sabe de onde nos aviões que aterrisam no aeroporto de Malpensa, que é o mais perto daqui, já que as merdinhas apareceram somente nas regiões vizinhas ao aeroporto (por enquanto).
Prá não fugir do assunto, o aeroporto do Cairo foi fechado hoje por uma invasão de gafanhotos...





EM HOMENAGEM À GRAÇA, AO CHARME E AO VENENO...


G. W. Bush só faltou cantar "País Tropical" apresentando Condoleezza Rice como novo Secretário de Estado hoje. Falando sério, não duvido que a sujeita tenha qualidades prá ter chegado onde chegou, mas dizer que aquela baranga/mocréia represente a mulher americana... tá maus.
Curiosidade: o nome dela não deveria ser Condoleeza. Erraram no cartório na hora de escrever (ai, ai, ai, pensavam que acontecesse só no Brasil é?). Seu pai era um apaixonado de ópera e tirou o nome de uma partitura onde tinha escrito: con dolcezza (docemente). O escrivão confundiu a C e tacou duas E...





?????????


Por que não estou conseguindo entrar nos blogs do Blogspot?




Domingo, Novembro 14, 2004


BORA, BORA, BORA


Todo vento tem nome. O que está passando aqui neste momento se chama Bora. Ontem fazia medo, perigoso até ficar olhando detrás dos vidros da janela tudo o que voava lá fora: caixas de papelão fazendo piruetas no ar e caindo em cima dos carros, enormes galhos secos se batendo lá e cá, sacos de plástico e folhas agarradas nos postes ou prisioneiras de redemoinhos, a mercê do desconhecido.
Toda Itália é sob os efeitos do mau tempo. Enchentes, desabamentos e vento forte não está deixando ninguém dormir tranquilo.




TÔ DE DIETA

Hoje, passamos um domingo tranquilo. Acordei e fui logo prá cozinha fazer o almoço, que era daqules longos de preparar. Prato típico da nossa região é a CASSOEULA e se como somente no inverno, acompanhado de uma polenta fumegante. É uma receita antiga de gente da montanha e, como todo prato pobre, delicioso.


CASSOEULA

500 gr. de costelinhas de porco
1 pé de porco (cozido previamente somente pela metade do tempo) - opcional
Uns pedaços de focinho, orelha e rabinho de porco - opcional
Pedaços de linguiça fresca
Pedaços de bacon
30 gr. de manteiga
1 cebola tritada
Um talo de aipo (sedano)
3 cenouras
1 verza média (Italia) ou 1 repolho médio (Brasil)
1 colher de extrato de tomate


Em uma panela capiente, frite devagarzinho na menteiga o bacon e a cebola tritada. Acrescente as costelinhas e o resto das carnes de porco opcionais. Deixe dourar um pouco e coloque o aipo e as cenouras cortados em tronquinhos. Doure ainda um pouco e coloque o extrato de tomate dissolvido em uma concha de água quente e salgue a gosto.
Cubra a panela e deixe cozinhar no fogo baixo por duas horas, mexendo de vez e quando e, se necessário, acrescentando pouca água fervente se acaso enxugue.
Coloque as linguiças e a verza (ou repolho) cortadas sem o talo duro do meio. Cozinhe ainda por uma meia hora e regule de sal.
Servir com polenta quentíssima.

Vinho aconselhado: BONARDA




O vinho eu já tinha começado a derrubar quando começei a preparar o almoço e lá pelo meio-dia Candeia já se virava na tumba escutando os meus agudos cantando "Na Expressão do teu Olhar". Depois do almoço apaguei totalmente debaixo do cobertor. Sonhei até que tava na praia... Que frio!!!




LEVEI UM CHOQUE


Quem mora aqui e viu os telejornais hoje, deve ter escutado a notícia da execuçao de dois sicilianos aqui em Varese. Pois bem, o fato é insólito para estas paragens e, ainda mais, por debaixo dos panos se fala de um crime de máfia.
A coisa aconteceu a pouca distância da minha casa e com uma pessoa que eu conhecia há anos, pois era um cliente aqui da lavanderia.
Levei um enorme susto ao saber a notícia pela TV, pensando na sua simpatia e na sua alegria quando, semana passada, me disse que tinha nascido sua netinha e que era hora dele tomar juízo... Eu não sabia de nada de seus envolvimentos 'estranhos' e fiquei admirada quando falaram que ele tinha até antecedentes criminais. Fiquei triste.
Ainda deixou um monte de roupas aqui...



Terça-feira, Novembro 09, 2004


EXCURSÃO

Oi gentes, tô mortinha. Ontem de manhã fui à Milão de novo (milagre, duas vezes no mesmo ano!) e foi uma correria só. Saí de casa sete e meia da manhã mas foi inútil: passei mais de duas horas presa num engarrafamento monstruoso na auto estrada e cheguei lá quase dez horas. Tá bom, fui no Consulado mas estranhamente tinha pouca gente e só fiquei lá uma meia hora. Pessoal, novidade grande: no Consulado mudaram a maneira de atender!!! Acho que devem ter contratado um expert em atendimento ao público e depois de uma demorada pesquisa, cálculos e tabelas, decidiram colocar uns numerinhos separados por assunto a tratar. Assim ó: você chega e logo no hall tem os aparelhinhos com os números e, colados na parede uns cartazes com o assunto que você quer resolver. Pegue o número e entre na salinha com os guichês respectivos e procure a sua fila! Genial, né? Antes tarde do que nunca...
Depois de escutar somente um putaquopariu e as gesticulações de um italiano que não se conformava porque o voto no Brasil é obrigatório (coisa de gente politicamente atrasada), saudei os dois travestis de botas, mini-saia e tetas explosivas que puxaram papo comigo na fila e voltei prá roça.

Prá dizer a verdade, depois de tantos dias sem sair de casa, fiquei até meio tonta em ter que caminhar. Se continuo assim, vou acabar pegando fobia de rua.

Tinham policiais em excesso onde quer que se passava. Ontem, de madrugada, colocaram 3 bombas de fabricação caseira nas ruas de Milão. Duas perto de um cárcere e outra na porta de uma agência de empregos temporários - e não é a primeira vez que o alvo é uma agência de empregos, sinal evidente de uma insatisfação com as atuais leis que regulam os contratos de trabalho, a insegurança e os salários absurdos. De vez em quando vem essa onda de terrorismo feito em casa que assusta mas faz pensar: o povo tá explodindo.
Outro episódio marcante foi o que aconteceu domingo em Roma: cerca 300 pessoas invadiram um supermercado e uma livraria enchendo os carrinhos, saindo sem pagar e distribuindo entre os clientes e os transeuntes (pão e poesia), coisa típica dos anos 70 quando os extremistas de esquerda tinham o costume de invadir, pegar e se mandar.
A situação é muito complexa prá comentar em poucas linhas, mas a impressão que se tem é que recomeçarão as protestas.




LÁ VEM O MANO...


Caetano Veloso faz turnê na Itália prá mostrar seu "A Foreign Sound" e se apresentou ontem no Teatro Esmeraldo em Milão, preço: 65,00 euros. Lotação esgotada.
Lhe dedico uma canção:

"ele vem sorrindo,
ele vem cantando
ele vem feliz porque ele vem GANHANDO..."





Dá licença que estão me esperando prá pescar...




Roberto Farnesi fotografado por Julian Hargreaves - Calendário Max


Domingo, Novembro 07, 2004


ploc!
ploc!
ploc!


Quinta-feira, Novembro 04, 2004


Arafat, antes de dar o suspiro final, disse o seu último desejo: "Bush, resolva o problema da Palestina..." (puf! morreu). Não seria mais fácil pedir um prato de feijoada?
Amanhã, quem mora daquelas partes não vai ter prá onde correr.

Tava aqui pensando no que já vi nesses anos desde que comecei a respirar. Pensando no futuro do Brasil, com os novos cenários que se abrem na política mundial e, não querendo ser pessimista, lembrei dessa velha canção dos anos 60 que me parece tão atual... Prestenção na letra:


Canção do subdesenvolvido
Carlos Lyra e Francisco de Assis / 1962

O Brasil é uma terra de amores,
Alcatifada de flores,
Onde a brisa fala amores,
Nas lindas tardes de abril.
Correi pras bandas do Sul.
Debaixo de um céu de anil,
Encontrareis um gigante deitado:
Santa Cruz, hoje o Brasil.

Mas um dia o gigante despertou (ooaahhh!).
Deixou de ser gigante adormecido.
E dele um anão se levantou.
Era um país subdesenvolvido
Subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido (bis)

E passado o período colonial,
O país passou a ser um bom quintal.
E depois de dada a conta a Portugal
Instalou-se o latifúndio nacional .. (Ai)
Subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido.

Então o bravo brasileiro (iehéé),
Em perigos e guerras esforçados (iehéé),
Mais que prometia a força humana
Plantou couve, colheu banana.
Bravo esforço do povo brasileiro
Mandou vir capital lá do estrangeiro.
Subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido.

As nações do mundo para cá mandaram
Seus capitais tão desinteressados.
As nações coitadas só queriam ajudar, não é?
Aquela ilha velha não roubou ninguém,
País de poucas terras só nos fez um bem
Um Big Ben
Um big ben , bom, bem, bom
Nos deu luz (ah)
Tirou ouro (oh)
Nos deu trem (ah)
Mas levou o nosso tesouro
Subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido.

Mas data houve em que se acabaram os tempos duros e sofridos
Porque um dia aqui chegaram os capitais dos países amigos.
País amigo, desenvolvido,
País amigo, país amigo,
Amigo do subdesenvolvido
País amigo, país amigo.
E os nossos amigos americanos
Com muita fé, com muita fé,
Nos deram dinheiro e nós plantamos
Só café, só café.
É uma terra em que se plantando tudo dá.
Pode-se plantar tudo que quiser
Mas eles resolveram que nós devíamos plantar
Só café, só café

Bento que bento o frade, frade.
Na boca do forno, forno.
Tirai um bolo, bolo
Fareis tudo que seu mestre mandar?
Faremos todos, faremos todos, faremos todos.
Começaram a nos vender e nos comprar.
Comprar borracha, vender pneu.
Comprar minério, vender navio.
Pra nossa vela, vender pavio.
Só mandaram o que sobrou de lá:
Matéria plástica, que entusiástica,
Que coisa elástica, que coisa drástica,
Rock balada, filme de mocinho,
Ar refrigerado e chiclete de bola (pop)
E coca cola.
Subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido.

O povo brasileiro tem personalidade.
Não se impressiona com facilidade
Embora pense como americano
"Uuuuuuu, I'm going to kill that indian before he kills me (pinim...)
Embora dance como americano
Ta-ta-ta-ta, ta-ta-ta-ta
Embora cante como americano
Eh boi, lá, lá, lá,
Eh roçado bão, lá, lá, lá,
O melhor do meu sertão, lá, lá, lá
Comeram o boi.

O povo brasileiro, embora pense, cante e dance como americano
Não come como americano,
Não bebe como americano,
Vive menos, sofre mais
Isso é muito importante
Muito mais do que importante
Pois difere o brasileiro dos demais
Personalidade, personalidade, personalidade sem igual,
Porém,
Subdesenvolvida, subdesenvolvida,
Essa é que é a vida nacional.


Ho, ho, ho. Consegui pegar o computador antes da Ju... O tempo é pouco prá mim depois que ela começou a trabalhar e tenho que fazer mais coisas em casa. Novidades? Zero. Aqui na minha cela, tudo igual. Ah, a única coisa é que finalmente hoje colocaram o asfalto na minha rua (eu vi tudo das barras da janela, na hora do banho de sol) e isso é uma coisa muito boa: talvez essa noite eu consiga dormir sem me assustar com os pulos da casa toda vez que passa um caminhão. Semana passada, tiraram o asfalto e já no dia seguinte começou a chover. Foram dias horríveis pois a minha rua é muito movimentada e tinha uma depressão bem aqui em frente. Imaginem com a quantidade de meios super-pesantes que toda vez que passavam faziam tremer tudo, cada susto de noite com o efeito terremoto...


Não tenho mais nada prá dizer. Anda tudo vazio, tô querendo um chamego. A Juli acabou de sair pro cinema. Então vou ali dar uns cheiros na Pipoca.




Quarta-feira, Novembro 03, 2004


Juliana desgruda do PC!!!




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