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Quarta-feira, Janeiro 31, 2007


PELOS PODERES DE GREYSKULL!

ou

BENVINDOS EM CRETINOLANDIA




Te juro. Queria ter superpoderes. Só iria usar prá dar porrada e quebrar os dentes de gente idiota.

Esta noite, acordei de madrugada com sensação que os anões de jardim da minha vizinha brincavam de

elástico dentro da minha barriga e em menos de dois mais dois, saí correndo pro banheiro onde passei maior

parte da noite tentando desatar os nós das tripas e lançando as mais terríveis maldições ao corpo de polícia da

minha cidade.


Jamais falarei mal da polícia daqui. Mas dos policiais do serviço de emigração, sim. Salvo um ou dois que

conheci mas que não trabalham mais lá: foram removidos certamente por excesso de competência. Porque lá

só pode trabalhar o policial das piadas, o burro, o ignorante, o sem noção, o brutamontes, o bundão, o

estúpido e o cagalhão (só prá não sair do tema).


Eu não preciso mais deles pois tenho o documento definitivo para ficar aqui mas, POR CAUSA DE UM ERRO

DELES, minha filha ainda não conseguiu tirar e, pelo andar da carroça, não vai conseguir.


Quando eles erraram, alguns anos atrás, eu protestei e fui tratada como a merda da ameba na frente de todo

mundo (tenho certeza que naquele dia, detrás do balcão, eles fizeram uma masturbação coletiva) e, muito

lerda, aceitei a promessa de que o erro seria consertado na próxima renovação.


Quando chegou o dia da dita cuja, eles fizeram outro barraco, negando que o erro tinha sido deles e dando a

culpa a mim, mesmo depois que consegui, entre um berro e outro dos energúmenos, provar com os papéis

na mão que eu tinha razão. Aí eles me fizeram tirar todos os documentos de novo, pagar outras despesas e

perder outro tempo para fazer o bendito documento. Dei entrada e depois de dois meses quando fui lá retirar,

o documento não era aquele!!!! Erraram de novo e eu não podia fazer mais nada até a próxima renovação,

que é agora neste mês.


Fui lá dar entrada e... abracadabra! Minha filha não pode mais fazer o documento porque no meio tempo ficou

maior de idade. Agora ela tem que fazer por conta própria e não há os parametros exigidos por lei, tais como

trabalho a tempo indeterminado (alguém aí tem?) e renda de não sei quantos euros que ela ainda não

consegue chegar.


Vou falar com um, me diz uma coisa. Vou falar com outro, me diz outra coisa. Vou falar com um terceiro, disdiz

o que me disseram os outros dois. Enquanto isso, já me chamaram de ignorante, já me bateram uma porta na

cara, uma policial me bloqueou com uma dedada no peito para que eu não subisse uma escada, que um

outro policial me mandou subir.

Uma veia do lado da minha testa começou a latejar e quando levantei o braço para apalpá-la senti um

inconfundível cheiro de suor azedo que emanava das minhas axilas: sinal que eu já tinha ultrapassado o limite

da minha suportação.

Fedeu, fudeu. Nervoso venceu.


Abro parentesis. A bem da verdade, duas semanas atrás eu fui falar em maneira privada (levada por uma

menina brasileira que o conhecia), com um policial que trabalha lá e ele foi muito gentil. Estou desconfiada

que foi somente porque nos encontramos neste contexto. Não serviu a resolver o problema mas serviu para

me abrir os olhos a uma coisa que eu não tinha percebido: eles se protegem entre eles! Fiquei surpresa sim,

acho que supervalorizei a integridade das forças de ordem daqui e acabei esquecendo que, afinal de contas,

fazemos todos parte do mesmo gênere nojento e corruptível, alguns mais outros menos, depende da ocasião.

Depois, falando com os outros, notei que o comportamento piora quando vem à tona o erro cometido por eles

e procuram me despachar logo com maior ignorância e tentando botar a culpa em mim (a senhora entendeu

direito? não é que faltava algum documento? isso nunca aconteceu! etc).


Decidida a não pronunciar mais a palavra "erro", pedi para falar com o chefe. A policial que me atendeu

pegou os meus documentos e pediu para esperar, que ia ver se tinha alguém com o chefe, mas aquela que

me deu a dedada barrou ela no meio do caminho e depois de dizer algumas palavras que não escutei mas

imagino, fez a mulher voltar e dizer que "o chefe estava ocupado". Eu disse que esperava. Depois de quase

duas horas, ela disse que ele não ia poder me atender.


Cheguei em casa com tanta raiva que minha cabeça explodia. Tive que assimilar todo o nervoso pois ainda

tinha que trabalhar e ser gentil com meus clientes. Não consegui comer e fumei o tempo inteiro, como uma

idiota.


Vou voltar com outra estratégia. Se não conseguir falar com o cara vou pedir um encontro com o chefe geral.

Já tenho também pronta uma carta para o Ministério do Interno e outra para o jornal da minha cidade.

Isso tudo porque eu não conheço ninguém.

Porque aqui, como ali, é tudo no balacobaco, no telecoteco, no borogodó, por debaixo dos panos.



Ou seria o caso de chamar eles?


Gustavo Malheiros


Segunda-feira, Janeiro 29, 2007


POR AQUI...


A crise das companhias aéreas atingiu também a Alitália, que vai a leilão hoje com um buraco fenomenal e
perdas de cerca 1 milhão de euros por dia.

Uma mulher provocou um infarte no marido depois de colocar duas pílulas de Viagra no seu copo de vinho,
na hora do jantar. O marido no hospital: eu perdoo ela; tenho sido um marido ausente, nervoso e há muito
tempo não procuro ela para fazer amor.
Mea colpa.

O Ministério da Saúde proibiu o uso de colares elétricos e o corte de orelhas e rabos aos cães.
Ao mesmo tempo, consolida a ordem do uso de focinheira e coleiras, além do seguro obrigatório para as 17
raças de cães consideradas perigosas. Entre eles o bulldog americano, o dogo argentino, o fila brasileiro, o
rotweiller e o pit bull.

A Região Lombardia é a primeira na Itália a considerar que a cefaléia é doença e que pode causar
aposentadoria por invalidez.



RIO ANTIGO










OSCAR WILDE, SEMPRE ATUAL


"O que é um cínico? Um homem que sabe o preço de tudo e não sabe o valor de nada."

"A diferença entre a empolgação e o amor eterno é que a empolgação dura mais."

"Meus gostos são simples: prefiro o melhor de tudo."

"Experiência é o nome que nós damos aos nossos próprios erros."

"A América é o único país que foi da barbárie à decadência sem passar pela civilização."

"O mundo é um palco, mas o elenco é ruim."

"Para ser popular é necessário ser medíocre."

"Quando eu era jovem, pensava que o dinheiro era a coisa mais importante do mundo. Hoje, tenho certeza."

"Uma coisa não é necessariamente verdadeira porque um homem morreu por ela."




Terça-feira, Janeiro 23, 2007


POR QUE EU GOSTO DELE?



Porque é o melhor.







Não sei de ninguém que seria capaz de descrever uma emoção assim:


COMER COM A MÃO

Comer com a mão
É estabelecer a relação
Gosto-tato.
Gozar
O axé do alimento
Ainda no prato
Antes de entronizá-lo
No céu do palato.

Amassar, amolgar
Molemente
O arroz, o feijão
Moldando o capitão
Gesto ritual primal
De afeição.

A boca vai ficando cheia dágua
Gruta orvalhada
À espera da consumação
Do ato.

Ao contrário do Homem
Bípede bobão
Que se lambusa na babugem
Da sua pretensão,
Os Deuses
Sacralizam o que comem
E exorcizam a fome
Com a mão.

Sem intermediação.


Nei Lopes





Segunda-feira, Janeiro 22, 2007


PELA SÉRIE: COISAS QUE NUNCA VEREI POR AQUI







VOCÊS VÃO DEIXAR???


O jornal italiano "Corriere della Sera" está fazendo uma pesquisa on-line perguntando quem é o melhor piloto de fórmula 1 de todos
os tempos.

O nosso piloto-já-morto está ganhando do vivo-por-milagre M. Schumacher. Mas como brasileiro só fica contente se vence qualquer
coisa humilhando o adversário...

VOTEM AQUI!!!

(via KibeLoko)





Quarta-feira, Janeiro 17, 2007


O RIO A-PERECEU AQUI!



Tão pensando o que?
Aqui também no frio do mundo nóis sabe das notícias do Rio! Hoje saiu no jornal um filminho mostrando as nossas belezas naturais.

Dá uma saudades de morrer (seja com metralhadora, bomba a mão ou incendio de onibus....)!




Segunda-feira, Janeiro 15, 2007




Mi sento così bella...


Calorias: pequenos animais que vivem
nos armários e que durante a noite apertam
a roupa das pessoas.





Domingo, Janeiro 14, 2007


VOCÊ SABIA? EU NÃO.



SPLOG: SPAMMERS INVADEM OS BLOGS

Outro dia percebi, fazendo uma pesquisa sobre meu blog no Google, que eram aumentadas as referências de acesso para o Farofa. Tinham alguns sitos que mostravam pedaços de texto do blog e outras tags esquisitas mas eu nem fui ver porque acho que estava com pouco tempo. Ultimamente, tenho recebido também (não)comentários no meu outro blog "Sem Ralo", em inglês, com acesso para outros sites e ontem saiu até um comentário dizendo: "não apague porque estou precisando de dinheiro" (!!!!).

Hoje, por acaso, vi este texto (em italiano) no sito da Symantec que revelou o mistério: estão criando blogs falsos para fazer propaganda!!!
A coisa é preocupante, já que os falsos blogs publicizam sites porn$grafic$s, de cassin@s on-line, etc... dos quais recebem dinheiro, dependendo do tráfego que conseguem "chamar".
Pelo que entendi, a coisa funciona assim: alguém um dia leu o meu blog e depois de algum tempo não sabe mais o endereço. Vai procurar no Google ou em qualquer outro lugar e coloca o nome do blog ou qualquer outra coisa que lembre. Hoje, se colocam "Farofa na Neve", aparece em primeiro lugar o link para o Farofa mas, em meio a tantos outros blogs que têm um link para cá, aparecem também os tais sitos que, devagarzinho, vão chutando as outras referências e chegando aos primeiros lugares. Até que um dia, se alguém procurar por "Farofa na Neve" vai encontrar lá o sito XXXXXXXXX que propagandeia qualquer coisa que não tem nada a ver com o meu blog. E ainda mais: os falsos blogs podem conter cavalos de tróia, spyware e vírus,
Pelo problema dos comentários que vi lá no "Sem Ralo" é a mesma coisa: fazem falsos comentários com links para os ditos sitos.
O artigo, chamou a atenção para o problema por uma razão mais importante do que a de querer que as pessoas leiam o que escrevo. Traduzo:

"Enquanto os splogs podem parecer somente uma chateação de menor importância para o dono do blog, o efeito geral do splog tem uma abrangência muito mais ampla. O que acontece quando todos os términes de procura são infestados destes splogs? Resulta muito mais difícil encontrar o objeto da procura e você não sabe mais em quem confiar".




SEÇÃO BOBEIROL


Uso a net prá dar risada. Olha só:

- na China, inventaram o sêlo (tem acento ainda?) de "porco ao agro-doce". Você compra o selinho prá colocar na carta, dá uma raspadinha e sente o cheiro do porquinho; depois, dá a célebre lambidinha prá colar o bichinho na carta e.... voilà! Nem precisa almoçar, o selinho tem o sabor do porquinho! Foi uma homenagem ao Ano do Porco...
Meu marido está esperando o selo ao sabor de chinesinha.




- tem uma empresa funerária que faz calendários para dar de brinde aos seus clientes (ops...). Fui lá dar uma olhadinha, já que italiano tem mania de calendário e aqui no final do ano é uma luta feroz pelo calendário mais original (até o Papa fez um esse ano...).
Fiquei maravilhada com as poses das meninas, bem à vontade em cima dos caixões (tá certo, um pouco barangas de cara, mas é só botar o saco na cabeça, né?) e escolhi prá vocês a pose que mais me deixou zuada: aquela do mês de dezembro. E o nome do calendário?



Não deixem de ver também os brindes e as edições passadas do calendário!






Sábado, Janeiro 13, 2007


PRIMEIRO AS VACAS PORQUE EU NAO QUERO FAZER SACRIFICIOS



Voltando ao assunto do clima e da situação desastrada em que se encontra o planeta, chama a atenção a notícia
que na Inglaterra, o Ministério do Ambiente advertiu os criadores de gado no sentido de limitar a emissão de gás
metano, responsáveis por cerca o 7% do efeito-serra e a mais de um terço de todo o metano emitido no ar.
Os puns das vacas podem ser reduzidos e transformados em biogás somente mudando a dieta dos animais.

Daqui a pouco os italianos acusarão o povo brasileiro de contribuir com o aumento do buraco de ozonio também.
Desde que cheguei aqui, quem-quer-que-seja faz sorrisinho sarcástico quando se comenta sobre o largo consumo
de feijão pela nossa população. Aqui, tem gente que evita de comer feijão por causa dos "efeitos colaterais"
provocados pelo vegetal e faz piadinha sobre a nossa feijoada. Eu, que já comia feijão na mamadeira nunca sofri de
tal disturbo, para convencer meu marido a comê-los com mais frequência, alego que os cozinho com louro,
eliminando assim o agente peido-provocador. De onde é que tirei essa idéia? Alguém sabe se é verdade? Se é um
efeito placebo, até agora deu certo.

Voltando ao "o que cada um pode fazer para tentar salvar o planeta", eu sou particularmente preocupada com o
fim da água potável. Os participantes da corrida maluca já perceberam há muito tempo que este problema será
daqui a pouco uma fonte de renda inesgotável e também um modo de dominar grande parte da população. A gente
continua sambando e tomando banhos quilométricos. Eu, particularmente sou uma daquelas que ficam debaixo do
chuveiro mais tempo do que o necessário e pretendo eliminar este hábito insano, assim como reduzir o consumo de
água dentro de casa e no meu trabalho.

Outra coisa é o uso indiscriminado do carro. Aqui é um problema de difícil solução pois além da boa-vontade
individual, é necessário um forte impulso da parte dos governantes. Todo mundo fala que é preciso deixar o carro na
garagem e se locomover com os meios públicos; pois é, mas cadê os meios?
Vou dar um exemplo: aqui, quem não tem carro, tá roubado. Se em uma família de 4 pessoas adultas todas
trabalham, esta família deverá ter ao menos 3 carros.
Aqui em casa o problema não se apresentou até a Juliana começar a trabalhar. Nós moramos e trabalhamos no
mesmo lugar e ainda assim me irrito com meu marido que, se deve ir no barbeiro que é distante cerca 400 metros
de casa, insiste em ir de carro. Mas ainda estamos abaixo da média: nosso carro tem 17 anos e 125 mil quilometros
rodados. Eis a prova prá quem não acredita que não saio nunca!!!
O trabalho da Juliana fica a uns 20 quilometros de casa e se pode ir com os meios de transporte (onibus de casa
até a estação do trem; trem; onibus da estação até o trabalho) mas somente se o turno dela permitir pois o primeiro
onibus passa na porta de casa às 6:30 da manhã (e o último passa às 20:00)!
Ora, se a maioria dos habitantes do meu bairro trabalhar como operário, com turnos de oito horas que começam às
seis da manhã... será obrigado a ir de carro. Transporte solidário? Hummm... são pouco aqueles que se prestam.
Sem contar com o atraso sistemático dos trens, que às vezes chega a ser de quase uma hora, apesar dos preços
proibitivos de todos os meios de transporte.
O resultado é um transito caótico, uma poluição constante e um aumento do número de doenças ligadas à baixa
qualidade da pureza do ar: cancêr, doenças respiratórias, stress, alergias, etc.

A pergunta fica no ar: com tudo aquilo que o homem batalhou correndo atrás do dito cujo progresso, é possível abrir
mão voluntáriamente de todas os confortos do dia-a-dia, em favor de um futuro melhor, antes que se chegue a um
ponto de não-retorno?
Se pode começar, fechando a torneira de manhã enquanto se escova os dentes mas também (e principalmente)
tomando consciência que a coisa tá mesmo feia e que isso é antes de mais nada uma questão de sobrevivência da
espécie.

Esperando sempre que este instinto inato ainda não tenha caído no esqueciômetro. Aí então a única solução será
mesmo inventar a vaca que não dê pum.


Leia o livro: Não verás país nenhum (Ignácio de Loyola Brandão)


GENTE QUE VEIO AQUI



Continua a saga dos desesperados que querem resolver seus problemas com as minhas simpatias (he he he... tão roubados).
Durante a semana, recolhi essas pesquisas:


"simpatia para atrair mulher"

"simpatia para atrair alguém a mim"

"simpatias para conseguir as coisas"

"simpatia pra perder barrriga"

"simpatia para rolo virar namoro"

"simpatias para fazer na segunda-feira"

"simpatias para a mulher parar de roncar"



Pérolas do dia:

"pra que serve costurar a boca do sapo"

"o que significa sonhar com cocô?"





AINDA TEM TEMPO!!!



Ontem, sexta-feira 12 de janeiro, inverno total e temperatura de 18 graus. Só não saí de casa sem casaco porque soprava um vento enjoado
debaixo de um estranho sol quase quente. Janeiro a 18 graus? Onde é que nós estamos? Prá ter idéia do espanto é como se no Rio,
em pleno janeiro, a temperatura fosse appunto de 18 graus.

O tempo, acompanhando as pessoas (ou será o contrário?), também está endoidecendo.

Acabei de passar lá no Allan e soube de uma campanha. Vá lá!
Um pedacinho aqui, outro ali, todo mundo junto, pode ser que ainda dê tempo de sobreviver um pouquinho mais!



COMO SE NADA FOSSE...


... a vida continua. Tra-la-lá.




DA IMPORTÂNCIA DO GRÃOZINHO DE AREIA NO DESERTO


Na noite do 31 de dezembro, recebemos o convite de um amigo para jantar no restaurante dele.
Coisa informal de última hora, tipo reunião de quem não tinha o que fazer na noite de fim-de-ano. Éramos em
nove, o dono da "festa" fechou o restaurante e preparou um monte de coisinhas gostosas que comemos devagar,
batendo papo, rindo e esvaziando as garrafas. Viemos prá casa lá pelas duas da manhã e capotei na cama ainda
de cara pintada, morrendo de cansaço pelo esforço de tanto levantar o copo depois de um dia de trabalho nervoso
e movimentado.

No dia primeiro levantei nem sei a que horas, comi uma maçã, rodei um pouco pela casa olhando o monte de
coisas que tinha prá fazer e enquanto pensava por onde começar, adormeci de novo.
Acordei com a campanhia de casa e recebi a notícia da morte de uma pessoa querida.

Foram dez dias de um entrelaçar de rir e chorar, a alegria de relembrar e a dor da perda. Nosso amigo morreu no
exterior e foi esse o tempo de espera para a sua chegada. Anteontem nos despedimos dele.

Grão de areia no deserto, gota de chuva no temporal, infinitamente pequeno no meio da imensidão. Mas não é
verdade que não somos nada: um grãozinho de se mexendo, é capaz de movimentar um monte de areia ao lado dele.

Ciao F.




A CORRIDA MALUCA


e veio o lobo e soprou, soprou, soprou...
mas a casa era feita de pedras, tão segura
que o lobo perdeu as forças de tanto soprar
e desistiu de perseguir os porquinhos
indo procurar comida em outro lugar.
(Os Três Porquinhos - Irmãos Grimm)



Mas ainda se contam fábulas às crianças de hoje? Lembrando daquelas que escutava quando era criança e que
depois recontei à minha filha, penso que mais do que nunca até nós, os crescidinhos, estamos precisando reler
algumas delas.

Estamos perdendo a noção do bem e do mal, se sabe. As fábulas foram substituídas pela realidade dos nossos
dias que cada vez mais nos contam de um cerumano que ultrapassa todos os confins do imaginário fabulesco,
que disputam entre si numa corrida de categorias com prêmios ao mais malvado, ao mais idiota, ao mais
sanguinário, ao mais feladaputa.

A corrida de maior participação é aquela que reúne todas as categorias, onde o atleta pode abrir mão de qualquer
valor moral ou espiritual que seja; onde não existe um cronometro, assim ele há um tempo indeterminado para
poder provar que é capaz de destruir sem limites e onde, melhor de tudo, o público pagante não pode interferir,
interromper ou questionar os atletas.

Eu acho que estão colocando anestesia no leite. Ou então alguma coisa que nos faça criar uma couraça mental
que nos deixa sim, de boca aberta quando vemos as coisas horríveis que acontecem, mas que aciona a válvula
do "esqueciômetro" e depois de alguns dias já não se sente mais nada. Já não tem mais vontade de reagir, de
protestar. Esta válvula é indispensável para a nossa sobrevivência, imaginem que sem ela ficaríamos sentindo e
revivendo os traumas pelo resto da vida mas se super-estimulada como tem acontecido ultimamente,
corremos o risco de ficar cada vez mais insensíveis, de assistir à corrida e acabar torcendo, invés de tentar pará-la.


Relembrando fábulas: AQUI




Quarta-feira, Janeiro 10, 2007


"Occhio per occhio... e il mondo diventa cieco"
Mohandas Karamchand Gandhi



Segunda-feira, Janeiro 01, 2007





Metamorfose Ambulante
Raul Seixas


Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator

É chato chegar a um objetivo num instante
Eu quero viver essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo

Sobre o que é o amor
Sobre o que eu nem sei quem sou
Hoje eu sou estrela amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
Eu sou um ator

Eu vou lhes dizer aquilo tudo que eu lhes disse antes
Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo









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