Alguém aí sabe como se livrar de gnomo?
Não suporto mais ter de conviver com essas criaturas que vivem mangando de mim e infernizando a minha vida.
Tenho dormido pouco. Todas as noites, quando estou entrando na primeira fase do meu merecido soninho, o gnomo-que-estala-os-móveis-de-noite se junta com o-gnomo-que-imita-o-barulho-da-chave-rodando-na-fechadura e se divertem em rodízio, ora estalando o móvel da televisão, ora fazendo tléc na fechadura da porta de casa. Meu coração dá um salto e bate em dolby-stereo, o sono vai prás cucuias e acabo rolando na cama até as 4, 5 da manhã quando, finalmente, consigo pegar no sono por uns bons 20 minutos, até a chegada do caminhão do leite, dirigido pelo gnomo-que-bate-a-porta-com-força, que pára bem em baixo da minha janela para fornecer o bar de frente.
Quando consigo driblar o gnomo-que-encheu-meu-olho-de-areia-quando-acordo (gnomo tem nome grande prá compensar a baixa estatura), estou atrasada e tomo um banho acordador (por sorte, nem sempre encontro o gnomo-que-acaba-o-sabonete), vou na padaria onde encontro inevitavelmente o gnomo-que-enche-a-padaria-que-estava-vazia-antes-de-eu-chegar. Ele está sempre acompanhado do gnomo-que-faz-acabar-o-rolinho-da-nota-fiscal e do seu irmão-gemeo, o gnomo-que-faz-o-telefone-da-padaria-tocar-depois-que-o-rolinho-foi-trocado. E eu ali.
Abro a loja. Atrás da porta, o primeiro cliente que vem acompanhado do gnomo-da-única-calça-comprida-que-não-passei, entre as 193 que fiquei até tarde passando na noite anterior. Mau sinal... o dia promete.
Depois de tropeçar em vários deles durante a jornada, recebo a visita daquele que mais detesto: o famigerado gnomo-que-faz-entrar-um-cliente-enquanto-estou-sozinha-e-resolvi-fazer-xixi. Esse é foda. Chega sempre quando estou (nas últimas) já me sentando no vaso e vem acompanhado dum tipo de cliente que detesto: aquele que mal abre a porta já vai gritando "c'è nessuuuuunoooooo?" (não tem ninguém?). Porcazza di una vaccazza, fico tentada de nem lavar as mãos e ir atender o apressadinho fazendo um carinho no rosto.
Mas nem todos são ruins por todo o tempo. Vocês viram que ultimamente apareceu aqui em casa o gnomo-desatador-de-nós-esquecidos e finalmente, depois de quase 12 anos, desatou o nó da compra da casa e já que estava aqui, desatou o nó do emprego da minha filha: depois de quase 4 anos trabalhando com contratos de merda, com tempo determinado, ela conseguiu um emprego fixo. O engraçado é que foi trabalhar numa empresa brasileira.
O gnomo só esqueceu de desatar o nó da minha viagem ao Brasil. Estou esperando a sua volta.
Soube que o nosso presidente passou um pito no povo brasileiro que
vive falando mal do Brasil. É mesmo um absurdo!
Principalmete prá quem vive no exterior, essa mania de passar uma imagem negativa do nosso amado Brasil parece mesmo coisa de gente que cospe na mamadeira que mamou.
Todos nós que, com certeeeeza, deixamos aquele paraíso terrestre onde estávamos no bem-bom-demais, para vivermos em outro lugares (piores, claro) e, de longe, metemos o malho em tudo por pura inveja, merecemos a perda da cidadania. Onde já se viu? Ele fez bem em dizer que nunca viu nenhum suíço falar mal da Suíça: eita povo patriota. Como fazem a viver num lugar daqueles e não ter nem coragem de reclamar?
De agora em diante, não vou mais abrir a boca prá falar mal de nadinha do Brasil e ainda por cima, vou começar a cagoetar quem ousar dizer um 'ai' da nossa terrinha.
Vou começar pela Itália. Olhem só o que eles tiveram coragem de escrever sobre o nosso país:
Vanity Fair Italia
Vou traduzir para que vocês fiquem indignados como eu fiquei:
FÉRIAS NO RIO?
FAÇAM UM SEGURO.
15.000 lenços brancos na frente do Parlamento para dizer basta com a violência: tantos quantos foram os mortos por amas de fogo no Brasil desde o início do ano.
Somente no estado do Rio, no primeiro trimestre de 2007, a polícia contou mais de 6 mil homicídios, 19 mil furtos de autos, 12.700 assaltos a mão armada, 5 mil agresões
a transeuntes e 112 estupros. No Rio, as pessoas estão tão assustadas que, de noite, invés de parar nos sinais vermelhos, prefere ir embora e arriscar um acidente.
Ô gente, isso não se faz...
Prá fechar com chave de ouro, publico uma foto que me deixou abalada quando vi.
Sem dúvida, trata-se de uma brasileira que estava para ir morar na Suíça e se refugia dentro do onibus, recusando-se a descer para pegar o avião.
A revista Limes, a partir de hoje nas bancas e livrarias, traz interessantíssima série de reportagens falando do Brasil. Vale a pena.
Veja a capa e o sumário AQUI
Vai começar o Festival Latino Americando no Forum di Assago.
Leia uma matéria que traz a programação brasileira AQUI Se quizer a programação completa, AQUI
Pois é, quem tiver juízo que não se meta com a justiça. E se cair na rede, se prepare
para longos anos de espera, de decepções com o sistema, de nós que não desatam,
de grana jogada pelo ralo e, principalmente, de incertezas: não pense que é suficiente
ter razão para vencer. Tem também que se armar de muita paciência e aprender a
perder horas de sono destrinchando o palavreado ininteligível do judiciário, suportar a
falta de tempo dos advogados para resolver a tua causa ao ponto de ser obrigado a
prender as rédeas da situação, fazendo o trabalho deles e se sentir um idiota ao
desembolsar a parcela salgada por um esforço que foi todo seu. Torcer nos dias das
sentenças que o juiz não te ache antipático, que não tenha brigado com a mulher na
noite anterior ou que não seja um conhecido do seu adversário (e é fácil num lugar
pequeno).
O que nos aconteceu 12 anos atrás foi a prova, se é que alguém tem alguma dúvida,
de que não se pode nunca imaginar as voltas que a vida dá.
Estávamos tratando para comprar a casa onde moramos e trabalhamos e depois de
muito penar com a proprietária, conseguimos chegar a um acordo razoável, já que meu
marido morava nesta casa desde o primeiro casamento (e lá iam uns quase 30 anos).
Preparamos o espírito para fazer o famoso empréstimo no banco e quando
resolvemos tudo fomos falar com a tal senhora para preparar a papelada. Chegando lá,
oh! surpresa, a véia não queria mais vender a casa e sem maiores explicações, quase
quase, nos enxotou para fora de casa dizendo que não deveríamos insistir.
Ficamos decepcionados porque nos sentíamos inseguros pagando aluguel e, com a
idade da véia (já pelos oitenta naquela época), imaginávamos que com a sua morte as
coisas poderiam se complicar com a entrada dos herdeiros e resolvemos deixar passar
outros dois, três meses, para voltar lá e recomeçar a tratar de novo.
Ai, ai, ai, nem precisou. Passados uns 15 dias chega um homem aqui em casa dizendo
que era o novo dono da casa e que nós tínhamos 1 ano para ir embora, de esperar a
carta registrada que já estava a caminho.
Imaginem o bafafá.
Telefonamos para a véia, que a essa altura eu já comecei a chamar de "vecchia
baldracca", e ela na maior cara lisa disse que 'aquele homem ofereceu mais para a
compra da casa'.
Imaginem de novo o bafafá.
Ora, desde que a lei é lei, qualquer imbecil sabe que existe o direito de prelação. Ou
seja, se o imóvel deve ser vendido mas é ocupado, tem que oferecer primeiro para o
atual inquilino e somente se este recusar, a casa pode ser oferecida a terceiros.
Conosco não aconteceu.
A única coisa a fazer era começar a recolher os pedaços de colhões esparpalhados
pelo chão e entrar na justiça confiantes na nossa razão.
Ah, ah, ah, ah, ah...
Aconteceram muitas coisas desagradáveis durante esses anos: prepotência, tentativa
de suborno, falsidades e até uma quase agressão física durante uma discussão na
porta de casa, onde eu, em pleno estilo 'suburban girl' abri a mangueira de água
gelada e botei prá correr o infeliz que insistia em querer entrar em casa para ver 'como
era dentro'.
Vencemos o primeiro processo na minha cidade. Vencemos o apelo em Milão.
Vencemos a cassação em Roma.
A casa agora é nossa.
Pena que ainda não conseguimos realizar os anos que ainda estão por vir para pagar
o empréstimo...
Tem nada não. A satisfação de ver aquela faccia da culo enrugada de raiva pela
derrota, não tem preço.
Olha a foto que tirei dele na saída do Tribunal:
Então, peço desculpas pela demora em postar. Temos trabalhado como uns mulos!
E quando penso em reclamar, lembro que a essa hora poderia estar sem casa nem trabalho
(ou pior, no Brasil ganhando salário mínimo), aí fico quietinha...
Mas a coisa mais chata é que quando consigo sentar e fazer alguma coisa no computador,
começa a relampejar forte! Já acontece há alguns dias e, prá variar, hoje também.
Então desligo tudo e vou me deitar no escuro antes que queime tudo como já aconteceu.
Adeus e-mails, blogs de amigos e leitura de jornais. Volto amanhã, relampagos deixando.