Trabalhando demais. Ainda bem, né?
O ruim é que não tenho nem vontade de escrever. Acontecem coisas e vão pelo ralo...
Vergonha! Ainda nem consegui acabar de passar as roupas que trouxe das férias!
(Casa de ferreiro, espeto de pau).
A viagem já parece uma lembrança embaçada do passado.
Acho que é por isso que meu marido já começou a bombardear meu saco que quer voltar no Natal!
Dessa vez, pro Rio. Ai meus sais.
Vou ter que comprar uma corrente e amarrar ele no pé da mesa, prá não sumir de novo.
Minha filha também foi para o Brasil logo assim que voltamos. Infelizmente a trabalho, mas mesmo assim conseguiu ficar 3 dias com o pai. Parece que parte novamente semana que vem: maior stress de mãe. São Paulo não é Varese, menina!
Outra viagem vapt-vupt.
Cheguei em casa e telefonei para a Bahia prá contar a novidade ao meu marido.
Minha tia falou que ele tinha desaparecido.
- O queeeeee??? SUMIU?
- Pois é, minha filha, ele se arrumou e saiu de casa cedinho, não disse onde iria e até agora não deu notícias.
Desliguei sem saber o que pensar. Ou melhor, pensava somente "não vou me preocupar, não vou me preocupar...". Afinal dois dias antes ele foi sozinho para a Praia do Forte, passou o dia zanzando por lá e telefonou avisando que iria demorar.
O negócio é que eu só pensava na minha sogra, que quase me jurou de morte se eu descuidasse do seu pimpolho e só faltou dizer prá ele tomar cuidado quando descesse do avião prá não ser engolido por uma sucuri ou sequestrado pelos macacos. E aí já comecei a ter idéias nefastas, imaginando ele em algum beco escuro, esfaqueado no meio das latas de lixo ou amarrado e jogado no fundo do mar com um pedaço de concreto nos pés.
Peraí, pode ser que ele tenha perdido o último onibus! Foi isso! Ai meu zeus! Como é que ele vai voltar?
Resolvi parar de pensar besteiras e esperar. Quando telefonei lá prás nove e meia da noite, minha tia disse que ele tinha ligado. O descarado estava em Salvador e iria dormir por lá mesmo, num hotel em Itapoã.
A-hááá! Filho di una zoccola desdentada! Eu aqui me preocupando e o senhorito dando voltinhas em Itapoã bancando o solteirinho!
Deixa eu chegar aí que quero saber dessa história direitinho!
Fui embora do Rio sem resolver xongas do que tinha ido fazer. Não comi picanha, não fui em lugar nenhum prá me divertir, não fui no shopping gastar e muito menos na praia. Ainda briguei com minha mãe. Uma merda.
Voltei prá Salvador no domingo, dia dos Pais, e quando entrei no avião lembrei que meu pai iria me pegar no Aeroporto e que aquele seria o primeiro dia dos Pais que passaríamos juntos em toda a minha vida. Cacete, nem lembrei de comprar uma lembrancinha.
Estava muito chateada quando sentei no meu lugar e enquanto me ajeitava, passou um homem no corredor de quase dois metros de altura, me abriu um sorriso cheio de dentes e me disse oi. Eu nem respondi, quem é esse cara? Impossível que me conhecesse, eu lembraria apesar do óculos escuros que ele usava que lhe dava um ar de uma abelha gigantesca. Ai, que fossa, que vontade de chorar, quando é que eu vou poder voltar?
Nem comi a goiabinha da Gol e passei toda a viagem tentando esvaziar a cabeça. Quando chegamos o homem-abelha estava bem na minha frente e, sem os óculos escuros, vi que era o Sidney Magal. Me deu vontade de rir. Que peça.
Meu marido me esperava e durante a volta começou a contar o que fez nos dois dias sozinho em Salvador. Eu fiquei contente de ver ele bem, de saber que se divertiu e que se virou sozinho com o seu portugues ruim. Estávamos mesmo precisando de ficar alguns dias separados, não lembrava mais a última vez que tinha sentido saudades dele.
Passamos ainda uma semana maravilhosa. E viemos embora.