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Segunda-feira, Setembro 26, 2005


Hoje eu não quiz saber de nada. Não arrumei a casa, nem fiz almoço.

Agarrei o cachorro e fui pro meio do mato.

Andei no bosque, catei castanhas, comi polenta com cogumelos.

Bebi meia garrafa de vinho.

Voltei prá casa e dormi na cama ainda em desalinho.

Saí de novo, fui prá uma festa no meio da rua.

Comprei queijo, uma cobra de pano, mel e uma pulseira nova.

De novo em casa, de novo polenta (com gorgonzola)

O dia foi bom, eu estou bem.

A unica coisa que falta é alguém que me faça as unhas dos pés...







Quarta-feira, Setembro 21, 2005


Zzzzzzzzzzzz......



Hoje, indo prá escola, peguei no sono no onibus e o motorista teve que me acordar quando viu que eu não levantei prá descer no meu ponto. Já falei das vantagens de morar em Chico City: muita gente sabe o que você faz durante o dia e é só fazer alguma coisa fora do normal que, pimba! Chega um e te bota nos trilhos.

Pois é, ando enrolada com a danada da "tesinha" (assim se chama realmente, pois "tese" somente na universidade). Ainda não falei? Se podia escolher de fazer em grupo ou em solitário. Eu resolvi fazer sozinha, por vários motivos:
1 - não tenho tempo para ficar indo e vindo pelas casas dos outros componentes do grupo para poder realizar a coisa. Imaginem que até agora tem grupo que ainda não conseguiu entrar num acordo prá dividir as tarefas;
2 - não gostei dos assuntos escolhidos pelas outras pessoas: todo mundo falando de velho e de doença de velho e de como tratar o velho. Eu não pretendo trabalhar com idosos, eu não quero falar de Parkison e Alzeihmer e achei tudo uma mesmice;
3 - já começaram a brigar no dia que começaram a organizar os grupos. Já sou estressada pelas minhas pelancas e não estava a fim de aturar pelanca alheia;
4 - eu queria falar de alguma coisa da área psiquiátrica ou afins e ninguém queria. Demorei a escolher meu tema e decidi por "Síndromes Depressivas", na minha opinião, uma coisa atual e interessante, com muitas ramificações boas de desenvolver;
5 - prefiro tirar nota boa ou ruim dependendo dos meus próprios esforços; fiz numa boa trabalho de grupo durante o ano escolástico mas acho que o trabalho final deve ser individual.

O engraçado é que no começo eu fui a única a tomar esta decisão e neguinho ficou me olhando de lado. Agora, que o tempo passou uma outra pessoa abandonou o grupo e outras se arrependeram de não terem feito sozinhas antes.
Aconteceu o que acontece em todas as relações: desgaste puro. Principalmente nos casos de convivência temporária, onde todo mundo sabe que depois que acabar o curso vai cada um pro seu lado, algumas amizades podem resistir mas o grupo não será mais convivente.
Começaram a pesar as picuinhas e as antipatias, ainda mais que somos 18 mulheres e somente dois homens (coitados). A fofoca rola solta e depois do primeiro estágio ficou o maior clima estranho: algumas pessoas se comportaram mal com as outras, principalmente no sentido de procurar "passar por cima" e tentar "aparecer" prá depois conseguir uma vaga no ambiente do estágio. Maior guerra e maior fome. Imaginem que uma garota que fazia estágio comigo foi até falar para a enfermeira-chefe que eu e uma outra estávamos fazendo o curso somente por "noia" (mais ou menos, por não ter nada o que fazer), já que eu tinha um negócio e a outra é mulher de um dentista. Que cara de pau!

De qualquer jeito, eu também estou julgando e fazendo fofoca, contando estas coisas. Só que às vezes me canso desse tipo de gente, como provavelmente tem gente cansada de mim.



TÁ ROLANDO NO POMBAL


O caso da jararaca:
- ela sumiu (ué, quem se espantou?);
- mandou dizer pelo filho que pagou tudo mas jogou fora os recibos (só não rolei di rir porque não tinha espaço);
- a nossa advogada já começou a pedir dinheiro prá ir correr atrás da papelada;
- falei pro meu marido que eu não era presente quando esta coisa aconteceu e não serei presente quando tiver que botar a mão no bolso;
- ele começou a ficar preocupado;
- eu não quero mais saber de nada.


Vou estudar.




Sábado, Setembro 17, 2005


RISADINHA MINEIRA



Vô contá como é triste, vê a veíce chegá,
vê os cabêlo caíno, vê as vista incurtá.
Vê as perna trumbicano, com priguiça de andá.
Vê "aquilo" esmoreceno, sem força prá levantá.

As carne vão sumino, vai parecêno as vêia.
As vista diminuíno e cresceno a sombrancêia.
As coisa vão encurtano, vão aumentano as orêia.
Os ôvo dipindurano e diminuíno a pêia.

A veíce é uma doença que dá em todo cristão:
dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga, dói o rim, dói o pumão.
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.

Quando a gente fica véio, tudo no mundo acontece:
vai passano pelas rua e as menina se oferece.
A gente óia tudo, benza Deus e agradece,
correno ligeiro prá casa, procurano o INSS.

No tempo que eu era moço, o sol prá mim briava
Eu tinha mil namorada, tudo de bão me sobrava.
As menina mais bonita, da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia, chega o bichim desbotava.

Mas tudo isso passô, faz tempo ficô prá tráis
as coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz.
O tempo me robô tudo, de uma maneira sagaiz.
Prá falá mesmo a verdade, nem trepá eu trepo mais.

Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça.
Pega a muié, vai pra cama, aparpa, beija e abraça,
porém só faz duas coisa:
sorta peido e acha graça


Roubei da Gracilene.




Sexta-feira, Setembro 16, 2005


TERÇA-FEIRA, 13


07:30
Meio sonolenta, desço para levar a Pipoca prá fazer xixi. Abrindo a porta que dá para o jardim, uma enorme teia de aranha fria e pegajosa se agarrou na minha cara (em TODA a cara). Comecei a pular como uma doida e enquanto tentava limpar o rosto daquela nojeira, acabei matando a aranha com um tapa enquanto a pobre-coitada procurava fugir descendo pelo meu braço.

07:31
Corro pro banheiro prá me enfiar debaixo do chuveiro e meu marido não me deixou entrar: "estou muito ocupado, passe depois".

10:30
Entra na loja um homem de terno e pastinha na mão. Me preparo prá fazer o teatrinho imitando a estrangeira-que-trabalha-a-salário-de-fome e não pode comprar nada ("- non capixu, o padron non è aqüi, non denhero!") mas nem deu tempo: o cara abriu a 007 e despejou na mesa uma papelada e foi logo pedindo prá chamar o meu marido, dizendo que era da receita federal.
Eu fiquei branca, pois mesmo sabendo que meu marido é um maníaco pelo pagamento das taxas (ecco porque só vive duro), sei também que eles implicam até com uma vírgula, só pelo prazer satânico de dar multa.
Prá resumir, o sujeito veio nos avisar que deveríamos pagar a módica cifra de quase 180 mil euros!!! Façam as contas em reais e vocês vão cair prá trás, como aconteceu com a gente. Aqui, dá prá comprar uma casa (no Brasil, um bandeijão).
O caso é complicado: a ex-jararaca (leia-se ex-mulher) ficou com uma outra lavanderia quando se separaram. E durante 15 anos não pagou absolutamente NADA. Meu marido, tinha o 1% na sociedade, somente para não permirtir que ela vendesse o negócio sem o seu consenso. A loja não existe mais, ela não tem nenhum bem oficialmente: o apartamento comprado com dinheiro DELA, carro DELA e tudo o que tem na casa DELA está no nome do irmão!!!
Durante todo este tempo, ela recebeu as notificações da receita federal e, lógico, nunca disse nada a ele...
Adivinhem quem tem que pagar? E se não pagar pode até perder tudo o que tem, da loja até as cuecas?
O nosso advogado já está se ocupando da coisa prá podermos ver mais clara a situação.
Enquanto isto...
Adivinhem quem não consegue mais dormir? Eu ou ela?


14:30
Fui para a escola e tinha uma prova a surpresa de Direito. E não era de múltipla escolha.
No segundo tempo, o professor não veio e quando telefonamos prá saber o porquê, disse que a direção não tinha avisado que ele deveria ir. Barraco geral na secretaria da escola e depois fomos prá casa. Eu, com uma pontinha de felicidade por poder ter mais tempo prá adiantar o serviço.


18:30
Chego em casa e assim que entro na loja, sinto um fedor medonho de queimado. Estourou um tubo de água que estava atrás de uma caldaia. A água entrou no motor aceso provocando um curto-circuito que explodiu o ferro de passar.


18:31
Pensei ao suicídio; mas além de não achar a pistola, estava muito, muito cansada.




HOJE


A situação é a mesma. A jararaca não responde ao celular, ao telefone, à campainha. Já sabe de tudo e é capaz de sumir.

Eu entrei de corpo e alma na elaboração da minha tese. Tenho pesquisado e escrito até altas da madruga e não tenho espaço na cabeça prá mais nada. Decidi que esta coisa não está acontecendo comigo e somente assim consigo ficar lúcida prá continuar a rotina e dar apoio moral ao meu marido; sei que se me envolvo emocionalmente vai tudo pro beleléu e vai ser pior para todos.

E como dizia Scarlett O'Hara...
Rett, vai tomar banho!









Terça-feira, Setembro 13, 2005


Giornata da dimenticare.

Xó!!!







Segunda-feira, Setembro 12, 2005


Cheguei agora da casa do meu cunhado Andy Garcia. Fomos comemorar o aniversário dele mas já saímos de casa com vontade de voltar: o céu estava tão preto que dava medo e quando estávamos chegando lá, desabou um temporal impressionante. Pior foi quando voltamos... derrapamos com o carro e fomos parar dentro do mato. Ainda bem que foi só um susto! Eu comecei a rir de nervoso e também pelo efeito da grappa que eu tinha tomado...


O problema com a comunidade acabou de uma maneira inesperada! Depois das broncas que dei pelos palavrões, decidi cancelar os tópicos incriminados. Aí uma das meninas abriu uma outra comunidade com o nome de "Liberdade de espressão" onde o pessoal se transferiu prá continuar a meter o pau. Até eu me inscrevi prá quando me der vontade de descer a lenha em alguém, ir falar sem papas na língua.


Hoje de manhã, estava procurando um livro prá estudar e deparei com um livro da Juliana que eu já tinha lido algum tempo atrás. Se chama "Até as formigas, no seu pequeno mundo, ficam putas" (Anche le formiche nel loro piccolo s'incazzano - Gino & Michele) que é uma coletânea de frases de efeito e/ou engraçadas, ditas por gente conhecida e/ou famosa, tipo de bobeiras que eu adoro.
Traduzo algumas e depois coloco mais.


Assim como existem oradores gagos, humoristas tristes e cabelereiros calvos, poderiam beníssimo também existir políticos honestos. (Dario Fo)

Os dez mandamentos foram formulados em modo tão simples, conciso e compreensivel porque elaborados sem o auxílio de uma comissão. (Charles de Gaulle)

Invejava Walt Disney quando fazia desenhos animados. Se não gostava de um ator, podia simplesmente apagá-lo. (Alfred Hitchcock)

A América é o único país onde um pobre menino negro, crescendo, pode se transformar em uma rica senhora branca. (Insultos americanos - referindo-se a Michael Jackson)

A Natureza é fantástica! Milhões de anos atrás não suspeitava que deveríamos usar óculos. Mesmo assim, nos fez com orelhas. (Milton Berle)

Você percebe que está envelhecendo quando, abaixando-se para fazer o laço no sapato, te pergunte que outra coisa pode fazer, já que está abaixado. (George Burns)

Se você fala três línguas, é trilingüe; se fala duas línguas, é bilingüe; se fala uma língua, é americano. (Sonny Spoon)

Quero ter um crucifixo de criptonite. Assim manterei longe tanto Drácula como Superman. (Jack Handey)

A única coisa que pára a queda dos cabelos é o pavimento. (Maurizio Costanzo)

Não é toda merda que tem a sorte de ser promovida na velhice a esterco. (Stanislaw J. Lec)

Não sei dançar... mas não viu como se move o meu corpo? Parece uma fotocopiadora. (Woody Allen)

Quero somente um homem que seja doce e compreensivo. É pedir demais prá um miliardário? (Zsa Zsa Gabor)

Encontrei um turista idiota na Itália. Pensava que Vat69 fosse o número de telefone do papa. (Milton Berle)

O sucesso do cristianismo foi também um fato gráfico. Se Cristo, por exemplo, tivesse sido enforcado, não teria funcionado igualmente. Pensa se os fiéis, invés do sinal da cruz, tivessem que fazer o sinal da forca? (Romano Bertola)

A minha namorada não se limita a fingir os orgamos. Traz um gravador e os faz em playback. (Ronnie Shakes)

Se os povos, se conhecessem melhor, se odiariam muito mais. (Ennio Flaiano)

Parece que algumas pessoas fizeram a fila três vezes quando Deus distribuiu a idiotice. (Konrad Adenauer)

Do pó viemos e ao pó retorneremos. E os esquimós, granizo. (Boris Makaresko)

Que coisa é mais nojento do que morder uma maçã e achar um verme?
Morder uma maçã e achar meio verme. (Pino Caruso)

Mistério da vida: o que faz um nudista com as chaves depois que fecha o carro? (Jacob M. Braude)

Aquele rapaz é um drogado. Fuma tanta erva que a cada mês tem que podar o estomago. (Milton Berle)

Eu penava que fosse Deus, um Deus vivente. E cada um dos outros tres me olhavam e diziam: "Me desculpe, mas Deus sou eu". (Ringo Starr)

Salve, café da manhã! (Frajola quando se levanta e saúda Piu-Piu)

Penso sempre que no meu aniversário me façam uma torta enorme da qual sai uma mulher nua e gigantesca. Me dá uma porrada e volta prá torta. (Woody Allen)

A diferença entre um gênio e um idiota é que um gênio há os seus limites. (Anonimo)

Quem sabe quantas folhas de figo Eva teve que esperimentar antes de dizer: "Uso esta". (Anonimo)

Meu marido é alemão. Toda noite eu me visto de Polonia e ele me invade. (Bette Midler)

Deus não é morto. Está só procurando estacionamento. (Woody Allen)

Volto daqui a um minuto.
Assinado, Godot (graffito)

O mundo não é perfeito. Em um mundo perfeito, Mark Chapman teria matado Yoko Ono. (Daniele Luttazzi)

É errado julgar um homem pelas pessoas que frequenta. Judas, por exemplo, tinha amigos irrepreensíveis. (Marcello Marchesi)

Lápide do ateu: "Aqui jaz um ateo todo vestido bem e sem um lugar para ir". (Bob Phillips)





In italiano...

I froci sono tutti finocchi. (graffito a Genova)

Tutti quelli altri dei si chiamano Buddha, Allah, Giove, non so... lui, Dio! E che é? Se si chiamava con un nome più modesto era pure più simpatico... dice... sono Guido, non so. Non avrai altro Guido all'infuori di me, toh! Aiutati che Guido ti aiuta o... piove che Guido la manda! (Roberto Benigni)

Perchè si chiama Democrazia Cristiana? Perchè vogliono fare i furbi. Democrazia va bene, ma cristiana. Perchè? Come se io, per prendere i voti degli elettricisti, mi chiamasse democrazia elettrica... (Roberto Benigni)

Se siete d'accordo vorrei abbattere la Bonacorti con una fucilata. (Paolo Villaggio)

Una bellissima valletta ha rotto il fidanzamento con Berlusconi la prima volta che l'ha visto nudo. Le faceva schifo così senza portafoglio. (Gino e Michele)

Totó: Mia bella signora, qual è il vostro nome?
Signora: Mi chiamo Donatella Ossobuco...
Totó: Ossobuco? Che strano nome... Come si scrive? Con due buchi?
Signora: No, con un buco solo.

"Vuoi salire a bere qualcosa?"
"No, dai, scopiamo qui".
(Fabio Fazio)

Con Prodi la sinistra usa la stessa tattica di Stalin e di Lenin: L'utilizzo dell'utile idiota. (Silvio Berlusconi)

Io almeno sono utile. (Romano Prodi)

Sono integro e puro, non ho commesso peccati, nè di carne, nè di pesce. (Totó)

"E il grosso è fatto" come disse la madre di Ferrara mentre partoriva.
(Roberto Benigni)

E il Signore distrusse Sodoma e Gomorra ricoprendole di zolfo e di fuoco. E gli angeli in coro dissero: " Signore, passi per Sodoma, città di sodomiti, ma... perchè ha distrutto anche Gomorra?". E il Signore rispose: "Mah... Gomorra, città di gomorroidi... mi faceva un pò schifo!". (Giobbe Covatta)

Il pesce sega è sempre da solo, invece il pesce tromba in compagnia. (Francesco Salvi)

Te le immagini avere Israele al posto della Svizzera? (Marcello Marchesi)

Viaggiatore: "Quando parte 'sto cesso di treno?"
Controllore: "Appena si riempie di stronzi. Salga." (Gianni Ippolito)

Se un gatto a quattro zampe si mette a gattoni e un cane si mette a cagnoni, secondo te, come si metterà un coyote? (Zuzzurro e Gaspare)

Grazie, grazie... ma ora vi saluto perchè domani devo alzarmi presto per fare colazione. (Mago Forest)




Sexta-feira, Setembro 09, 2005


Parei agora. Tá chovendo chuva de pingo grosso e vento mas ao menos não faz frio. Hoje nem fui prá escola, matei aula por necessidade! Só eu mesmo... neguinho falta à escola prá ir bundear e tomar cerveja e a otária aqui prá trabalhar! Ixe.

O negócio è que fico entre a cruz e a caldeirinha: não quero relaxar com o trabalho porque odeio que o cliente não ache a roupa pronta no dia certo mas ao mesmo tempo, fico furiosa quando falto na escola e perco alguma coisa que depois pode me servir.
Ultimamente, o hotel aqui perto de casa (que é nosso cliente), anda fazendo essas brincadeirinhas de mau gosto de querer a roupa pronta no mesmo dia e me escangalha toda a programação da semana: eu tenho que párar com tudo e fazer somente a roupa deles. Imaginem que duas semanas atrás telefonaram num domingo e me trouxeram aqui uma montanha de roupa prá entregar de noite! Eu não tenho como recusar ($$$$$) e nem tive coragem de reclamar quando fui de noite entregar e soube que os donos da roupa só iam embora no dia seguinte de tarde e sabia que eles não iriam usar o que eu tinha lavado: eram todos os uniformes da seleção italiana de basket que tinha vindo aqui na cidade prá jogar somente no sábado.
Ontem, tocaram a campainha às 9 da noite pedindo prá lavar outra montanha de roupas e entregar hoje ao meio-dia. Só que às 11 telefonaram dizendo que podíamos fazer para amanhã... obrigado pelo aviso! eu já tinha acordado às 5 da manhã prá poder começar a passar tudo!
É vergonhoso ficar aqui reclamando... tá a maior crise por aqui e tenho que agradecer a todos os santinhos por ainda ter trabalho.
O negócio é que não consigo acostumar com este ritmo de vida frenético e às vezes me dá vontade mesmo de jogar tudo pro alto e.......... depois fazer o que?


Ah, tenho uma novidade velha. Aliás, duas.
Durante as férias, fui comprar umas farinhas, macaxeiras e guaranás (cesta básica da farofeira emigrante) e tinha uma brasileira na loja. Conversa vai, conversa vem, ela (sem saber com quem estava falando) me disse que lia o meu blog!!! Gente, que emoção conhecer um querido leitor! Além de tudo, um amor de pessoa (com marido, filha e mãe junto). Ei, C.... vê se aparece!
Depois conheci também a Adriana. Ela veio aqui em casa e até preparei um jantarzinho mixuruca, mas com muito carinho. Adorei te ver menina!

Falando em conhecimentos via web, algum tempo atrás eu abri uma comunidade no Orkut em homengem à minha segunda cidade (Varese). A bichinha ficou meio abandonada até que um dia eu fui lá e encontrei um monte de gente. Agora até conheci um rapaz (italiano apaixonado pelo Brasil) que mora aqui pertinho de casa e estou pensando em promover um encontro entre os membros da comunidade (espero, antes de ficar velha).

Esse tal de Orkut é viciante. Com o pouco tempo que tenho prá ficar na net, me chateia não poder participar mais dos debates na comunidade. Esses dias, tive que entrar mais vezes prá ver se conseguia aplacar uma discussão que surgiu na minha maior comunidade (Itália-Brasil). O negócio estava ficando incontrolável, baixaria e palavrão prá todos os lados. Dei uma passadinha mas não adiantou nada: o pessoal gosta mesmo de brigar na net. Só que eu não tenho saco prá ficar apartando briga, acho que cada um tem que se mancar e maneirar por si só (que ilusão).

Impressionante é a quantidade de besteirol que rola no Orkut! Morro de rir com as comunidades esdrúxulas e com a imaginação do povo prá inventar abobrinha. Todo mundo entra e parece que quanto mais o treco é inútil, mais o pessoal gosta.
Eu, de vez em quando, abro uma comunidade. Por enquanto, tenho:

Itália-Brasil (a mais concorrida)
Varese (decolando agora)
Il mio amore é "brasileiro" (abri dois dias atrás)
Operatore Socio-Sanitario (ninguém se interessou; as amigas entraram prá não deixar que fechassem)
Salta, Pipoca! (a comunidade da maluca da minha cachorra...)

Todas devidamente abandonadas de vez em quando, igualzinho a como acontece com o blog.
Alguém pode me dizer como consegue fazer post todos os dias, responder zilhões de mails, ler os blogs dos outros, acompanhar as comunidades do Orkut (sem falar nos Gazzag's e Multiply's que nem lembro que existe), responder os comentários, ler os jornais e ainda ter tempo prá viver? Às vezes eu acho que tem gente que vive na frente do PC...

Vou dormir.







Quinta-feira, Setembro 08, 2005


PRÁ QUEM AINDA TEM UMA PÁTRIA...




AS GUERRAS MENTEM

As guerras dizem de existir por nobres razões: a segurança internacional, a dignidade nacional, a democracia, a liberdade, a ordem, o mandato da civilização ou a vontade de Deus.
Ninguém tem a honestidade de confessar: "eu mato para roubar".

No Congo, no curso da guerra de quatro anos, que é suspensa desde o fim de 2002, são mortos não menos de três milhões de civis. São mortos pelo coltan, mas nem eles mesmos sabiam.
O coltan é um mineral raro e seu nome estranho designa a mistura de outros dois raros minerais chamados columbio e tantalio. O coltan valia pouco ou nada, até quando não se descobriu que era imprenscindível para a fabricação de telefones celulares, naves espaciais, computadores e mísseis; aí então ficou mais caro do que o ouro.

Os africanos chamam o petróleo de "merda do diabo". Em 1978 foi descoberto petróleo no sul do Sudão. Se sabe que sete anos depois as reservas já eram mais do dobro e a maior quantidade jorram no oeste do país, na região de Darfur. Ali, recentemente, teve e continua a ter um massacre. Muitos contadinos negros, segundo algumas estimativas cerca dois milhões, fugiram ou foram assassinados pelas balas, pelas facas ou pela fome, durante a passagem das milícias árabes que o governo apóia com carros armados e helicópteros. Esta guerra se traveste de conflito étnico e religioso entre os pastores, árabes e islâmicos, contra os contadinos negros, cristianos e animistas. Mas o fato é que os vilarejos incendiados e os campos destruídos eram onde agora começam a erguer-se as torres petrolíferas que perfuram a terra.

A negação das evidências, injustamente atribuída aos bêbados, é o maior hábito do presidente do planeta que, graças a Deus, não bebe nem uma gota. Ele continua a afirmar que a sua guerra no Iraque não tem nada a ver com o petróleo.
A obsessão contra Chaves? Não tem mesmo nada a ver com o petróleo da Venezuela a campanha delirante que ameaça de matar, em nome da democracia o ditador que venceu nove eleições limpas?
E os contínuos gritos de alerta para o perigo nuclear iraniano não tem mesmo nada a ver com o fato que o Irã tenha uma das reservas de gás mais ricas do mundo? Foi por acaso o Irã que lançou as bombas contra Hiroshima e Nagasaki?

A empresa Bechtel, com sede na Califórnia, havia recebido em concessão por 40 anos a água de Cochabamba. Toda a água, inclusive aquela da chuva. Apenas se instalou, triplicou as tarifas. Estourou uma revolta popular e a empresa teve que abandonar a Bolívia.
O presidente Bush ficou com pena e a consolou concedendo-lhe a água do Iraque. Muito generoso da sua parte. O Iraque não é digno de ser destruído somente pela sua fabulosa riqueza petrolífera: este país, irrigado do Tigre e do Eufrates, merece o pior. Até porque é a poça d'água mais rica de todo o Oriente Médio.

O mundo está com sede. Os venenos químicos apodrecem os rios e as secas os extinguem; a sociedade de consumo, consuma sempre mais água; a água é sempre menos potável e sempre mais escassa. Todo mundo sabe: as guerras do petróleo serão, amanhã, guerras da água.

Na realidade, as guerras da água já são em curso. São guerras de conquista mas os invasores não jogam bombas, nem desembarcam tropas. Os tecnocratas internacionais que põem os países em estado de assédio e exigem privatização ou morte, viajam vestidos com roupas civis. As armas, mortais instrumentos de extorsão e de castigo, não se veem nem se sentem.

O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, duas mandíbulas da mesma dentada, impuseram nestes últimos anos a privatização da água em 16 países pobres. Entre eles, alguns dos mais pobres do mundo como o Benin, Nigéria, Moçambique, Ruanda, Yemen, Camarões, Tanzânia, Honduras e Nicarágua... O argumento era irrecusável: ou entregam a água ou não terão mais clemência no pagamento do débito externo ou para novos empréstimos.
Os competentes do assunto tiveram a paciência de explicar que não faziam isto para desmantelar a soberania nacional, mas sim para ajudar na modernização daqueles países que dormiam no atraso por causa da ineficiência do Estado. E, se as contas da água privatizada não poderiam mais serem pagas pela maioria da população, muito melhor: certamente assim eles finalmente se acordariam daquela sonolenta vontade de trabalhar e da falta de desenvolvimento pessoal.

Quem comanda na democracia? Os funcionários internacionais da alta finança que ninguém votou?
No final de outubro do ano passado, um referendum decidiu o destino da água no Uruguai. A maior parte da população foi votar, com uma maioria nunca vista confirmaram que a água é um serviço público e um direito de todos.
Foi uma vitória da democracia contra a tradição de impotência, que nos ensina que somos incapazes de gerenciar a água ou qualquer outra coisa e contra a má fama da propriedade pública, desacreditada dos políticos que a usaram e maltrataram como se aquilo que é de todos não fosse de ninguém.
O referendum do Uruguai não teve nenhuma repercussão internacional. A grande imprensa não teve conhecimento dessa batalha da guerra da água, perdida por aqueles que vencem sempre e o exemplo não contagiou nenhum outro país do mundo. Este foi o primeiro referendum pela água e, até agora, que se saiba, foi também o último.

Eduardo Galeano no jornal "Il Manifesto" - Quarta, 07/09/2005




Domingo, Setembro 04, 2005


Ciao a tutti!

O que dizer? Acabaram as férias, voltei ao trabalho e à escola e tudo continua igual, ainda bem.

Ficamos por aqui mesmo durante este tempo sem trabalhar: dormi como um bicho-preguiça, botei um pouco de ordem nas coisas de casa e saí sem rumo quando o saco enchia de ficar em casa, apesar dos muitos dias de chuva torrencial em que a única coisa que valia a pena de fazer era ficar rolando na cama fazendo palavras cruzadas e comendo pipoca. Tá na cara que engordei, né?

Na volta à escola, tivemos a notícia que o pessoal da direção foi todo defenestrado, oficialmente porque sendo cargos políticos a rotação é obrigatória mas as más línguas insistem em dizer que a causa foi a incapacidade de gestão do staff e, com isto, anda perigando o nosso próximo estágio no hospital. Esperamos que tudo se resolva porque não vejo a hora de encarar o trabalho no hospital.

Acho que perdi um pouco o hábito da escritura, devagarzinho vou voltar ao normal (espero).






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