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Quinta-feira, Agosto 30, 2007
PINDORAMA 2 - A GAIOLA DAS LOUCAS
Passamos dias maravilhosos na casa dos meus tios. Chamego da família por todos os lados e nem podia
pensar em alguma coisa que já estava ali na mão. O italiano deu um baque na produção de bananas do
estado da Bahia: começava o dia comendo mamão e continuava nas bananas prata que até fez aborrecer os
passarinhos do bairro que viam, dia após dia, diminuir a quantidade da fruta que meu tio pendurava no varal de
roupas destinadas a eles e aos sagüis. Também pudera! Ele passou toda a vida comendo banana d'água!
Veja ">AQUI os passarinhos comendo banana na corda.
Em cada lugar que íamos, ele comprava uma casa. Até uma cabana de palha em Arembepe, sem água e sem
luz, virou propriedade sua. Eu hein! Até parece que não me conhece... euzinha vivendo como a mulher de
Robinson Crusoé? Pode parar...
Viemos embora com ele fazendo projetos de viver no Brasil depois da aposentadoria. Prá mim é ótimo! Vou
ter lugar certo prá passar as férias hehehehehe....
Depois de apresentar as bananas, mamões, goiabas, genipapos (meu tio fez um licor delicioso), jambos, atas,
mangas, acerolas (que eu também não conhecia), carambolas e a famigerada jaca que eu propagandeava
tanto e acabei comendo pouca, decidi que era hora de largar ele por ali mesmo e me mandar para o Rio.
Achei que tinha chegado no Brasil somente quando vi a paisagem (digamos paisagem vai...) no trajeto do
aeroporto até Madureira. Uma leve paranóia me invadiu quando, parados no sinal, vi que se aproximavam uns
caras com um jeito de caminhar esquisito com uns troços pretos na mão e fechei o vidro bem na cara de um
deles. Ai que mico, eram apenas uns garotos querendo vender capas prá celular. Ufffa.
Tá bom gente, entendam que eu estou longe, fico muito tempo sem ir e ainda por cima vejo todos os dias o
jornal da Record! Falando sério, eu tava com maior medo de pegar uma bala perdida...
Tive somente uma semana para ver minha mãe e algumas pessoas da família. O pessoal que mora mais longe
e todos os amigos nem pude ver. Fiquei chateada mas já sabia que não iria dar tempo de fazer tudo. Não saí
prá me divertir e mal deu para comprar umas bobagenzinhas prá mim. Mas o pior de tudo foi a epopéia para
retirar uma merreca que tenho há anos parada na Caixa Economica Fuderal.
Apresentei-me cedo na fila da Caixa, documentos na mão, para dar entrada na papelada quando a mocinha
que pegava meus dados franziu a testa e disse que estava faltando um estrato do Itaú. Respondi que havia
consultado o site e telefonado da Italia somente para confirmar os documentos necessários e ninguém havia
falado nesse tal estrato. Aí ela falou: "Mas precisa. Vai ali no Itaú aqui em frente e pede. O próximo..."
Lá fui eu enfrentar outra fila quilométrica... Quando fui atendida, soube que para obter o tal estrato eles
precisariam de, no mínimo, 30 dias.
O queeeeeee? um mês para um papelzinho de merda?
"é sim. Precisamos fazer um pedido pra Caixa Economica e eles mandam o estrato para a agência Central do
Itaú. Depois eles mandam para cá e nós a chamamos".
Peraí um instantim: mas se foi a Caixa que me mandou aqui pegar o estrato!!! Como é que voces tem que
pedir prá eles, dar para mim e depois eu tenho que dar prá eles de novo? O que é? O samba do crioulo
doido?
"Minha senhora, é o procedimento. O próximo..."
.
Enquanto eu estava ali me perguntando o por que d'ela ter me chamado de "minha senhora" (o resto do
assunto era muito inacreditável para se pensar), uma garotinha sem dentes, que aparentava uns 13 anos, me
pediu dinheiro para comprar leite para sua filha.
Confirmado. Aqui é o Brasil.
A única solução foi chamar meu super-herói preferido:
Cheguei em casa e telefonei para a Bahia prá contar a novidade ao meu marido.
Minha tia falou que ele tinha desaparecido.
posted by Faro-fera
12:46 AM
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Segunda-feira, Agosto 27, 2007
Bleeergh. Amanhã recomeço a trabalhar. Quer dizer, hoje, é já madrugada.
Em plena "síndrome da volta das férias", só tenho a dizer que estou sem vontade de nada.
Cheguei no sábado passado e já na segunda-feira aqui estavam dois pintores, o eletricista e o hidráulico (que
vem a ser o namorado de minha filha) para fazer obras no meu local de trabalho prontos a revolucionar tudo,
encher a casa de poeira e aumentar o monte de entulhos estacionados no jardim. Um tal de ficar ora sem
água, ora sem luz que ainda nem lavei o roupeiro das férias. Amanhã, mesmo com a loja aberta, vou ter que
trabalhar em companhia do homem que vem colocar o piso. Já estou gozando antecipadamente os clientes
que chegarão trazendo as roupas para lavar sem nem ter uma previsão de quando vou poder ligar as
máquinas. Kiss-idane.
A viagem prá Pindorama foi que foi. A sensação de ter sido turista na minha casa ainda me acompanha. Se na
primeira vez foi tudo euforia e nervosismo, dessa vez foi igualzinho como se tivesse ido de férias num país
exótico, tipo Maldives ou Filipinas, exceto os dias pingados que passei no Rio.
Estava por demais preocupada com a reação do meu marido, já que ele é daqueles de difícil adaptação,
que levam até café no carro quando vai de casa ao supermercado, porque só toma naquela xicrinha
adoçado naquela maneira e com "x" gotas de aniz. Haja boiolice.
Como seria também a sua primeira viagem aérea, foi um tal de pedir pelamordedeus não encher o saco
dizendo que tá enjoado de ficar parado e por que-tá-demorando-tanto que acabei pagando a língua: ele
começou a perturbar já nos primeiros 30 minutos de voo reclamando do espaço entre as cadeiras que era
muito apertado, do frio, depois do calor, depois da dor nas pernas, depois da comida, depois que não
conseguia dormir e eu quase explodindo com os senta-levanta e os vamos trocar de lugar e os eu não
consigo ficar parado e os quanto tempo falta prá chegar que, prá distrair, resolvi paquerar o napoletano da
cadeira do lado, bem mais novo que eu mas que estava me dando maior trela (eu acho, né. Não entendia
nem metade do que o sujeito falava num italiano tremendo, carregado no dialeto), prá ver se ele se mancava e
ao menos ficava puto como eu estava. Ocupada em traduzir o que me dizia o meu baby-toy provisório e de
costas para meu marido, fiquei desconfiada com o suo silêncio e me viro prá olhar: ele estava dormindo como
um bebê mas, carajo, estava sem camisa! Muito delicadamente, dei um tapão no ombro dele e grunhi prá ele
se recompor recebendo como resposta um me deixa em paz, até que passou um serviçal de bordo
perguntando se tinha alguém passando mal e, de quebra, por favor senhor vista a camisa.
Ainda bem que ai-lóve ele senão, depois dessa farofada, teria dado meu número pro napoletano.
Aproveitei a mais de uma hora parados numa escala nem-lembro-onde, para lembrar ao meu tesouro que de
modo algum queria que nossas férias se transformassem num inferno. Ele estava me devendo a lua-de-mel e
já estava muito atrasado com o compromisso (miiiinchia... 14 anos de casamento...), então façamos um esforço
de não nos caralharmos reciprocamente. Eu juro que vou ser um amor: te acordarei com beijinhos e sorrisos,
te dou na boca capitãezinhos de feijão com farinha, te dou lambidinha atrás do pescoço mas, em troca, quero
ter atenção, carinho e paz de espírito. Tá feito? Dá uma bitoquinha aqui prá selar o acordo.
Depois de ser a única a não aplaudir o pouso (sou troppo chic prá essas cafonices), pisamos o chão de
Pindorama.
Meu tio e meu pai nos esperavam no aeroporto. Já iam mais de 20 anos que não encontrava meu pai, mas a
única novidade que vi no momento foi que ele deixou crescer o rabo-de-cavalo ou melhor, rabinho, recolhido
numa trancinha desmilinguida prá tirar a atenção da calvície, pelo resto tava igual. Entramos no carro prá
enfrentar a viagem de 40 km até a casa e já demos de cara com o espírito brasileiro: o porta-malas estava cheio
de bananas e de um monte de genipapos que eles compraram pela estrada, fruta que eu nem mais lembrava
a existência mas ao sentir o cheiro inconfundível me trouxe logo a recordação da minha avó, cortando na
cozinha prá fazer licor. Maior sufoco prá ajeitar as malas sem amassar as frutas e lá fomos nós...
Primeiro impacto: MAS COMO É QUE DIRIGEM ESSES BAIANOS?????
Tá bom, não é que o modo de dirigir dos italianos seja grande coisa, eu odeio o trânsito em qualquer lugar do
mundo, mas foi um choque chegar em Salvador bem na hora do rush e morrer de susto a cada ultrapassagem
ou a cada onibus/caminhão/minibus que pareciam querer te esmagar de tão perto que chegavam. Sei não,
acho que virei roceira, mas a única pessoa que amei andar de carro foi minha prima Anna. Um veludo.
Chegamos sãos e salvos. Meu marido estava abismado com tudo, se sentia o primeiro homem na Lua.
Depois continuo. Deixo aqui a imagem da nossa primeira manhã no Brasil:
posted by Faro-fera
2:22 AM
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Terça-feira, Agosto 21, 2007
Nem acredito que tive coragem de voltar.
Quando cair a ficha, escrevo.
E ainda por cima, tá chovendo prá cacete.
Bem feito.
Veja algumas fotos das férias : AQUI
posted by Faro-fera
10:28 PM
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