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JB On-line

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Dagospia.com


ESCUTO...



MPB FM-RJ

Radio Popolare Milano

Quinta-feira, Dezembro 30, 2004


TODOS OS LADOS DA MOEDA


Dia e noite escorrem as imagens do cataclisma/tragédia/apocalipse de 26 de dezembro. As pessoas que voltam, contam a terrível experiência e de como conseguiram se salvar: quem ficando pendurado em árvores por mais de 20 horas, quem que se deixou levar pelas ondas e voltou nadando, quem subiu no teto de alguma casa, quem nem se lembra como se salvou.

Um ponto comum nos depoimentos, é a admiração dos sobreviventes pela solidariedade das pessoas nativas que não exitaram em arriscar a própria vida para salvar quem estava em dificuldades, fazendo quilometros a pé levando desconhecidos ao hospital, oferecendo refúgio nos casebres sem conforto e até mesmo dando dinheiro para uma primeira necessidade de quem ficou só com a roupa do corpo, havendo eles mesmo perdido tudo também.

Dos 125 mil mortos contados até hoje, de italianos, somente 14, mas os "desaparecidos" são cerca 700, que desde o dia da tragédia não deram mais notícias. Aquela é uma região muito frequentada italianos, principalmente durante as férias de fim-de-ano, já que os preços são bastante acessíveis até mesmo para a "massa". Porém se contam muitos europeus na lista de desaparecidos, só a Suécia tem cerca 1000.

Agora, aqui, os apelos para ajudar chegam de todos os lados e o pessoal está participando como pode. A maneira mais fácil prá quem não pode fazer muito é passar um SMS, no valor de 1 euro e está arrecadando muita grana. Também partiram muitos médicos, voluntários de todo tipo e ajuda do governo.
Já teve quem perguntou se todo este movimento de solidariedade existiria se não tivessem europeus dentro da tragédia.

As polêmicas do dia:

- festejar ou não o Ano Novo?
Algumas cidades (Torino, Bolzano e Pisa) já cancelaram os fogos de artifício e as comemorações nas praças.
Não tem clima.

- ir ou não ir de férias naquela região?
As agências de viagem estão desesperadas, depois do onze de setembro eis um outro golpe. Logicamente, quem já havia marcado viagem está desistindo mas devagarzinho está começando uma campanha de incentivo ao turismo nas áreas devastadas, para ajudar a economia em muitos lugares exclusivamente turística e continuar a dar trabalho às pessoas que não tem outro modo de sobreviver. Sem falar que a maioria das estruturas turísticas são de propriedade de estrangeiros. Todo mundo está perdendo.
Mas muitas perguntas ficam no ar: e a ameaça de epidemias? e se acontece um outro terremoto? como ir se divertir com em volta um cenário de destruição e morte?

- A tragédia seria menor se o observatório havaiano, que detectou primeiro o terremoto, avisasse as outras áreas? A onda demorou a chegar até duas horas em alguns lugares.


A vida é estranha. Às vezes, triste. E sempre muito curta.





FUTURAMA



Quando eu era pequena, influenciada pelas leituras fantásticas, ficava imaginando como seriam as notícias dos jornais no futuro. Pensar no ano 2000 era já uma coisa de ar arrepios! Quando se tem 10 anos, o pensamento de ter 40 ou 50 te projeta num futuro longíquo, uma coisa impalpável e misteriosa, bom mesmo é dar asas à imaginação.

E tome um Reporter Esso (pros mais novos, o Jornal Nacional dos tempos que foram) com notícias de acidentes entre carros voadores como no desenho da Família Jetson, robôs que faziam os deveres de casa no meu lugar como no Perdidos no Espaço, passeios dominicais nos fundo do mar como em 20.000 Léguas Submarinas, pílulas de Emulsão Scott prá não ter nojo do gosto de fígado de bacalhau mas do Biotônico Fontoura não, foi a minha primeira cachaça...

A minha geração teve o privilégio de ver nascer e crescer rapidamente o milagre da tecnologia, as viagens espaciais, o boom econômico e, infelizmente, também a todas as coisas negativas que estas mudanças trouxeram para a humanidade.

Hoje, transtornada com a velocidade que tenho de ter para correr atrás da vida e driblar as adversidades quero, mesmo correndo o risco de ser piegas, continuar a cultivar o meu pedacinho-menina, minha última oportunidade de conservar a esperança.




Lua de Cetim
(Francis Hime)

Lua de cetim
Tempo quente, amendoim
Dia de vadiar
Vagabundear
De tudo adiar
Se deliciar
Deito no capim
Planto avencas num xaxim
Samambaia e algum jasmim
Que preguiça de mim!
Ai, ai, que me dá
Sei lá, o que me dá
Só sei que isso me encanta
Sapos no quintal
Venta a roupa no varal
Vai caindo um toró
Lá no Tororó
Cantou um curió
E eu fico tão só
Sabe meu amor
Meu jardim tá todo em flor
Deu camélia e monsenhor
Deu até beija-flor
Não é que me deu
Vontade do meu
Menino que bem me nina
Seja como flor
Seja sempre o meu amor
Diga o quanto o bem-me-quer
Gira o sol se bem me quer
Se é bom viver em paz
Não abra meu rapaz
Não faça o que não quer
Não faça o que se faz
Lua de cetim
Tempo quente, amendoim
Dia de vadiar
De vagabundear
Dia de adiar, se deliciar
De vagabundear
Vai caindo um toró
Cantou um curió
E eu fico tão só
Cantou um curió





??????????



Alguém pode me dizer por que o JB tá com esta pergunta ao leitor?


Você acha que Londres é pior para os turistas do que o Rio de Janeiro?

Na minha inguinorança, a única resposta que posso dar é: Sim, em Londres não tem pastel e o guaraná custa uma nota preta.




O BRASIL AQUI


Resumo desta semana nos jornais daqui (só os títulos)


Com Lula o Brasil cavalga as ilusões

Considerado uma vez "o eterno país do futuro", hoje atrai investimentos de todo o mundo e avalanche de dólares.
Crescimento de 5% graças à política do Presidente. Mas para alguns é só um blefe.
(Corriere della Sera - 30/12/2004)



Adriano: a fábula depois da favela

O jogador que com os meninos carentes de Milão que fala de futebol e da sua vida: da favela aos campos internacionais.


Florinda Bolkan: a mulher que amou as mulheres

Em entrevista, a atriz conta como ficou famosa e de seu amor pela Condessa Cicogna.


Cachaça Sagatiba

A cachaça preferida do jet-set europeu.

(tudo na Vanity Fair - 05/12/2004)



Tendência Moda 2005

O Brasil é a nação onde os trend setter do setor da moda estão de olho. Os estilistas emergentes? Alexandre Herchcovitch, Cavalera, V. Room e Marcelo Somme.
(Corriere Magazine - 30/12/2005)




Quarta-feira, Dezembro 29, 2004


Meu pé, ao pé-da-letra

Pé-grande
Pé-chato
Pé-de-cana
Pé-rapado
Pé-no-saco
Pé-de-chinelo
Pé-frio
Pé-de-moleque
Pé-de-cabra
Pé-na-cova
Pé-de-vento
Pé-na-jaca
Pé-na-estrada
Pé-na-bunda




Varese, novembre/2004


Terça-feira, Dezembro 28, 2004


BRASIL?


Hoje no jornal, no final da reportagem de 14 páginas sobre a tragédia na Ásia, uma guia sobre os países a risco para os viajantes italianos. Numa divisão com 5 categorias de risco (5 - elevado, 1 - modesto) o Brasil situa-se no nível 3 com a seguinte explicação:

Risco de assaltos.
Assaltos frequentes nas favelas, cautela nas visitas; prudência máxima a Manaus.


Será que eles estão falando do mesmo Brasil ou fizeram outro? No meu tempo, o lugar onde menos se corria o risco de ser assaltado eram as favelas. Tá certo que com as guerras entre as bandas, mais que ser assaltado se corre o risco de bala perdida... mas pelo jeito um encontro imediato com uma bala pode acontecer em qualquer lugar.

Cautela nas visitas? É ridícula esta moda idiota de fazer passeio turístico na favela. Não consigo imaginar a mente doente que organiza um treco desses prá outros turistas mais doentes ainda que vão nas favelas prá depois chegar aqui "horrorizados com tanta pobreza e fedor". E depois, o dinheiro que os organizadores ganham ao menos vai um pouco para, por exemplo, pagar o material de escola para um menino pobre? Hummm..., sei não.

Não entendi mesmo o papo de prudência máxima a Manaus. Se alguém não me disser o porquê, só me resta pensar que é por causa dos jacarés e das onças soltas no meio da rua.

Em todo caso, o Brasil está atrás de países como Perú e Venezuela (nível 2) e Líbia, Rússia e Vietnam (nível 1).




FÊNIX


Gostei de saber da notícia do rissurgimento econômico da Argentina. O país, depois do desastroso crac no 2001, levantou as mangas e fecha o ano com um aumento de 8% do PIB. O valor do dinheiro é estável, o desemprego diminuiu e a inflação voltou aos níveis dos anos 90. Apesar da situação estar voltando ao normal a passo lento, ao menos se sabe que o motor da esperança continua a funcionar.
Aplausos.




THE POSTMAN ALWAYS RINGS TWICE


Descobri que o homem mais sexy por estas bandas é o carteiro. Não exatamente aquele da minha rua, mas os carteiros em geral. Não sei se é uma coincidência, mas desde que cheguei aqui volta e meia alguma dona-de-casa insuspeitável e mal-amada foge com o carteiro. Alguns anos atrás teve até um marido traído que baleou um carteiro nas escadas da Prefeitura, recebendo um grande sopapo da mulher mesmo já algemado e nas mãos dos carabinieri.

Hoje eu soube que a mulher do pizzaiolo abandonou o marido e foi morar com o carteiro. Antes dela, teve a viúva do marmoreiro, amante do carteiro (e joga bingo com a mulher dele). Uma parente, depois de dois meses de separação, botou o carteiro dentro de casa (mas antes fizeram um cruzeiro no Egito com o dinheiro do ex-marido).

Faço uma falsa-análise antropológica deste fenomeno social:

Pensem num lugar (imaginário, não é aqui, por caridade) onde os homens foram criados para serem servidos pelas mulheres e que ainda acham que uma mulher (aquela que ele casou, é claro) não sente desejo sexual a não ser quando ele diz que ela deve sentir (sem gemer, por favor, senão ele se assusta e não faz mais nada); este mesmo homem, passa dois, três meses sem "comparecer", pois o trabalho toma todo o seu tempo e o desgaste físico que isso comporta o impede de pensar nessas bobeiras de sexo... mas de repente ele sente um estranho peso nas partes baixas e lembra que já é hora de esvaziar o depósito, que a estas alturas já esticou tanto que começa a bater lá e cá entre os joelhos, fazendo ele tropeçar quando caminha. Aí ele chega em casa e joga a mulher lá na cama, sem tomar banho nem nada e nem menos um beijinho de consideração pois o tempo voa (sem se mexer, por favor, senão ele "explode" e não faz mais nada).
Depois daqueles três minutos de sexo desenfreado, ele corre pro banheiro já com os bofes de fora, enquanto a mulher ainda está ali, meia entre o lânguido e o depcepcionado, sem entender porque não sentiu nada (o marido logo explica que ela tem problemas, é muito lenta...).
Pois é, é até possível que exista um lugar assim.

Aí entra em cena o carteiro.

Quem é que passa todos os dias nas casas sem levantar suspeitas de ninguém? O carteiro. Quem é que é recebido na porta por mulheres com a boquinha entreaberta, de penhoar de seda e tamanquinhos de pom-pom rosa prá assinar as "registradas" do futuro corno? O carteiro. Quem é que sabe os maridos que não estão em casa e quais são as mulheres mais apetitosas do bairro? Quem? Quem?

Agora deu prá entender a fila quilométrica quando abrem as inscrições no correio...



Em tempo, antes que venham com piadinhas, eu não dei e nem vou dar pro carteiro. Eu não moro naquele lugar imaginário.


Segunda-feira, Dezembro 27, 2004


RESUMINDO


A gripe foi embora como um presente de Natal descartável.

Não fui a lugar nenhum nem vi ninguém durante esses dois dias. Botei uma máscara prá não espirrar em cima da comida e consegui cozinhar o almoço de Natal, sábado de manhã: faraona (uma galinha gigante) no forno, maionese, torta de legumes, farofa. Fiz uns canapés variados de entrada e salada de frutas prá sobremesa. De tardinha, venci a moleza e fiz um montão de rabanadas, que ainda estou comendo até hoje.

Chega.




VIA AÉREA


Recebi um presente de Natal! Semana passada, a Liza me mandou um pacote com uns objetos de artesanato suecos adoráveis. De quebra, um cd da Zizi Possi todo em italiano, já quase 'furado' de tanto que estou escutando.




ME DEIXE MUDA


Tava bem preocupada com o meu nariz entupido, o Natal passado sozinha e a saudade-que-assola-no-fim-de-ano, quando a notícia da tragédia me arriou de vez.
O altíssimo nûmero de mortes e as cenas de desespero me impressionaram demais.
O que pensar ao saber que o terremoto foi sentido em todo o planeta e que a intensidade foi tal, ao ponto de inclinar o eixo terrestre? Hoje na tv disseram que na ilha de Sumatra está 30 metros fora de onde estava antes.
Me senti uma idiota egoísta, debaixo do meu cobertor quentinho e com a barriga cheia de comida mas preocupada com uns problemas de merda, que ainda não resolvi por puro medo de arriscar. Enquanto isso, milhões de pessoas estão com os braços erguidos pros céus, na vã esperança que aconteça um milagre e tudo volte a ser como antes.

Inútil dizer mais.



Webshots



INICIAL
Pablo Neruda


O dia não é hora por hora.
É dor por dor,
o tempo não se dobra,
não se gasta,
mar, diz o mar,
sem trégua,
terra, diz a terra,
o homem espera.
E só
seu sino
está ali entre os outros
guardando em seu vazio
um silêncio implacável
que se repartirá
quando levante sua língua de metal
onda após onda.

De tantas coisas que tive,
andando de joelhos pelo mundo,
aqui, despido,
não tenho mais que o duro meio-dia
do mar, e um sino.

Eles me dão sua voz para sofrer
e sua advertência para deter-me.
Isto acontece para todo o mundo,
continua o espaço.

E vive o mar.

Existem os sinos.





Quinta-feira, Dezembro 23, 2004


Tô gripada; vou dormir.


Segunda-feira, Dezembro 20, 2004


VEM CÁ, TURCÃO


A posssível entrada da Turquia na União Européia é a polêmica desses dias. Discussões e debates entre os favoráveis e não, culminados ontem com uma mega-passeata no centro de Milão, onde os cultores das raízes cristianas (mais de 50 mil, segundo os organizadores e uns 10 mil, segundo a Polícia) bradavam slogans contra a "invasão islâmica" e a ameaça da perda de identidade cultural.
O caso está para provocar uma outra crise no governo, já que a Lega Norte (que promoveu a manifestação e faz parte da maioria no poder) não conta com o apoio do resto da coalisão e pela milésima volta ameaça de não dar seu apoio a "Berlusconi e seus cowboys" nas próximas eleições.

A "melhor" definição do assunto, que já está na boca dos contrários, é aquela dada pelo coronel Gheddafi em uma entrevista a RAI3, esta semana: "os europeus, aprovando a entrada da Turquia na Comunidade, se encontrarão com um cavalo de Tróia bem no meio do quintal".




REVEILLON NO ESGOTO (A CÉU ABERTO, É CLARO)


A prova de que o ano que está para acabar foi mesmo de merda: Bush eleito pela revista TIME o Homem do Ano. Em contraposição, a mesma revista elegeu o terrorista de al Qaida, al Zarkawi o Vulto do Terror. E se embaralhassem os títulos?




LARANJAS


Já comecei a me esbaldar com as laranjas. Aqui, só se encontram durante o inverno. O resto do ano, fico em crise de abstinência.




NÃO VIVEMOS SEM...


Pesquisas.
No país das pesquisas diárias, saiu hoje a classificação das melhores cidades da Itália: Bolonha ficou com o primeiro lugar como qualidade de vida; Milão a mais rica e Messina a pior.




GOOGLE

Visitas redobradas antes do fim-de-ano: todo mundo procurando receita de farofa.
Eis a minha preferida (sem direito a beijo na boca):

FAROFA DE ALHO

Soque bem uma cabeça de alho e misture com bastante manteiga, sal e farinha de mandioca (a quantidade vai "no olho"). Coloque no fogo médio e mexa bem até que a manteiga derreta e a farinha se toste um pouco.


Deliciosa para acompanhar o peru de Natal...




Domingo, Dezembro 19, 2004


Escândalo
Caetano Veloso

Mas, doce irmã, o que você quer mais
Eu já arranhei minha garganta toda atrás de alguma paz
Agora nada de machado e sândalo
Eu já estou sã da loucura que havia em sermos nós
Também sou fã da lua sobre o mar
Todas as coisas lindas dessa vida eu sempre soube amar
Não quero quebrar os bares como um vândalo
Você que traz o escândalo irmã luz
Eu marquei demais, tô sabendo
Aprontei demais, só vendo
Mas agora faz um frio aqui
Me responda, tô sofrendo
Rompe a manhã da luz em fúria arder
Dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria, pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu aqui só
Mamãe, eu já marquei demais, tô sabendo
Aprontei de mais, só vendo
Mas agora faz um frio aqui
Mes responda, tô sofrendo
Rompe a manhã da luz em fúria arder
Dou gargalhada, dou dentada na maçã da luxúria, pra quê?
Se ninguém tem dó, ninguém entende nada
O grande escândalo sou eu aqui só



Webshots



QUEM SOU EU, QUEM É VOCÊ



Eu sempre tive uma boa memória fotográfica, desenvolvida durante os anos de trabalho como secretária. O joguinho de ligar a cara da pessoa ao seu nome não foi prá mim uma grande dificuldade e depois de algum tempo, isso me vinha naturalmente também no dia-a-dia, uma coisinha a mais que facilitava a vida social.
Parece uma bobagem mas se sabe que estas pequenas atenções contribuem para dar uma boa imagem à empresa, economizar ao chefe o tempo de identificar sòzinho o cliente ou fornecedor e uma pequena alegria à pessoa em questão. Quem não gosta de se sentir lembrado?

Aqui é um desastre. Depois de muito tempo me desculpando por não conseguir, às vezes, recordar o nome dos clientes, desenvolvi uma teoria que pode até ser um cagada mas me serviu de álibi até eu descobrir que é mesmo o meu cérebro que está em decomposição. Pensava que fosse uma questão que eu não estava acostumada ao biotipo das pessoas (e também aos nomes 'estranhos' ao meu subconsciente...) e que as formas de identificação usadas até aquele momento, desabavam com esta nova situação. Por que me bloqueava na frente dos clientes, não tão assíduos mas ao menos bastante regulares? Depois de algum tempo fui também contaminada pela 'síndrome-de-quem-trabalha-no-comércio', que é sair na rua e ser cumprimentada por tantas pessoas e não saber se é um cliente ou alguém conhecido em outra situação. Tinha sempre medo de parar prá conversar com algum cretino que pensava que somente por ser estrangeira, dava papo prá todo mundo, coisa que fatalmente aconteceu. Ora, eu estou aqui sòzinha atrás do balcão, onde dezenas de pessoas me vêem e me identificam. Eu, do lado de cá, vejo o vai-e-vem e não consigo registrar a cara de todo mundo que passa.

Quarta-feira, tava aqui atoladona quando chega um sujeito todo cheio de guéri-guéri pro meu lado, me tratando por 'você' (já sabem que aqui uma pessoa tem que te dar permissão para usar a segunda pessoa, caso contrário, é falta de respeito) e me dando palmadinhas no ombro (outra coisa que náo se faz se não se tem 'confidenza', ou seja, conhecimento ao menos amigável). O cara não se identificou mas dava por certo que eu sabia quem era, dizendo que veio dar uma saudação de boas festas, pe-re-rê, pa-ra-rá, e me puxava prá abraçar. Daí que eu dei o costumeiro chega prá lá dizendo bem ríspida: 'abaixe as mãos, por favor, quem te conhece prá toda essa intimidade?'. O homem ficou todo sem graça e me diz: 'não está me reconhecendo? eu sou o Fulano, ex-namorado da Cicrana (a garota que passava roupa aqui antes de mim), será que fiquei tão velho?'. Eu fiquei amarelona. Tinha já uns oito anos que ele tinha sumido, estava diferente sim, mas não o bastante para não ser reconhecido: o cara frequentou a minha casa por quase um ano, tipo vir prá jantar e sair juntos. Me deu maior pânico. Tá me dando de novo paranóia de idade? A gente envelhece primeiro por dentro, tipo implosão, já que ainda não tenho nem uma ruguinha na cara apesar dos meus, hummm deixa eu fazer as contas, 45 anos? Tô ficando esclerosada?

Se vê que eu não tenho nenhum problema, prá ficar falando dessas coisas...
P.S - Aqui tinha um pentelho, mas depilei.


Nada do que foi será
de novo do jeito
que ja foi um dia
Tudo passa,
tudo sempre passará
A vida, vem em ondas
como o ma-aaaaa-aaar...






EU USO ÓCULOS



Me chamou a atenção o caso do soldado americano que, de licença em casa, pediu ao seu primo para lhe dar um tiro na perna pois não queria mais voltar pro front. Estranhamente o motivo não era por ser contrário à guerra ou por medo: ele é míope e durante o seu período em Iraque quebrava os óculos contínuamente, em ação. Sua família não tinha mais dinheiro para mandar-lhe pares novos e nem menos os 4 mil dólares pedidos para a operação de redução da miopia.
Agora, além de ter sido denunciado criminalmente, corre o risco de ter que enfrentar a corte marcial, por tentativa de deserção.

Vida dura, nós míopes.




AINDA BRASIL


Reportagem do Corriere della Sera Magazine (16/12/2004) falando de Negão: um escultor brasileiro, com atelier em Nova Friburgo, que faz suas esculturas com lama fazendo crescer o musgo por cima, dando um efeito extraordinário. Eu nunca tinha escutado falar e adorei as obras. Pena que não encontrei nada na net prá colocar aqui, pois as fotos da revista vieram feias com o meu scanner. A única que prestou foi esta do escultor, que usa uma concha na testa para protejer o seu 'terceiro olho'.
Já programei prá ir ver de perto quando voltar no (ou pro) Brasil.







ANDO CHEIA DE...


Gente que não tem o que fazer e não consegue ficar sem perturbar os outros. Vai ver se eu tô lá na esquina.



Sábado, Dezembro 11, 2004


Falei que estava sem saco pro Natal e quando fui no blog da é que vi onde foram parar todos os saquinhos... Obrigado !!!




DEPOIS DO PASSEIO NA FAVELA DA "ROSINHA", APRESENTO "O PÃE DE SANTO"








Continua a saga dos erros de português na imprensa italiana que terminam por se transformar em gostosos duplos sentidos.

Hoje, na revista "La Repubblica delle Donne", saiu uma reportagem de três páginas contando a vida de um travesti brasileiro que se prostitui em Milão. Ainda bem que não usaram a palavra "viados", que é como eles chamam geralmente os tantos travestis que saltitam nas grandes cidades da Itália e que agora começam a aparecer também por aqui na província ("ele é um viados", falam assim mesmo, no plural).

É uma das tantas histórias, daquelas que já escutamos um monte vezes, de gente que escolhe ou é obrigado a prostituir-se no exterior e, com o dinheiro que ganha, sustenta numerosa família no Brasil.

Eu gostei da Cláudia. Gostei da sua cara risonha e da coragem de mostrar-se pro mundo (mostrando também grande tino comercial, publicizando o seu "negócio"), contando de como com o dinheiro que ganhou "na vida" já comprou 3 casas na Bahia e abriu um cabelereiro prá sua mãe. Não me importa nada se ela(e) usa o sexo prá estar bem na vida: eu não conheço ninguém aqui que daria emprego a um travesti. Ela(e) tá bem assim ou não consegue/quer fazer de outro jeito? Tô muito feliz com isso. Afinal, todo mundo sabe que uma grande quantidade de homens frequentam os travestis mas não teriam nunca coragem de sair "de bracinho" com um. A prostiutuição não vai acabar se eu disser que é uma coisa ruim. Ruim é ter a sensação do corpo vendido, do amor negado, do dedo apontado na rua. Ruim é tudo aquilo que infelizmente, gravita em torno daquele ambiente que humilha, escraviza e desmoraliza. Ruim é ver o que um ser humano tem que passar na vida prá poder ser o que realmente é.

Cláudia é baiana e do candomblé. O repórter, durante toda a entrevista, lhe chamava de PÃE de santo. O que é? Só porque é um travesti misturou as bolas?

Com vocês, Cláudia.


NA BATALHA





NA BAHIA






NA CAMINHA


O tá de cama.
Então vou cantar uma musiquinha, bem baixinho, prá ver se melhora o astral...
Levanta aí, Zé! A jaca tá te esperando!


Corra e Olhe o Céu
Cartola - Dalmo Castello


Linda
Me sinto mais bela
E fico na espera
Me sinto tão só, mas
O tempo que passa
Em dor maior, bem maior

Linda
No que se apresenta
O triste se ausenta
Fez-se a alegria
Corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom-dia
Ah, corra e olhe o céu
Que o sol vem trazer
Bom-dia





ARROZ COM TERRA


Quem renovou o blog foi o Pani... desde que voltou da Bahia andou meio sumido, deixando a gente na saudade. Pegou preguiça, meu rei?




SÓ AS CACHORRAS


Não aguento mais a Pipoca. Por mais que me esforce, ela não consegue aprender quase nada. A pior coisa é que continua latindo por tudo e por nada, já fiz tudo o que disse o adestrador mas acho que ela é burra mesmo... eu nunca vi um cachorro latir prá televisão, prá cortina que se mexe com o vento e pros carros que estacionam do outro lado da rua. Ontem até chorei por causa dela: conseguiu se enfiar entre as grades do portão e fugiu. Por uma dessas coincidências da vida, eu estava na loja conversando com um cliente e vi aquela sombra passar na calçada. Foi um sacrifício convence-la a entrar, quando ela viu o cliente, um homão enorme e todo vestido de preto, saiu correndo de novo e parou bem no meio-fio, enquanto na rua os carros passavam em disparada. Quase tive um treco.
Sinto muito, mas nunca mais pego cachorro adulto no canil.




VOU DORMIR


Hoje foi um dia estressante. Preciso urgentemente afundar no travesseiro.




Quinta-feira, Dezembro 09, 2004


O CHATO DE GALOCHAS


Quem não conhece um chato? Eu conheço um que vale por dez. O chato é antes de tudo um grande mal-educado; é invadente, cara-de-tola, garganta e babaca. E pior de tudo, crente que tá abafando. E ainda fala gritando e gesticulando. Que chato.

Quando o chato chega perto do grupo, é um tal de cutucar e dizer iihhh... e mesmo se a conversa tá animada, de repente fica todo mundo sem assunto. O único que ainda tenta reanimar a conversa é o aprendiz de chato: é o chatinho que acha graça em tudo aquilo que o chato faz. Aí é hora de se mandar: quando o chato encontra platéia (mesmo se é de um único indivíduo) é uma chatice só.

O pior é quando é quase impossível se livrar do chato; ou ele é um da família, que a gente é obrigato a aturar.

Quando fui apresentada ao chato, depois de dois minutos já estava enquadrado na minha lente anti-chato. Logo me deu um aperto de mão que durou mais do que devia e, esmagando meus dedinhos, começou a conversa dando umas três cotoveladas enquanto dizia: "Brasileira, hein? Ha, ha, ha, mulheres do sangue quente... Ha, ha, ha, conheci muitas brasileiras na Suiça, ha, ha, ha, um monte de bailarinas...".

Humpft...

Este chato é um esnobe. Ele acha que só o que ele tem é do bom e do melhor. Só bebe Don Perignon (até no café da manhã, diz ele). Troca de celular umas 5 vezes por ano, o PC dele é sempre o último modelo, o banheiro dele é de mármore de Carrara e é a maior chatice quando ele começa a falar do seu Mercedes. A última vez que ele trocou de carro, passou em todas as casas da família prá se pavonear.
Não esqueço mais o dia em que ele quase me matou só para provar que os freios de última geração da sua "máquina" não decepciona nunca: eu estava limpando os vidros da loja, esticada no último degrau de uma escada, quando ele subiu na calçada em velocidade e freiou a 1 milímetro da escada... eu levei um susto fenomenal e as pessoas que estavam no ponto do onibus em frente da minha casa ficaram paralizadas. O chato desceu do carro morrendo de rir e eu mandei ele tomar no cu. Bem histérica. Ele ainda ficou com raiva e me chamou de mal educada!!! Ficou até sem falar comigo por uns tempos. Que alívio.

Outra vez, num churrasco, colocou uma bomba dentro da lata que estourou bem do lado de um parente que dormia. O cara teve que ir pro hospital e até hoje tem problemas no ouvido. O chato diz que as pessoas não aguentam brincadeiras.

O chato é italiano, mas como trabalha na Suíça só fala assim: "porque NÓS, na Suíça... porque NÓS que SOMOS suíços...". Maior complexado.

Ele é ignorantão: não lê nem o jornal que vem no embrulho dos ovos e não consegue manter uma conversação; o seu ûnico interesse é falar de dinheiro (ou de quanto pagou por cada objeto que ele tem) e de diminuir o que os outros têm.

Quando chega o Natal, é um grande problema se livrar do chato. Ele vai na casa de todo mundo mesmo sem ter sido convidado. Chega criticando desde a árvore de Natal até o espumante que lhe oferecem ("obrigado, mas eu só tomo Don Perignon, aceito um copo de Evian fresca, se tiver"). Tem gente que faz festa escondido só prá não ter que convidar o chato.

Ainda assim, o chato conseguiu casar. A mulher do chato também é chata, daquelas que ficam prá titia e criticam tudo. Acho que foi por vingança que ela casou com o chato, o pai dela não deixava ela sair de casa e nem frequentar amigos. Ela não tinha conseguido casar e era ainda donzela aos 43 anos: "só dou prá quem merecer", dizia. Mereceu o chato.

Ninguém merece.

Agora o chato tá na boca de todo mundo. Descobriram que além de chato, é trambiqueiro. Todo aquele estilo (falso) de vida o obrigou a grandes acrobracias financiárias. Vai daí, que depois de um enorme desfalque nos cofres da família, descobriu-se que também tinha enrolado a mulher, fazendo ela passar todos os bens (móveis e imóveis) pro nome dele.

Tá todo mundo puto.

Ele, como se nada fosse, já telefonou dizendo que encomendou a caixa de Don Perignon e o Beluga pro Natal.

Eu fico só rindo, doida prá ver o circo pegar fogo.

Enquanto isto, o chato continua enchendo o saco...




O NOME CERTO DA FAVELA? DISSERAM AQUI...





TRADUÇÃO...

Que fim que fez a garota de Ipanema
Lina Sotis - Corriere Magazine de 9-12-04

Rosinha é a maior favela do Rio de Janeiro. Suas casas e barracas se agarram ao morro bem em cima do quarteirão dos ricos. Ali embaixo, mas embaixo mesmo, em uma mansão mega-galática, com um jardim chinês até com uma pontinha, vive Lily Marinho, a viúva do homem mais rico da cidade. Rosinha está bem em cima da sua cabeça, uma cabecinha com o rosto alisado pelo grande Pitanguy. Rosinha tem 160 mil habitantes, 70 mil segundo o governo que tenta abaixar as cifras do desconforto. Na casa de Lily tem uma atmosfera quietamente engessada, mas a poucos minutos dela enlouquece uma dolorosa, alegre, desesperada festa contínua. A rua principal de Rosinha é a rua no. 1, considerada a estrada principal onde tem 4 barbeiros, uma quantidade enorme de cabelereiros, pensões, tudo com um ar improvisado e familiar e um asilo superlotado de crianças que correm ao redor de brasileironas, manequim forte, que não têm nada a ver com as brasileiras de Ipanema da nossa imaginação. Mesmo se Adriana Lima, a capa do calendário Pirelli, vem de uma favela da Bahia, onde se aninham quase todas as belas. Na Rosinha tem um ambulatório com 7 médicos, dos quais 3 pediatras, onde há 22 anos é chefe a extraordinária Mariliana que se ocupa de vacinar e curar os pequenos e grandes. O ambulatório é sempre cheio como a Casa da cultura onde trabalha Soca. A Casa da cultura é pintada toda de cor-de-abóbora e Soca veste ma camiseta cor-de-abóbora porque também na favela se cuida da imagem. Ao norte, arrampicadas nas montanhas, estão as refinarias de cocaína. Se chega alguém, estouram os petardos para advertir o perigo: parecem os tambores dos velhos filmes com os índios. Girar com Soca por Rosinha é uma experiência forte. Em tanta pobreza, a coisa mais desejada é um banheiro reluzente e azulejado. Quando deixe Rosinha e volte ao grande hotel Copacabana, onde os bonitões e bonitonas saboreiam entediados os seus drinks, se percebe de como são mais alegres os pobres do que os ricos. É um bonito retorno aquele da Rosinha. Difícil esquecer aquela desesperada alegria.



E o Garotinho, ela não viu???




Terça-feira, Dezembro 07, 2004


TREMILIQUE

Sábado a noite. Passei horas decidindo o que fazer depois das nove: comer os dois maracujás que repousam na geladeira e cair num sono profundo; ler umas páginas de Umberto Eco e cair num sono profundo; ver a programação da tv de sábado a noite, vomitar e depois cair num sono profundo. Me rebelei. Botei o casacão por cima do pijama mesmo e fui na Blockbuster pegar uns filminhos. Quatro: Dogville, I Diari della Motocicleta, Prima ti Sposo, poi ti Rovino e Troy (obviamente, coloco os títulos em italiano porque não tenho idéia de como sejam em português... a maioria dá prá adivinhar). Decidi passar mesmo a noite acordada e comecei a armar o circo: fiz um sacão de pipocas no microondas novo, duas latinhas de Coca na geladeira, uma fationa de bolo de chocolate com cobertura de chocolate e recheio de chocolate (depois peço a dieta do Bussunda), travesseiro, cobertor e cachorro... que sabadão!

Às cinco prás três da manhã, já no final do Diário da Motocicleta, sinto o sofá que treme... ai, mio dio, um terremoto de novo? Sòzinha em casa, morrendo de medo, abro a porta e (como sempre) ninguém. O medo vem sempre depois, pela incerteza do que pode vir... mesmo assim voltei pro sofá mas perdi a tranquilidade.

No dia seguinte, comentando com as pessoas, ninguém tinha sentido o tremor (dormiam) e eu fiquei na dúvida se não foi uma impressão. A coisa me incomodou tanto que resolvi telefonar pro centro sísmico aqui da minha cidade: o rapaz que atendeu disse que teve um terremoto às 2:55 na Alemanha! Disse também que eu fui a única pessoa a telefonar perguntando e que a terra tremeu mesmo aqui.

Mais esta.




O BRASIL AQUI


Duas publicidades com modelos brasileiros no momento aqui: a TIM com Adriana Lima e Chanel n° 5 com um quase curta-metragem, com a Nicole Kidman e um cara muito lindíssimo, sexy e gostosão (mas muito novo prá mim) que sei que é brasileiro mas não sei o nome.




NOVIDADE


Cortei os cabelos e fiz umas mechas douradas. Bem árvore de Natal.
Uffa, começaram já as musiquinhas de jingle-bell e o escambau.
Vou comprar um saco, me enfiar dentro e sair somente no dia da Befana.




Quinta-feira, Dezembro 02, 2004


DIA DO SAMBA



Oba-oba!
Dia frio, coração quente.
Na minha, na minha, hoje escutei um monte de músicas. Mesmo sem poder cantar pois estou com uma nelvragia do cacête, balancei as carnes com vontade e, prá variar, dei umas choradinhas de saudades... Fiquei na maior dúvida sobre qual samba colocaria aqui: tem muita coisa linda de ontem e de hoje, mas resolvi seguir o meu sentimentalismo suburbano quando escutei Arlindo Cruz e Sombrinha cantando a linda homenagem que João Nogueira fez pro bairro onde fui criança e cresci, onde deixei um pedaço de mim que tenho certeza vou voltar prá buscar...



ALÔ MADUREIRA
(João Nogueira)


Alô Madureira!
Vou cantar prá exaltar
coisas simples do meu verso
pois só o simples é belo
e o belo simples será.
Madureira...

Uma bola de gude e uma atiradeira
Madureira
Papagaio empinado e pião na fieira
Madureira
Um garoto levado pulando a fogueira
Madureira
E o sorriso da moça que é namoradeira
Madureira
Uma água de coco, uma rede, uma esteira
Madureira
Por detrás da janela, uma lua, uma estrela
Madureira
Um golinho de cana como abrideira
Madureira
Um tutu com feijão e uma couve à mineira
Madureira
Uma água rolando lá na cachoeira
Madureira
A vela que se acende na segunda-feira
Madureira
Uma reza rezada pela rezadeira
Madureira
O pedido da mão de uma moça solteira
Madureira
Um chinelo de couro comprado na feira
Da mulata que samba mexendo as cadeiras
O Império Serrano de Silas de Oliveira
Tradição e Portela do João Nogueira
Madureira...




Paz na vida de todo mundo.





Roda de Samba - Di Cavalcanti





Quarta-feira, Dezembro 01, 2004


ESKROTINHOS


Gente... quando vi a letra desta musiqueta (post anterior) me deu vontade de sumir! Como pode fazer sucesso um horror assim? Falando sério, prefiro escutar Waldick Soriano cantando "Eu não sou cachorro nãããão". Maior profundidade de sentimento, dor de cotovelo e amor rejeitado. Aquilo ali? O que tem?

Tá bom, se neguinho me diz que é a 'massa' é quem determina o sucesso ou não dessas baboseiras, nem quero pensar que 'massa' é essa. Ihh... acho que começo a ter aqueles papos de velha... tipo "no meu tempo"... mas que dá pena desses meninos que se entopem com essas inutilidades, isso dá.

Deixa prá lá.




SE FALA POUCO, MUITO POUCO


Hoje, nos lembram que temos que falar de AIDS.
Um dia só é muito pouco.
Os números do avanço imperturbável da epidemia já diz tudo.






CABEÇA VIRADA ou OUSADIA NÃO TEM LIMITE

Chateada, comi uns dois chocolatinhos mas não deu resultado. Me deu vontade de sair da toca, assim sem rumo, só prá quebrar a rotina. Desliguei o ferro, catei bolsa, guarda-chuva e casacão e bati as asas. Fora, vento gelado e chuva fininha me fez lembrar que o mundo existe. Comprei um par de sapatos de inverno, forradinho com lã de carneiro, parei no bar e tomei um cappuccino, passei numa boutique e comprei uma calça comprida exageradamente cara e linda, mesmo sabendo que vai ficar lá estacionada no armário esperando o dia que alguém me chame prá sair.
Só paguei o cappuccino. O resto trouxe a conta prá casa e mandei o patrão ir amanhã pagar - as duas lojas são na minha rua, tudo gente conhecida (vantagem de morar na roça). Marido teve uma crise histérico-pelancal.
Finalmente, uma reação...
Voltei a passar roupa como se nada fosse. Tra-lá-lá...




PIADA SUJA, POLITICAMENTE INCORRETA E COM PALAVRÃO.
ESTÃO AVISADOS, NÃO ACEITO RECLAMAÇÕES



A Fanha

A fanha foi ao baile e lá conheceu um cara. Conversa vai, conversa vem, foram para um motel. Depois das preliminares, ela disse:
- Vohê habe, eu hosto de apanhar um houco anhes de huder. Enhão, bahe um pouhinho na miha bunha?
O cara responde:
- Pode deixar que eu te dou umas boas palmadas nessa tua bunda gostosa.
Foi um tapa, dois, três... e a fanha diz:
- Bahe mais fohe.
E ele bateu mais forte. Ela:
- Bahe mais fohe!
E o tapa foi poderoso.
- Bahe mais fohe!!!!!
O cara achou estranho, mas usou toda sua força para um baita tapão no traseiro da gata. Não satisfeito, pegou o chinelo tamanho 44 e mandou ver na bunda da fanha com toda força. Aí, a mulher levanta cambaleando, pega uma pedaço de papel e uma caneta da bolsa e escreve: Ô Imbecil! Bate, mas fode!!!!!!



Uha-ha-ha-ha! Tava mesmo a fim de falar bobeira!






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