Farofa na neve
corner



Torradinha e gostosa


HOME

FAROFA MOFADA


Quero silencio.



Venho do Sol/a 
vida inteira no Sol/sou filha da terra do Sol...







daizaneves@libero.it


O Ponto de Encontro dos 
Blogueiros do Brasil


Informação & Inutilidade


Musibrasil






Berluscounter!



Kibe 

Loco





TENHO OUTRO BLOG:


Sem ralo



FAROFA ACOMPANHADA COM...


Ane y Alfredo

Aqueles Dois

Balzakiana

Bia Badaud

Bicho de Asfalto

Boteco da Julie

Camelo Manco

Caminhos e Movimentos

Carta da Italia

Casal Mikix em Toronto

Catarro Verde

Che Caribe - Uma viagem musical de Buenos Aires A Cuba

Coisas escritas e nem sempre faladas

Da Havaiana para a Bota

Dona Pedrinha

...EEEPA!!!

É um Infeeeerrrrno!

Esculacho e simpatia

Flor Canela

Fondue a Brasileira

Fora do Armário

Garimpando Beleza

InternETC

ItaliaNews

Jabuticaba no Pé

Lá longe

Lixo Tipo Especial

LuNY

Luz Rainha

Made in Napoli

Madureiras

mauramix...

Meu Lote

Mineirinha n'Alemanha

Namastê

NEGERIGELETSCHTEMPOIT

Notebook da Lucy

Observador

Pacamanca

Papelpop

Pensieri e Parole

RAMSES SEC XXI

Reverberaçoes

Rösti com Farofa

Sabelli Fioretti

Saborami

Sindrome de Estocolmo

Sottile

Spíndola Blog

Tra due Mondi

Vai meu Filho!

Wander Rodrigues



ORKUT
PERFIL


LINKS...


FOTOS DE VARESE

Varese Land of Tourism

Varese News

JB On-line

NoMinimo

La Repubblica

Dagospia.com

A B A - Associação Brasileira de Antropologia

Revista de Antropologia



ESCUTO...


MPB FM- RJ

Radio Popolare Milano

Radio Deejay

RadioNews de Varese



Quinta-feira, Agosto 30, 2007


PINDORAMA 2 - A GAIOLA DAS LOUCAS




Passamos dias maravilhosos na casa dos meus tios. Chamego da família por todos os lados e nem podia

pensar em alguma coisa que já estava ali na mão. O italiano deu um baque na produção de bananas do

estado da Bahia: começava o dia comendo mamão e continuava nas bananas prata que até fez aborrecer os

passarinhos do bairro que viam, dia após dia, diminuir a quantidade da fruta que meu tio pendurava no varal de

roupas destinadas a eles e aos sagüis. Também pudera! Ele passou toda a vida comendo banana d'água!


Veja ">AQUI os passarinhos comendo banana na corda.



Em cada lugar que íamos, ele comprava uma casa. Até uma cabana de palha em Arembepe, sem água e sem

luz, virou propriedade sua. Eu hein! Até parece que não me conhece... euzinha vivendo como a mulher de

Robinson Crusoé? Pode parar...

Viemos embora com ele fazendo projetos de viver no Brasil depois da aposentadoria. Prá mim é ótimo! Vou

ter lugar certo prá passar as férias hehehehehe....


Depois de apresentar as bananas, mamões, goiabas, genipapos (meu tio fez um licor delicioso), jambos, atas,

mangas, acerolas (que eu também não conhecia), carambolas e a famigerada jaca que eu propagandeava

tanto e acabei comendo pouca, decidi que era hora de largar ele por ali mesmo e me mandar para o Rio.

Achei que tinha chegado no Brasil somente quando vi a paisagem (digamos paisagem vai...) no trajeto do

aeroporto até Madureira. Uma leve paranóia me invadiu quando, parados no sinal, vi que se aproximavam uns

caras com um jeito de caminhar esquisito com uns troços pretos na mão e fechei o vidro bem na cara de um

deles. Ai que mico, eram apenas uns garotos querendo vender capas prá celular. Ufffa.


Tá bom gente, entendam que eu estou longe, fico muito tempo sem ir e ainda por cima vejo todos os dias o

jornal da Record! Falando sério, eu tava com maior medo de pegar uma bala perdida...

Tive somente uma semana para ver minha mãe e algumas pessoas da família. O pessoal que mora mais longe

e todos os amigos nem pude ver. Fiquei chateada mas já sabia que não iria dar tempo de fazer tudo. Não saí

prá me divertir e mal deu para comprar umas bobagenzinhas prá mim. Mas o pior de tudo foi a epopéia para

retirar uma merreca que tenho há anos parada na Caixa Economica Fuderal.


Apresentei-me cedo na fila da Caixa, documentos na mão, para dar entrada na papelada quando a mocinha

que pegava meus dados franziu a testa e disse que estava faltando um estrato do Itaú. Respondi que havia

consultado o site e telefonado da Italia somente para confirmar os documentos necessários e ninguém havia

falado nesse tal estrato. Aí ela falou: "Mas precisa. Vai ali no Itaú aqui em frente e pede. O próximo..."


Lá fui eu enfrentar outra fila quilométrica... Quando fui atendida, soube que para obter o tal estrato eles

precisariam de, no mínimo, 30 dias.

O queeeeeee? um mês para um papelzinho de merda?

"é sim. Precisamos fazer um pedido pra Caixa Economica e eles mandam o estrato para a agência Central do

Itaú. Depois eles mandam para cá e nós a chamamos".

Peraí um instantim: mas se foi a Caixa que me mandou aqui pegar o estrato!!! Como é que voces tem que

pedir prá eles, dar para mim e depois eu tenho que dar prá eles de novo? O que é? O samba do crioulo

doido?

"Minha senhora, é o procedimento. O próximo..."
.

Enquanto eu estava ali me perguntando o por que d'ela ter me chamado de "minha senhora" (o resto do

assunto era muito inacreditável para se pensar), uma garotinha sem dentes, que aparentava uns 13 anos, me

pediu dinheiro para comprar leite para sua filha.

Confirmado. Aqui é o Brasil.



A única solução foi chamar meu super-herói preferido:





Cheguei em casa e telefonei para a Bahia prá contar a novidade ao meu marido.

Minha tia falou que ele tinha desaparecido.




Segunda-feira, Agosto 27, 2007


Bleeergh. Amanhã recomeço a trabalhar. Quer dizer, hoje, é já madrugada.

Em plena "síndrome da volta das férias", só tenho a dizer que estou sem vontade de nada.

Cheguei no sábado passado e já na segunda-feira aqui estavam dois pintores, o eletricista e o hidráulico (que

vem a ser o namorado de minha filha) para fazer obras no meu local de trabalho prontos a revolucionar tudo,

encher a casa de poeira e aumentar o monte de entulhos estacionados no jardim. Um tal de ficar ora sem

água, ora sem luz que ainda nem lavei o roupeiro das férias. Amanhã, mesmo com a loja aberta, vou ter que

trabalhar em companhia do homem que vem colocar o piso. Já estou gozando antecipadamente os clientes

que chegarão trazendo as roupas para lavar sem nem ter uma previsão de quando vou poder ligar as

máquinas. Kiss-idane.


A viagem prá Pindorama foi que foi. A sensação de ter sido turista na minha casa ainda me acompanha. Se na

primeira vez foi tudo euforia e nervosismo, dessa vez foi igualzinho como se tivesse ido de férias num país

exótico, tipo Maldives ou Filipinas, exceto os dias pingados que passei no Rio.

Estava por demais preocupada com a reação do meu marido, já que ele é daqueles de difícil adaptação,

que levam até café no carro quando vai de casa ao supermercado, porque só toma naquela xicrinha

adoçado naquela maneira e com "x" gotas de aniz. Haja boiolice.

Como seria também a sua primeira viagem aérea, foi um tal de pedir pelamordedeus não encher o saco

dizendo que tá enjoado de ficar parado e por que-tá-demorando-tanto que acabei pagando a língua: ele

começou a perturbar já nos primeiros 30 minutos de voo reclamando do espaço entre as cadeiras que era

muito apertado, do frio, depois do calor, depois da dor nas pernas, depois da comida, depois que não

conseguia dormir e eu quase explodindo com os senta-levanta e os vamos trocar de lugar e os eu não

consigo ficar parado e os quanto tempo falta prá chegar que, prá distrair, resolvi paquerar o napoletano da

cadeira do lado, bem mais novo que eu mas que estava me dando maior trela (eu acho, né. Não entendia

nem metade do que o sujeito falava num italiano tremendo, carregado no dialeto), prá ver se ele se mancava e

ao menos ficava puto como eu estava. Ocupada em traduzir o que me dizia o meu baby-toy provisório e de

costas para meu marido, fiquei desconfiada com o suo silêncio e me viro prá olhar: ele estava dormindo como

um bebê mas, carajo, estava sem camisa! Muito delicadamente, dei um tapão no ombro dele e grunhi prá ele

se recompor recebendo como resposta um me deixa em paz, até que passou um serviçal de bordo

perguntando se tinha alguém passando mal e, de quebra, por favor senhor vista a camisa.

Ainda bem que ai-lóve ele senão, depois dessa farofada, teria dado meu número pro napoletano.


Aproveitei a mais de uma hora parados numa escala nem-lembro-onde, para lembrar ao meu tesouro que de

modo algum queria que nossas férias se transformassem num inferno. Ele estava me devendo a lua-de-mel e

já estava muito atrasado com o compromisso (miiiinchia... 14 anos de casamento...), então façamos um esforço

de não nos caralharmos reciprocamente. Eu juro que vou ser um amor: te acordarei com beijinhos e sorrisos,

te dou na boca capitãezinhos de feijão com farinha, te dou lambidinha atrás do pescoço mas, em troca, quero

ter atenção, carinho e paz de espírito. Tá feito? Dá uma bitoquinha aqui prá selar o acordo.

Depois de ser a única a não aplaudir o pouso (sou troppo chic prá essas cafonices), pisamos o chão de

Pindorama.


Meu tio e meu pai nos esperavam no aeroporto. Já iam mais de 20 anos que não encontrava meu pai, mas a

única novidade que vi no momento foi que ele deixou crescer o rabo-de-cavalo ou melhor, rabinho, recolhido

numa trancinha desmilinguida prá tirar a atenção da calvície, pelo resto tava igual. Entramos no carro prá

enfrentar a viagem de 40 km até a casa e já demos de cara com o espírito brasileiro: o porta-malas estava cheio

de bananas e de um monte de genipapos que eles compraram pela estrada, fruta que eu nem mais lembrava

a existência mas ao sentir o cheiro inconfundível me trouxe logo a recordação da minha avó, cortando na

cozinha prá fazer licor. Maior sufoco prá ajeitar as malas sem amassar as frutas e lá fomos nós...


Primeiro impacto: MAS COMO É QUE DIRIGEM ESSES BAIANOS?????

Tá bom, não é que o modo de dirigir dos italianos seja grande coisa, eu odeio o trânsito em qualquer lugar do

mundo, mas foi um choque chegar em Salvador bem na hora do rush e morrer de susto a cada ultrapassagem

ou a cada onibus/caminhão/minibus que pareciam querer te esmagar de tão perto que chegavam. Sei não,

acho que virei roceira, mas a única pessoa que amei andar de carro foi minha prima Anna. Um veludo.


Chegamos sãos e salvos. Meu marido estava abismado com tudo, se sentia o primeiro homem na Lua.

Depois continuo. Deixo aqui a imagem da nossa primeira manhã no Brasil:






Terça-feira, Agosto 21, 2007




Nem acredito que tive coragem de voltar.
Quando cair a ficha, escrevo.

E ainda por cima, tá chovendo prá cacete.
Bem feito.


Veja algumas fotos das férias : AQUI








This page is powered by 

Blogger.